A reunião entre diretores e a chefia do Núcleo Regional de Educação (NRE), em União da Vitória, na tarde de terça-feira, 30, foi decisiva para abolir a sexta aula dos calendários escolares. O modelo havia sido apontado como uma solução para as reposições e, caso aplicado, aquelas escolas que terminariam o ano letivo somente em 2016 poderiam encerrar com os conteúdos ainda em dezembro, no dia 23. No entanto nenhum argumento positivo sobre a sexta aula – que antecipa o início das aulas e estica o final – conseguiu convencer quem esteve na reunião. “Ninguém quer fazer a sexta aula, porque o transporte acaba sendo um fator impeditivo, além da diminuição de cada hora aula devido à perda pedagógica de 5 minutos”, explicou Ricardo Brugnago, chefe do NRE local.
Outro fator que derrubou a sexta aula foi conciliar a funcionalidade entre um turno escolar e outro. Conforme Brugnago os funcionários teriam de “se virar nos 30” para manter tudo em ordem. “Iria comprometer a limpeza das salas e o serviço da cozinha”, reforçou.
Depois do impasse o que está valendo, ainda, é o calendário escolar enviado para o Núcleo e Seed na segunda-feira, 29. As escolas ainda têm um prazo, segundo o assistente do Núcleo de Educação, Jucemir Lazier, para fazer alterações até a próxima semana, no dia 6. Depois dessa data todos os modelos serão homologados pelo Núcleo. “Como houve possibilidades novas algumas escolas irão ajustar e nos enviarão para apreciação”, confirmou.
Ano escolar
A dúvida de quando as aulas terão um fim ainda não foi respondida. O cenário muda de uma escola para outra, já que não foram todos os professores que aderiram à segunda parte da greve. Para Brugnago, a maioria das escolas de União da Vitória, General Carneiro e Paula Freitas concluirão, ainda neste ano, o conteúdo escolar. Por outro lado, os municípios de Paulo Frontin e Bituruna terão aulas até 2016. “As datas são de acordo com os calendários repassados, e provavelmente não mudará”, confirmou. Nesse ritmo as férias de julho estão suspensas para dar lugar as reposições, já as de janeiro estão garantidas. Os alunos e professores só retornarão para às salas de aula em fevereiro, caso ainda precisem encerrar o ano letivo de 2015.
As principais possibilidades para reposições se mantem aos sábados além dos contraturnos, que foram aprovados pela Secretaria. A reposição também só acontece com professores que participaram da greve. Como orientação o Núcleo emitiu um comunicado aos pais para que mantenham contato com as escolas dos filhos até que tudo seja, definitivamente, acertado, o que pode acontecer na próxima segunda-feira, 6.
Impasse
Até a sexta-feira passada a sexta aula não era aceita pela Secretaria de Educação do Estado (Seed), pois iria contra a Lei de Diretrizes e Base da Educação Pública (LDB) que prevê 800 horas de aula e 200 dias letivos. Com a sexta aula apenas as 800 horas seriam colocadas em prática, já os dias letivos seriam mais curtos que o ideal.
Contudo, no início desta semana a secretária da pasta seguiu a decisão do Conselho de Educação (CEE) e aprovou a sexta aula como mais uma possibilidade para a reposição dos 49 dias em que professores ficaram em greve. A medida recebeu apoio maciço da APP Sindicato, inclusive de pais, que afirmaram ser a decisão mais prática para as reposições.
Mapa
Nas próximas edições O Comércio trará um mapa do esquema de reposição que está sendo praticado nos municípios da região do NRE. Quais recebem alunos no contraturno, aquelas que fazem reposições aos sábados e as escolas que terão de encerrar o ano letivo em março de 2016.
Transporte aos sábados
Na semana passada o assistente do Núcleo de Educação, Jucemir Lazier, confirmou em entrevista ao Comércio que o transporte “extra” está garantido – o que já acontece em algumas escolas desde o dia 13 quando começaram as reposições. “As reposições são em alguns sábados, somente naqueles que a prefeitura do município garante o transporte”, disse na ocasião. Ainda segundo Lazier a via é de mão dupla, para que o Calendário Escolar fosse homologado, o acesso à escola teria de ser garantido, o que eliminava a possibilidade de as prefeituras não ofertarem o transporte.