Estudante é aprovada em mestrado com dissertação baseada em O Comércio

Pesquisa é da mestra Vanessa Cristina Chucailo e abordou sexualidade e educação sexual no Brasil entre os anos de 1933 e 1941

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Atualizado há 11 anos

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(Foto: Reprodução).

O resultado de dois anos de trabalho veio no dia 31 de agosto. Pouco depois das 14 horas, a então estudante, Vanessa Cristina Chucailo, deixava o status para se tornar mestra, oficialmente. No campus de Irati (PR) da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), a jovem, de 25 anos, conquistava mais um título.

Na instituição, a banca aprovou, com louvor, a dissertação “O sexo à luz da verdade e da ‘sciencia’: um estudo sobre os discursos de educação sexual e sexualidade no jornal O Comércio”. “A dissertação foi bastante elogiada pelas professoras, tanto pela importância da temática quanto pela sua contribuição para a pesquisa histórica no contexto local, regional e nacional”, contou. É, de fato, como disseram os professores, “uma pesquisa com fôlego para um doutorado”. “E é esse meu próximo desafio: ampliar a pesquisa em busca de um Doutorado, quem sabe já no próximo ano”, sorri.

Revirando os arquivos

Para o Mestrado, a jovem, formada em História pela Fafi, de União da Vitória, sua terra natal, usou como base as notícias e reportagens feitas pelo jornal O Comércio entre os anos de 1933 e 1941.

O interesse pela escolha do periódico como fonte nasceu durante sua participação como bolsista no projeto de digitação do Acervo Histórico, feito em parceria com o colegiado de História do, agora, campus da Unespar. “Durante o trabalho de digitalização do acervo, que iniciou em 2012, deparei logo nas primeiras edições, e por quase uma década, com publicações que abordavam assuntos relacionados à sexualidade e a educação sexual no Brasil. Algumas tratando de temas bem específicos como a higiene sexual, o combate às doenças venéreas, a educação sexual das crianças e dos jovens. Com todo esse material em mãos surgiu à oportunidade de construir um projeto de pesquisa para o Mestrado em História”, lembra.

Então, em agosto de 2013, a pesquisa pode encontrar sua realização, sob a orientação da professora, doutora, Luciana Rosar Fornazari Klanovicz.

A pesquisa traçou ainda uma reflexão sobre a atuação da imprensa no interior durante a década de 1930. Por conta do jornal, o estudo permitiu um “raio-x” de como era a cidade de Porto União – na época. Esse capítulo, inclusive, foi ressaltado durante a banca de defesa por trazer conteúdos até então pouco ou nunca antes abordados. “Como por exemplo, a necessidade do jornal, especialmente em sua primeira década de circulação, se afirmar como um periódico pertencente à cidade de Porto União, destacando em suas páginas aspectos políticos, sociais e culturais enquanto cidade catarinense, distanciando-se sempre que possível da sua “gêmea” paranaense União da Vitória”, explica. Aliás, a Cidade Irmã é praticamente inexistente nas páginas do jornal durante a década de 30.

A partir da história local, a pesquisa ampliou o olhar para as políticas nacionais sobre sexualidade e educação sexual no Brasil, para então, no último capítulo, analisar especificadamente os discursos publicados pelo jornal sobre essa temática. “Com isso, constatamos que tais publicações faziam parte de uma campanha empregada pelo Círculo Brasileiro de Educação Sexual (CBES), da capital do Rio de Janeiro, uma instituição conduzida pelo médico José de Albuquerque e principal responsável pela divulgação da educação sexual no País durante a década de 1930, e com influência nos mais importantes círculos intelectuais e políticos brasileiros da época, contrariando toda a ideia de repressão sexual vigente no período”, revela.

Mais interessante ainda é que o jornal, além de garantir a pesquisa, funcionou como interlocutor da campanha pela educação sexual, bem como da importância às discussões sobre essa temática naquele período, através do CBES. “E hoje, mais de 80 anos depois, ao invés de assistirmos um avanço no que se refere a essas questões, percebemos dia-a-dia um retrocesso político-educacional no que se refere às políticas de gênero, sexualidade, diversidade, minorias”, sorri Vanessa.

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