Escolas municipais estão sem dinheiro para despesas básicas em União da Vitória

O assunto ganhou notoriedade após a diretora da Escola Municipal Melvin Jones, Maria Rodrigues da Cunha, fazer o uso da tribuna na Casa de Leis. Educadores do Município ocuparam a plenária em apoio à ela

O retrato da educação de União da Vitória não é nada animador.

Os gestores das escolas municipais e centros municipais de educação Infantil – CMEIS, estão apelando pela prática mais antiga de negócio do comércio que é o FIADO*.

O assunto ganhou notoriedade na noite desta segunda-feira, 27, durante a Reunião Ordinária da Câmara de Vereadores de União da Vitória, que iniciou pontualmente às 19 horas.
Praticamente todas as cadeiras da plenária estiveram ocupadas hoje, em sua maioria, por educadores da rede municipal de ensino de União da Vitória, que apoiaram a fala da professora Maria Rodrigues – que foi eleita aporta voz do magistério, e que usou a tribuna em detrimento da precariedade financeira das escolas. Também esteve presente o presidente do Sindicato do Magistério de União da Vitória, Márcio Fernando Utzig.

“Senhores edis, o uso da tribuna hoje está respaldado por todos os diretores das escolas municipais, para tornar público a situação em que estamos vivendo dentro de nossas escolas”, disse a diretora Maria, que acrescentou que já atua há 38 anos junto a educação de União da Vitória e, que por isso, já vivenciou as várias fases da educação de União da Vitória, mas que jamais uma situação emanada de tantas dificuldades, como essa.

Maria comentou que já em 1990 os educadores pleitearam junto aos edis projetos para manutenção das escolas municipais, porém desde agosto deste ano o repasse financeiro junto ao Fundo Rotativo* não mais aconteceu. Em decorrência disso, Maria afirmou aos vereadores de que são várias as escolas que estão devendo junto ao comércio local. “O Prefeito Santin disse que dinheiro tem, mas não há uma maneira legal de repassá-lo às escolas”, declarou Maria.

“VIXI* … SEM PAPEL”

A porta voz dos educadores contou que “há professores no Município” que estão enchendo o carro particular de papel usado (sulfite) das escolas para trocar por papéis recicláveis na cidade vizinha de Mallet (PR). O motivo: falta papel nas escolas”. Há escolas também que estão padecendo pela falta de papel higiênico.

Contrária em manter financeiramente uma universidade

Com os olhos lacrimejados Maria Rodrigues pediu socorro. “Disse que a Constituição Federal traz nos artigos 205 a 214 incumbências à educação. Porém, segundo a professora Maria, “são incumbências para a rede municipal de ensino. “Não é dever do Município manter uma universidade, como acontece hoje. O Executivo pode até fazer isso, mas após manter assegurado os outros níveis da educação. Como é que estão mantendo uma universidade se a rede municipal vem padecendo? ”, argumentou.

“Santin não foi meu candidato”

Em sua fala, Maria Rodrigues soltou o verbo. Disse que o atual prefeito Santin Roveda não foi sua opção de voto nas eleições municipais, mas que, porém, torce pelo avanço do Município. Disse isso para complementar que a categoria também não está contente com a maneira em que a gestora da Secretaria Municipal de Educação vem conduzindo os trabalhos. “Não queremos discursos de palanque, que não bonitos na teoria e não existem na prática”.
Disse também que a categoria respeita a hierarquia no trabalho, mas que porém, a situação está difícil. Além da falta de recursos financeiros, os educadores também estão sem Formação Continuada, o que é previsto junto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

“Salvem a educação”

Foi assim que Maria Rodrigues finalizou a fala, mediante inúmeros aplausos do público.

Comitiva para Tribunal de Contas

O segundo a fazer o uso da tribuna foi o vereador Jair Brugnago. O vereador nesta noite, se colocou favorável aos educadores, reiterando que também é professor e que já foi gestor de escola. Jair usou a tribuna de maneira direta. Foi conciso, não ocupando os 15 minutos que lhe é de direito. Disse que ao saber da situação financeira das escolas, após inúmeros telefonemas dos professores pedindo socorro, marcou uma conversa com o Prefeito Santin e pediu esclarecimentos junto a Secretária de Educação, Sandra Leão.

A falta de repasses, segundo o que lhe foi informado foi uma determinação junto ao Tribunal de Contas. Porém, o prefeito Santin propôs uma alternativa que foi mediada por Jair.

Disse que poderá ser estabelecido, por meio de Lei Municipal, uma espécie de adiantamento de despesas junto ao gestor da escola, para tornar possível a aquisição de bens emergenciais, isso, é claro, respeitando pesquisas de preços, entre outros.

