DEDICA: Acusações injustas também são pauta em mesa de debate

Evento do projeto Dedica fala sobre abuso sexual de menores. Segunda edição do mês fez, de novo, lotar o auditório da Unespar

·
Atualizado há 10 anos

DEDICAX-X2
De novo, auditório lotado. (Foto: Mariana Honesko).

Como o primeiro, o segundo encontro do projeto Dedica lotou o auditório da Unespar de União da Vitória. O programa amplia o conhecimento de quem participa sobre a defesa dos direitos da criança e do adolescente. A iniciativa é uma parceria entre o Ministério Público do Paraná, Vara da Infância e Juventude e Núcleo Regional da Educação (NRE).

A formação de uma rede de atenção é fruto de índices altos encontrados na região do Vale do Iguaçu. Neste aspecto, o NRE, que através das escolas acabou se tornando uma “escuta” dos casos, sinalizou preocupação e decidiu pela defesa. “Procuramos o MP e a Vara da Infância para montar estes eventos, ações que fazem com que nós tenhamos formação continuada. Além disso, estamos fazendo contato direto com as escolas, para trabalhar neste ambiente para perceber qualquer indício e tentar resolver”, observou o chefe do NRE, Ricardo Brugnago.

Na terça-feira a segunda capacitação do mês – no restante do ano será apenas um encontro mensal – colocou em debate as questões envolvendo o abuso sexual de menores. Para discutir o assunto, estiveram na linha de frente da rodada o Juiz de Direito, Carlos Eduardo Mattioli Kockanny, a psicóloga da Vara da Infância e Juventude de União, Larissa Moretto e a professora Nájela Tavares Ujie, diretora do Centro de Ciências Humanas e Educação da Unespar.

O Dedica será realizado até novembro. No dia 8, nova mesa de debate, desta vez com foco nos Direitos Humanos, encerra a edição 2016 do projeto.

Acusação falsa

DEDICAX-X1
Para Larissa Moretto, falar sobre abuso é sinônimo de prevenção

Para Brugnago, uma das preocupações do projeto é justamente evitar que denúncias injustas ganhem holofotes. Assim como é grande o interesse na preservação das vítimas, recebe atenção também que é acusado sem provas ou confirmação. “Por isso, não se pode polemizar, difamar alguém. Acreditamos que temos que incentivar as pessoas de boa fé a fazerem o caminho correto, para denunciar mesmo e fazer um trabalho de checar a procedência da denúncia”, defende.

Ser justo para os dois lados. Essa é a equação que para a psicóloga da Vara da Infância, funciona. A ideia, garante ela, não é apenas prender alguém, antes, ver a justiça realmente acontecendo. E isso, para ambas as partes. “Há uma incidência de denúncias falsas. Então, quando não for constatado o abuso, que isso fique claro”, afirma Larissa.

Vale lembrar que “abuso” é muito mais que sexo e violência. Palavras, gestos, jogos e imagens, também entram neste contexto. Ampliar a dimensão de tudo isso, bem como o alcance da informação é para Larissa a chave para o sucesso na prevenção, bem como no aparecimento de números reais. Hoje, de cada dez situações, apenas uma chega onde deveria chegar. Não se trata, garante a profissional, de torcer pelo aumento de marcas, mas para que, se houver abuso, que ele apareça. “A data de amanhã é apenas um pontinho perto do que precisamos, ensinar as crianças sobre o corpo dela, que ninguém tem direito de invadir a sexualidade, o corpo dessa criança”, sinaliza.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!