
Depois de chegar a anunciar que o calendário acadêmico poderia ser suspenso em fevereiro, a Unespar, campus de União da Vitória, recebeu a notícia, dada pela reitoria, que fica em Paranavaí, de que as contas atrasadas com empresas terceirizadas serão quitadas. O diretor do campus local, Valderlei Garcia Sanches, disse que recebeu um telefonema da reitoria, informando que a Secretaria da Fazenda vai liberar o aporte para a reitoria fazer os pagamentos. “Não somos nós que pagamos, mas a reitoria”, explicou Sanches. Uma reunião que deveria discutir a crise no campus, que seria realizada hoje, em Curitiba, foi desmarcada pela reitoria. As atividades acadêmicas devem retornar no início de fevereiro, já que o ano letivo do ano passado será fechado no mês que vem e o ano letivo de 2016 será aberto em março em consequência das greves do ano passado.
A confirmação do diretor vem ao encontro da informação do deputado estadual Hussein Bakri (PSC), que por meio da sua assessoria afirmou que o problema estaria resolvido. Segundo a nota do gabinete do deputado, Bakri se reuniu na manhã de segunda feira, 18, com o governador Beto Richa, realizando uma audiência para tratar de diversos assuntos no Palácio Iguaçu. Um dos assuntos abordados pelo deputado e pelo governador foi sobre o campus da Unespar em União da Vitória. “Hussein requisitou ao governador que pagamentos atrasados, referente a diversos serviços necessário para o funcionamento e manutenção do campus, fossem efetuados para que a faculdade possa continuar a desenvolver seu trabalho. Beto Richa garantiu ao deputado que os pagamentos serão feitos nas próximas semanas, e assim, a Fafi – Unespar poderá começar seu ano letivo normalmente”, diz parte a nota. Sanches disse que o orçamento de 2016 está aberto, mas o campus não tem autorização para gastar.
Orçamento de 2015 não foi cumprido
O orçamento da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) previsto para 2015 pela Lei de Orçamento Anual (LOA) não foi cumprido. O repasse, que seria de R$ 16,6 milhões, foi reduzido para R$ 8,4 milhões. A verba é dividida entre os sete campi da instituição espalhados nas cidades de Apucarana, Campo Mourão, Curitiba, Paranaguá, Paranavaí e União da Vitória e serve para quitar despesas como manutenção dos prédios e tarifas básicas como água, luz e telefonia durante todo o ano. O corte de 49,6% do orçamento, segundo a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), fez parte do programa de contenção de despesas do Estado. O orçamento da Unespar não tem sido suficiente para manter as atividades da instituição desde 2014. A Unespar estimou o orçamento mínimo necessário para 2015 em quase R$ 14 milhões.
Equiparação de orçamento
A situação do campi de União da Vitória é tão ruim que em 2015, na divisão dos recursos, ficou oficialmente com R$ 483 mil. E com quatros meses de dívidas acumuladas. O segundo campi mais pobre é o de Paranaguá, que ficou com R$ 527 mil. A Seti afirma que, em vez desse último valor, o campus do litoral deveria receber R$ 570 mil. Os maiores valores, acima de R$ 1 milhão, ficaram com a reitoria da Unespar e com os campi Curitiba I e Paranavaí. A distribuição dos valores é definida pela reitoria e pelo conselho de administração da universidade. Segundo Sanches, o reitor prometeu equiparar os orçamentos pelo número de acadêmicos, o que deve refletir em um bom aumento para o orçamento, até então insuficiente, de União da Vitória. “O aumento deve ser gradual, mas real”, disse Sanches.