Rumores de fechamento de escolas na região levam professores e alunos às ruas

Uma unidade da Casa Familiar Rural está na lista da APP Sindicato, divulgada no início do mês. Núcleo Regional de Educação e direção de colégio negam o fechamento da escola. Amsulpar cogita convênio entre prefeituras caso repasse do governo seja encerrado

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Atualizado há 11 anos

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(Foto: Ricardo Silveira).

A educação do Paraná volta à pauta. Agora, os motivos são bem diferentes. Conforme lista divulgada pela APP Sindicato Estadual e publicada pela Gazeta do Povo no início deste mês, mais de cem escolas do ensino púbico estadual seriam fechadas para contenção de gastos do governo. As Casas Familiares Rurais também estrariam na berlinda. Entre os casos analisados estão as escolas que funcionam em prédios alugados, unidades de educação de jovens e adultos e rurais.

Na região da Associação dos Municípios Sul Paranaense (Amsulpar) a Casa Familiar Rural em Paulo Frontin entrou para a lista. Conforme o diretor da escola, Irineu Carlotto, a possibilidade de a unidade fazer parte da lista de fechamentos surgiu em uma conversa durante reunião com professores. “Nada oficial da Secretaria do Estado”, contou. Ainda segundo Irineu, logo que soube da informação entrou em contato com o Núcleo Regional de Educação (NRE) de União da Vitória. “Lá tive a única informação oficial de que a escola não vai fechar”, confirmou. “Pediram para os professores acalmarem a comunidade escolar porque tudo não passa de rumores”, comentou Irineu.

A Casa Familiar em Paula Frontin tem 52 alunos, uma estrutura fixa e funciona no sistema de alternância. Que é quando o aluno tem aula teórica em uma semana e na outra aplica o conhecimento na propriedade da família. A teoria é passada por quatro professores da escola regular e mais sete profissionais de agronomia. “Temos dois agrônomos, dois veterinários, um técnico e mais dois assistentes”, contabiliza o diretor. Os professores da educação base – português, geografia, história e matemática – são, também, funcionários do Colégio Monsenhor Pedro Busko, onde Irineu também assume a função de diretor. Conforme ele, caso a unidade rural fechasse as portas a economia da cidade – quase sua totalidade baseada na agricultura familiar – seria afetada. “É de suma importância a Casa Familiar porque atende os filhos de pequenos agricultores da cidade e comunidades do interior. A agricultura familiar é o que gira nossa economia.”

A unidade em Paulo Frontin existe desde 2010. Por lá três turmas já se formaram e continuam atuando na cidade. “Nós temos acompanhado a formação depois da Casa Familiar e é gratificante, porque os alunos que se foram aqui ficam na propriedade dos pais, na área rural, e fazem fomentar a economia da agricultura familiar”, contou Irineu.

Na região

Paulo Frontin não é o único município da Amsulpar com Casa Familiar Rural, em Cruz Machado, São Mateus do Sul, Bituruna e uma em União da Vitória – que ainda não está finalizada – fazem parte do pacote. Conforme o presidente da Associação, Antônio Szaykowski, a verba para que todas essas unidades continuem abertas está sendo providenciada. “Tive várias reuniões com lideranças políticas estaduais e do governo do estado, com a secretária de Educação, e nós (Amsulpar) conseguimos segurar o fechamento”, afirmou o presidente.

Só que para isso o executivo municipal vai ter de colocar a mão no bolso. Segundo Antônio a batalha foi longa e espinhosa até chegar num acordo, mas, agora, os prefeitos precisam olhar pelas unidades rurais. “O governo, por conta da contenção de gastos, realmente estava disposto a fechar 40 escolas até o final de junho, mas em nossa regional nós temos quatro unidades em pleno funcionamento”, comentou. “Para ajudar a manter vamos ter de discutir uma planilha de custos e arcar com o repasse que o governo pode deixar de fazer”, explicou.

No caso de Cruz Machado, onde Antônio é prefeito, a Administração Municipal já repassa anualmente cerca de R$ 125 mil em verbas a Casa Familiar Rural da cidade. Com a mudança, serão cerca de R$ 90 mil a mais para manter as portas abertas. “O Estado vai manter os professores em 20 horas, vai abrir PSS para técnicos também e o município ajuda a bancar o administrativo, serviço gerais, cozinheira e monitores”, explicou.

