NO LEGISLATIVO: Vereadores sugerem a interdição do Hospital São Braz

Assunto foi o tema principal da última sessão da Câmara de Vereadores de Porto União antes do recesso

Nos discursos, o tom de mudança: hospital São Braz no divã
Nos discursos, o tom de mudança: hospital São Braz no divã

Como já era esperado, a situação financeira do Hospital São Braz foi o tema mais debatido na sessão desta terça, 17, da Câmara de Vereadores de Porto União. A última reunião antes do recesso parlamentar foi longa e teve uma sessão extraordinária como defeco. Na pauta, poucos assuntos. O principal foi a avaliação das contas do então prefeito, Anízio de Souza, da gestão do ano de 2016. Os vereadores avaliaram a administração da cidade daquele ano e foram críticos especialmente quando ao uso dos recursos muito próximo do limite prudencial. A oposição mencionou a aplicação em excesso do dinheiro com a folha de pagamento e por conta disso, questionou a ausência de maiores aplicações em áreas como saúde e educação, pastas que demandam recursos. Seguindo a decisão do Tribunal de Contas, que já havia aprovado as contas, os vereadores também repetiram o voto.

Contudo, fruto de um dia importante sobre o assunto, marcado até por coletiva de imprensa na prefeitura, o assunto mais debatido pelos vereadores foi a situação financeira do hospital São Braz. Mais do que isso: os parlamentares usaram discursos fortes, explosivos e duramente críticos. Tudo isso, direcionado à administração da entidade, de agora e de anteriormente. O vereador Gildo Masselai (PP), foi quem puxou o assunto, quando usou a tribuna. O vereador afirmou que a administração é incapaz. “Consigo alguém muito bem preparado para administrar de graça o hospital e garanto que coloca o São Braz em pé em seis meses”, afirmou.

Bastante revoltado com as informações desencontradas sobre as mudanças constantes nos nomes da diretoria e também sobre os números das contas do hospital, o vereador Sandro Calikoski (MDB), foi bastante direto – sem meias palavras. Ele chamou a atual administradora de incompetente, criticou as manifestações de alguns profissionais da entidade pela rede social e chamou para o Legislativo a responsabilidade. “Comadres de duas línguas. Lavadeiras de roupas. Não tem o que fazer e ficam no Facebook lavando roupa suja. Se vocês não tem capacidade de tocar aquilo (o hospital) passem para nós!”, discursou, dando um tapa na tribuna. “Peguem o boné e vão embora”, completou.

O vereador Luiz Alberto Pasqualin (PP), também disse que não entende as contas do hospital, ora em dívida ora estável. Afirmou que o Legislativo precisa tomar uma posição firme, para que o São Braz não pare com seus trabalhos. “Se o hospital para, é toda uma região que paralisa”, afirmou. Por outro lado, Pasqualin avaliou que não se pode também fazer dividas para pagar dívidas. “Se resolvermos isso agora, é uma coisa. Mas vai passar o tempo e como isso vai ficar? Queremos uma prestação de contas”, cobrou.

O presidente da Casa, Christian Martins (MDB), apontou uma série de perguntas e para elas, disse que quer respostas. Os questionamos foram aprovados pelos demais vereadores e serão enviados ao hospital em forma de ofício. Martins quer saber, por exemplo, como foram as recentes contratações da empresa de auditoria, de publicidade e de consultoria jurídica do São Braz.

O presidente questiona também o salário da atual administradora, a publicação de outros vencimentos no Portal da Transparência e se a estruturação do “condomínio” dos consultórios particulares que funcionam no hospital. Para ele, não existe outra solução senão a intervenção. “Nós, acompanhando as notícias distorcidas, infelizmente de quem não sabe o que está acontecendo. Parece que quanto pior, melhor. Estamos em um ponto de que precisamos uma intervenção neste hospital. Parece que essa direção, contratada de outra região, conduzindo de forma desequilibrada o hospital, colocando em risco o nome e a imagem do São Braz. Não vamos admitir isso. Até porque estivemos com o governador de Estado na semana passada. Faltou bom senso”, lamentou o presidente.

Os vereadores querem ainda entender por que a direção ‘aterrorizou’ a comunidade quando emitiu na semana passada uma nota sobre a paralisação do serviço dos especialistas no sobreaviso (fora do horário do expediente). Sobrem duvidas também quanto ao valor do sobreaviso médico – alguns vereadores entendem que o valor é alto demais – o destino de valores importante, como o repasse de R$ 700 mil anuais do Instituto Municipal de Previdência e Assistência Social dos Servidores Públicos Municipais de Porto União (Impress) e a real necessidade de se manter duas portas abertas – no SUS (na Secretara da Saúde) e no hospital – para atendimento de urgências.

SC 135

As obras que novamente acontecem na rodovia, entre Porto União e Matos Costa, também fez parte dos assuntos da reunião. Os vereadores defendem uma aplicação “decente” dos recursos liberados. A torcida deles é para que novamente, todo o trabalho não se limite à um tapa-buracos. “São R$ 7 milhões. Não pode ser só um tapa-buracos”, disse o vereador, Paulo Kovalski (PSDB).

Recesso

A sessão de terça, 17, foi a última antes do recesso parlamentar. Embora os trabalhos administrativos sigam normalmente, as reuniões dos vereadores só retornam no dia 7 de agosto. Sobre os primeiros seis meses de trabalho, Martins faz uma avaliação positiva. “Todas as matérias foram vencidas e as cores partidárias foram vencidas no processo eleitoral”, sintetiza.