Por Mariana Honesko

E quem não se lembra do seu primeiro professor? Basta puxar um pouco pela memória para que logo o nome do mais querido venha à mente. Não raro, a lembrança vem acompanhada por momentos de alegria, de entusiasmo e de nervosismo, comum nas vésperas de provas. O tempo passou, a inovação tecnológica ganhou seu espaço mas o professor continua tendo seu cantinho especial à frente das salas de aula. “O professor ainda é um profissional de muita referência, alguém que fala e que é ouvido”, sintetiza a orientadora educacional do Colégio Santos Anjos, Rosanna Brancaelone.
A instituição, que nasceu meses antes da cidade de Porto União e mescla a tradição de seus 96 anos com as inovações que o ensino exige, é uma das defensoras do papel do professor como fonte de transformação de valores. “Nossa missão é educar para a vida. Não basta apenas informação”, sorri a diretora, Irmã Ilária Matte.
No Santos Anjos, as adaptações de mais de nove décadas envolvem especialmente o cuidado com o que e como se ensina. Nos bastidores, há projetos, treinamentos e uma completa equipe pedagógica – o colégio tem na rede outros 80 profissionais da educação – que dá suporte às mudanças. “Uma equipe que mantém a motivação do professor em sala de aula, que mantém essa vontade de trabalhar”, define a coordenadora pedagógica Gisele Hey.

O entusiasmo sai da sala de aula. Os professores, antes acostumados a lecionar dentro dela, agora levam o conteúdo para longe dos muros escolares. No colégio, a prática já é comum e tem agradado os estudantes. O sistema começa com as crianças do Ensino Infantil e termina com os pré-vestibulandos. Recentemente, a professora de Química, Heliane Turela, testou a proposta. “Os alunos entendem muito melhor um assunto vendo a produção. Foi o que fizemos. Fomos ao laboratório e fizemos sabonetes. Eles entendem muito melhor do que se eu apenas falasse sobre os elementos químicos que o compõe”, explica.
Levar o conteúdo para laboratórios e outros lugares pouco convencionais só é possível quando os professores permitem-se transformar. “Eles ensinam, mas também aprendem”, afirma sorrindo Gisele. Assim, muito mais do que vocação, quem segura o giz na mão despe-se de vaidades e preconceitos. “O professor precisa ser flexível e acreditar na inovação. Ele precisa ter amor no que faz para conseguir bons resultados”, ressalta Rosanna.
E conseguem. Nos terceiros anos, por exemplo, é grande o número de alunos que encontram sua vocação a partir da ajuda dos mestres. Muitos, inclusive, seguem os passos dos próprios professores e escolhem, além do magistério, cursar as mesmas disciplinas. Os resultados são ainda mais expressivos quando os valores são colocados em prática. “Independente da profissão que eles vão escolher, queremos que eles sejam felizes, mas que tenham seus valores. Se forem comerciantes, que atendam bem todas as pessoas. Se forem advogados, que não tratem os outros como clientes, mas como pessoas”, exemplifica Gisele.
Embora defenda as adaptações, o colégio mantém o perfil do bom e velho professor. “Ternura e firmeza precisam estar juntas”, diz a diretora da instituição.
Alunos homenageiam professores

Foi com bom humor que os estudantes dos nonos e terceiros anos anteciparam o Dia dos Professores. Na sexta-feira, 11, além de os presentearem com lembrancinhas, as turmas subiram ao palco, no salão social, para uma pequena peça teatral. Improvisada, ela usou o bom humor nas imitações de alguns mestres e na réplica de seus próprios comportamentos em sala de aula. Sobraram risadas e, no final, a turma resumiu o carinho com um simpático “muito obrigado”.