A unidade em Cruz Machado tem 68 alunos, cinco turmas formadas e já existe uma pré-seleção para 30 alunos interessados no próximo ano letivo. “As pessoas e o governo estão vendo a formação de qualidade, e como filho de agricultor acho que é a ajuda do executivo é investimento que implica a desenvolver nossa agricultura familiar. ”

Conforme a Administração cerca de 95% dos alunos formados na Casa Familiar Rural continuam no interior, desenvolvendo a agricultura local. “A ajuda que as prefeituras vão dar passa a ser um investimento, não um gasto. Porque a nossa economia está quase 70% ligada na agricultura familiar”, argumenta Antônio. “Por isso precisamos formalizar um convênio. ”

Formal ou não, os rumores ainda estão incomodando educadores, alunos e administradores da região. Nenhum comunicado, garante as direções das unidades de casa família rural, foi enviado pela Secretaria de Educação do Estado. Muito mesmo o acordo para que as portas não sejam fechadas, entre prefeitura e escolas, foi oficialmente debatido.

A reportagem de O Comércio tentou contato com a Administração de Paulo Frontin, mas não obteve retorno. Em contato com o Núcleo Regional de Educação a posição da direção da Casa Familiar de Paulo Frontin foi confirmada.

Para o secretário de organização da APP Sindicato local, Idemar Vnsderlei Beki, o governo não tem parâmetros para o fechamento. “Uma escola de Curitiba seria fechada na semana passada, mas a comunidade se manifestou e eles (Governo) voltaram atrás. Então eles não têm muito critério na questão de fechamento de turmas”, disparou.

Para Beki, caso as escolas venham a fechar e o aviso seja oficialmente divulgado para as direções, o prejuízo maior será pedagógico. “As unidades de Casa Familiar Rural trabalham com a pedagogia de alternância, e a partir do momento em que você estimula o conhecimento e aplicação dele isso não pode ser cortado”, diz. “Ao invés de o Governo estimular a participação no ambiente escolar ele está dizendo “não, você não precisa participar da escola”.

Se o fechamento ocorrer os alunos serão realocados em escolas próximas a residência, caso não haja vaga, eles serão matriculados em escolas com vagas em aberto. Outro problema para os alunos da área rural. “Os alunos serão colocados em lugares mais longes. E vai acabar superlotando essa outra escola”, dispara o secretário.  “Então não pode ser somente questão econômica. ”

A Secretaria da Educação confirmou em nota, publicada pela Gazeta do Povo, que “realiza levantamento e estudos com vistas a otimizações de turmas nas instituições de ensino que apresentem redução no número de alunos”, mas não confirma nem contesta que vai fechar escolas.

Nas ruas

A APP Sindicato de União da Vitória se reuniu ontem pela manhã, em frente a Universidade Estadual do Paraná (Unespar), com cartazes e faixas pedindo pelo não fechamento das escolas. O grupo conseguiu apoio da União da Juventude Socialista do Contestado-UJS Contestado, União Municipal dos Estudantes Secundaristas de União da Vitória e Porto União UMESUVA/UMESPU, bem como do Coletivo É de Lutas da Biblioteca Popular do Contestado. Na ocasião ocorreu a quinta edição da Jornada de Lutas da Juventude do Contestado.

As reinvindicações se mesclaram entre educação de qualidade, contra o anúncio do Governo do estado do Paraná de fechamento de 150 escolas estaduais, pelo Passe-livre estudantil; contra o racismo, machismo e homofobia e toda a forma de preconceito e, também, conta o Projeto Lei 748 que tramita na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, e prevê que educadores mantenham uma educação “chapa branca” sem comentar sobre política e religião, por exemplo. A lei está sendo chamada de “lei da mordaça”. Contra isso a APP também já organiza uma audiência púbica no dia 9 do próximo mês. No encontro também será tratado o possível fechamento das escolas.

No momento de ontem, mais de cem manifestantes foram às ruas.

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