
A Vara da Infância e Juventude de União da Vitória recebeu no sábado, 30, conselheiros tutelares das cidades que compõe a comarca do município, entre elas Bituruna, Cruz Machado, General Carneiro, Paula Freitas, Porto Vitória além de União da Vitória. A ideia foi capacitar os conselheiros que irão trabalhar em conjunto com o Projeto Confiar.
No evento, que também contou com os conselheiros tutelares da comarca de Porto União, o Juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude, Carlos Eduardo Mattioli Kockanny e a psicóloga Larissa Moretto repassaram orientações sobre o fluxo de atendimento das crianças e adolescentes supostamente vítimas de violência sexual nas comarcas.
Larissa faz parte do Núcleo de Psicologia do projeto e chamou a atenção para a identificação de possíveis abusos, desde a abordagem das vítimas, das espécies de violência, e especialmente os cuidados que os conselheiros devem buscar no atendimento dos casos até que sejam encaminhadas as vítimas ao Projeto para uma “escuta” mais humanizada e psicológica.
Kockanny também ressaltou que o Projeto Confiar busca atendimento mais qualificado a estas vítimas, evitando a “revitimização” que ocorre com inúmeras oitivas, todas, segundo ele, realizadas por profissionais sem o preparo adequado.
O Projeto Confiar, segundo o juiz, tem também como um de seus principais objetivos o treinamento de toda a rede de atendimento, não somente para conhecimento da forma que se atua na Comarca nestes casos, mas também para que todos possam contribuir de forma mais significativa para dar confiança às vítimas. “Produzindo um atendimento protetivo, evitando ao máximo a repetição de escutas e a revitimização”, reafirmou. “Com o conhecimento do Projeto por um número maior de pessoas espera-se um aumento da correta identificação e encaminhamento dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, assim como angariar a confiança das vítimas para que efetivamente contém o que sofreram e não continuem a sofrer caladas”, completou.
O Confiar
O projeto cria um fluxograma completo de atendimento de todos os possíveis envolvidos em casos de abuso sexual. Nesse caso as oitivas, que antes eram fragmentadas desde o primeiro atendimento com a Polícia Militar até chegar no juizado, é concentrado em apenas uma conversa, a psicológica. Passada essa fase, a prova produzida com o laudo será utilizada em todas as áreas do Poder Judiciário, Poder Público, tal como um laudo médico de lesões corporais, laudo pericial de arma, não sendo renovada a audição com a vítima.
Quem realiza esse trabalho é o Centro Judiciário de Resolução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) do Fórum.
Antes funcionava assim: após a identificação dos casos a criança vítima era ouvida pelo Conselho Tutelar, depois na delegacia, Fórum, um pouco mais adiante pelo Juiz da Infância e Juventude e Juiz Criminal. O que gerava desconforto para a criança. Para os envolvidos no Confiar, a criança sofria, ainda mais, quando relembrava o abuso vezes por vezes em audições separadas.