O vereador Jair comentou que o primeiro passo é ENCONTRAR UMA SOLUÇÃO PARA SAUDAR OS EMPENHOS JÁ FEITOS JUNTO AO COMÉRCIO LOCAL. Também disse que o Prefeito disponibilizará materiais, como sulfites, que não estão sendo usados em outras pastas e que já foram licitados, uma espécie de remanejamento dos produtos, para uso emergencial das escolas.

O edil pede que seja formada uma comitiva para pleitear os recursos junto ao Tribunal de Contas do Estado. Essa reunião, ainda em data a ser marcada, será mediada pelo Chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni.

Outra bandeira levantada … a SEGURANÇA

As bandeiras levantadas na noite desta segunda-feira, 27, não pararam por aí. O vereador Almires Bugay Filho, fez o uso da tribuna para requerer juntos aos pares, apoio aos praças do Paraná.

Segundo o vereador, que também é militar, a Associação de Praças Unidos do Estado do Paraná, sugere que o policial e o bombeiro poderiam trabalhar pelos menos dez anos a mais se houvesse um PLANO DE CARREIRA. O que se quer é que o Paraná siga o exemplo de outros estados. Na prática o que ele quis dizer é o seguinte: “o soldado se aposenta soldado”, em razão da morosidade em cursos e concursos para progressão da categoria, como elevação para cabo e sargento. Lembrou que a PM do PR está há 163 anos nesta mesma situação.

Entristecido com o Prefeito Santin

O vereador Almires, não poupou palavras – no uso da tribuna, para dizer que está entristecido com o Prefeito Santin Roveda. Ele explicou que durante a cerimônia, realizada na semana passada, da inauguração da Casa do Empreendedor, em União da Vitória, o Prefeito foi ríspido ao se referir aos vereadores. Almires disse que, inclusive, um vídeo, circulou pelas redes sociais, em que Santin, de maneira irônica, “agradeceu os vereadores da ‘base’ por sua fidelidade com o avanço e desenvolvimento da cidade”. O vereador disse que ele usou a frase para denotar a ausência do mesmo, pois Almires estava em viagem neste dia. “O prefeito disse que há vereadores travando projetos desta cidade. Eu jamais irei travar algum projeto, assim como meus colegas. Me senti ofendido e muito ofendido com a fala do Prefeito e exijo uma retratação”, afirmou Bughay.

Reclamou também que quando há cerimônias há um descanso com os vereadores, onde não são chamados para compôs a mesa de autoridades, como foi o caso da Festa da Costela e o Desfile de Sete de Setembro.

Afastamento

A reunião também contou com requerimento do vereador Ricardo Adriano Sass em que pede licença e afastamento da Casa de Leis, por um período de 31 dias, a partir de 1º de dezembro, para tratar de assuntos particulares. Quem assume interinamente, em cerimônia ainda a ser marcada, é o suplente Clarito Barbosa.

Um vereador ausente
Apenas o edil Valdecir José Ratko NÃO se fez presente na reunião ordinária desta noite, por motivos particulares.

“Sem privilegiar Maria ou João”

Foi aprovado em 1º discussão, o projeto de lei que pede vinculação no portal da transparência de União da Vitória, DOS NOMES DOS PACIENTES QUE AGUARDAM POR CONSULTAS E INTERVENÇÕES CIRÚRGICAS na rede pública de saúde do município. Segundo o vereador Cesar Empinotti, a intenção é que a comunidade saiba o seu posicionamento na lista de espera, onde somente o médico poderá alterar sua posição junto aos procedimentos médicos e ninguém mais, sem furar fila.

Moção
O vereador Eugênio Covalchuk Primo pediu voto de regozijo* pela passagem do Dia do Radialista, o qual foi comemorado em no dia 7 de novembro.

Para refletir
A noite de hoje trouxe a seguinte reflexão: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada e cujo pecado é coberto”. SI 32:1
Até semana que vem …
A próxima reunião ordinária acontece no dia 4 de dezembro, às 19 horas.

 

Vocabulário
* Vender “fiado” é a prática de vender um produto ou serviço ao cliente e não receber o pagamento ao mesmo tempo, confiando que o cliente irá pagar o valor que deve mais tarde.

* O programa Fundo Rotativo é um instrumento de repasse de recursos aos estabelecimentos de ensino da rede estadual, para a manutenção e outras despesas relacionadas com a atividade educacional. 

* VIXI: Indica surpresa, usado quando algo dá errado ou muito certo.

* Regozijo – Contentamento