
Nossos analistas traçam um apanhado sobre o atual momento nacional:
O primeiro ex
Fernando Collor, primeiro presidente a sofrer impeachment no Brasil deu uma longa entrevista ao portal UOL, na qual apontou o que considera semelhanças entre seu mandato e o mandato do atual presidente, Bolsonaro.
Na entrevista ele indica que não vê com bons olhos o caminho trilhado por Bolsonaro e que caso uma denúncia seja apresentada pelo STF, dificilmente o presidente escapará. Segundo ele, o atual repete seus erros e de maneira acelerada, criando confusão inclusive em ritmo superior ao que seria possível administrar. Segundo Collor, a população brasileira estaria exausta de tanta discórdia e encrenca.
Fernando Collor foi alçado à presidência aos 40 anos de idade, o mais jovem à época em toda a América Latina, falava idiomas e tinha sido educado em bons colégios. Voou em jato da força aérea e seria um “caçador de marajás” mesmo de alguma forma sendo ele também um. Havia grande expectativa sobre sua capacidade de gestão.
Collor caiu após ser acusado de corrupção pelo próprio irmão. Renunciou tardiamente o que não evitou a cassação de seus direitos políticos por 8 anos.
A segunda ex
Já Dilma Rousseff foi destituída por falta de condições políticas para governar.
Oficialmente o argumento foi o das tão faladas “pedaladas fiscais”, mas na dura e fria realidade política nacional, ela caiu mesmo foi por inabilidade; mas é plausível que esta tenha sido apenas a gota da água que as denuncias de corrupção, prisões e delações colocaram no copo do governo do PT que se iniciou em 2003.
Dilma foi o coelho tirado da cartola por Lula, mas de alguma forma já era conhecida e tinha algum histórico tendo sido militante de esquerda desde moça até ocupar a chefia da casa civil e sido alçada à mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Sua incapacidade em construir raciocínios claros de improviso é motivo de espanto até os dias atuais.
O quase terceiro ex
Michel Temer que foi eleito como vice de Dilma assumiu a presidência no lugar dela. No pouco tempo que ficou na cadeira aprovou mudanças gigantescas na burocracia nacional, usando como mote seu “Ordem e Progresso” original da bandeira nacional.
Seu governo movia-se rápido logo que ele e boa parte de seus ministros vinham de carreiras na máquina pública e nos poderes, mas derreteu logo após a denúncia do Joesley. Com muita “habilidade”, Temer desviou de tentativas de impedimento e concluiu seu mandato para após rebater os processos que se acumularam.
Temer é advogado constitucionalista, tem uma longa carreira profissional e política, tendo publicado livros e assumido a presidência da Câmara dos Deputados, o que lhe forneceu muita bagagem e experiência para conhecer os meandros do funcionamento da alta administração federal. Também teve atuações importantes no estado de São Paulo, o maior do país.
O candidato a terceiro ex
Jair “Messias” Bolsonaro com 2 anos incompletos já entrou na fila para ser o terceiro ex-presidente brasileiro. Não lhe faltam perrengues, situações vexatórias, mentiras ou atos desabonadores e questionáveis tanto antes quanto agora na cadeira de presidente; porém, oficialmente duas acusações pairam sobre sua cabeça: 1) O dedo em riste e estilo “arminha” de seu ex-ministro e “paladino” da Justiça que está a lhe apontar e 2) a ordem para apresentar seus testes de Coronavírus. Sérgio Moro passou horas dando depoimento na Policia Federal ontem e ao que parece teria entregado provas contra o presidente. Além disso, a justiça reformou a sentença e manteve a obrigatoriedade dele apresentar seus testes em breve. Ambas, nas mãos da justiça e não da política.
Bolsonaro destila todo tipo de sandice desde o início de sua carreira política e de certa forma foi considerado um estorvo pelo exército que para manter o “brio”, livrou-se do impertinente com uma promoção. Ao que parece foi exatamente esta “saída honrosa” um dos principais alicerces da construção de sua imagem de homem corajoso e honrado logo que ao retirar-se as “qualificações” militares; pouco lhe sobra a robustecer.
Jair foi deputado federal por 28 anos consecutivos, vividos às sombras do Congresso Nacional não merecendo destaques a não ser pelas ignominias que proferia. Durante este domingo, elevou novamente o tom dos ataques e críticas o que poderia sugerir um novo capítulo de desespero. Em seu entorno hoje foram vistos apenas pessoas de seus círculos mais próximos.
Aguarda-se um novo posicionamento dos militares a quem também muitos acreditam estarem em um dilema. Ou aguardando que a justiça determine o fim do mandato livrando assim a força de seguir atrelada ao vexame até agora desenhado, ou torcendo para assumir em definitivo sem o atrapalho de Bolsonaro mais uma vez em sua história, desta vez com Mourão.
A semana promete.