Além de auxiliar os professores frente ao conhecimento de tratativas legais para com crianças e adolescentes, especialmente no que tange aos deveres e obrigações que competem aos pais, a formação para professores municipais trabalhou o novo currículo pedagógico municipal. Foram dois dias, 7 e 8 de agosto, dedicados para palestras e trocas de experiências entre educadores. A Uniuv e a Escola Municipal Professor José Moura cederam espaços para esses trabalhos de quinta-feira e, na sexta-feira, a Associação Comunitária do Bairro São Joaquim e Colégio Estadual Túlio de França, mesmo local que foi ministrado o curso para demais funcionários dos estabelecimentos de ensino. Os servidores dos Centros Municipais de Educação Infantil (Cemeis) participam nesta semana, dias 14 e 15 de agosto. “Dividimos, os professores, em quatro grupos de acordo com as regiões do município”, explica o secretário de Educação, Célio Reginaldo Calikoski. Na Uniuv se reuniram os educadores da região Sul, no José Moura do Distrito de São Cristóvão, os servidores da área central no Túlio de França e a Associação do São Joaquim recebeu os educadores dos Conjuntos e região.
Responsabilidade dos Pais
Por meio de vídeo, o Juiz de Direito da Vara da Família, Infância e Juventude, e Anexos da Comarca de União da Vitória, Carlos Eduardo Mattioli Kockanny, destacou o trabalho pedagógico e a importância da rede de apoio, com participação do Poder Judiciário nesse curso, orientando ações no campo do ensino e combatendo a evasão escolar. O magistrado citou direitos concedidos para crianças e adolescentes e ressaltou a responsabilidade dos pais na educação que, caso desrespeitada, é passível de penalizações e multas. Segundo ele, o simples fato de chamar o pai e informá-lo que será multado pode solucionar a omissão. Em outros casos, a aplicação da multa é fato conscientizador. “Na medida em que ele paga uma multa, e toda vez que ele for no banco pagar a multa parcelada, ele vai de alguma maneira ligar o pagamento com o motivo pelo qual ele foi obrigado a pagar aquela multa”, exemplifica. Trazer os responsáveis pelos filhos para participarem de ações e projetos escolares e permitir que eles sugiram melhorias é canal de aproximação entre pais e escolas, de acordo com Mattioli.
Na mesma linha, o Promotor da Vara da Família, Infância e Juventude, e Anexos da Comarca de União da Vitória, Júlio Ribeiro de Campos Neto, salientou que é primordial que cada ente social realize seu trabalho, dentro de suas competências. Júlio Ribeiro explica que os pais (ou tutores) devem cumprir o seu dever de educação com seus filhos ou tutelados, podendo ter que responder perante a Justiça em caso de omissão. Segundo ele, o ato de educar uma criança ou adolescente é de obrigação ‘primordial e principal’ dos seus pais. “E muitas vezes pais inconscientes ou até mesmo irresponsáveis tentam repassar uma obrigação que é sua para o professor, conselheiro tutelar, juiz ou promotor”, esclarece. O promotor orientou postura abrangente associada do apoio da rede para auxiliar e solucionar, após análise interdisciplinar.
Com o tema: ‘Compreendendo a Infância’, o professor e advogado Paulo Fernando Pinheiro tratou o mesmo assunto, explicando que os pais não podem se eximir do seu papel, contudo os professores precisam ter embasamento legal para que sua decisão em sala de aula tenha respaldo jurídico. A aprovação de regimento interno, nas escolas com apoio e avalizado pelos pais, faz parte dessa organização de ações. O conjunto de regras precisa ser documentado e, a partir disso, conforme o palestrante, permite ações efetivas do professor para que os deveres sejam cumpridos sem desrespeitar os direitos.
O secretário frisou que o município carece de reformulação curricular para se adequar a realidade de União da Vitória. Inicialmente, a secretaria buscou assessoria pedagógica junto à Universidade Federal do Paraná (UFPR) que, posteriormente, reuniu diretores e supervisores. Na fase atual, o trabalho recebe sugestões dos professores e, na fase final, dos pais e comunidade escolar para concluir os novos parâmetros, com prerrogativas locais e atendendo aos quesitos previstos nos Parâmetros Curriculares Nacionais e Diretrizes Curriculares Estaduais. “Com todas essas participações, acreditamos que teremos um currículo pedagógico condizente com nossas necessidades”, disse Célio.
‘A voz e a vez dos professores nas discussões pedagógico-curriculares’, esse foi o foco da conversa da professora Dra. Maria Tereza C. Soares, da UFPR. Focando justamente para essa participação e citando a importância da colaboração de cada professor, a palestrante descreveu as ações já realizadas, com diretores e supervisores, e falou sobre a nova Matriz Curricular que terá participação dos educadores e comunidade. “Conforme disse o secretário”, afirma.
Em forma de rodízio, Maria Tereza e Paulo Pinheiro ministraram palestra nos quatro locais. Os professores ficaram um dia nas palestras e outro nas escolas em que estão alocados, trabalhando questões específicas da escola somadas das diretrizes da educação municipal.
Da Assessoria
