
A habilidade humana de se expressar através da arte acompanha a história há séculos. E essa habilidade esta ligada com a ordem estética da percepção, das emoções e ideias, podendo ser manifestada de várias formas dentro da arte, como na pintura, escultura, escrita, música e até cinema.
A escolha de como exteriorizar os sentimentos na arte fica a critério do sujeito que domina determinada técnica. No caso de Carlos Kussik a pintura em tela foi o seguimento artístico escolhido.
Carlos, mais conhecido como Cacá, começou a pintar em fevereiro de 1975 como auxiliar de pintor. Seu pai Dionizio Kussik um artista com forte conotação primitiva e autodidata foi quem o incentivou. “Meu pai foi um grande incentivador”, disse.
Cacá, não muito longe do pai, também é um autodidata. Com apenas o ensino médio concluído, ele é artista plástico, ilustrador, pintor letrista e já foi arte-finalista em uma agência de publicidade em Curitiba. Além das produções em batique, que é uma técnica de tingimento artesanal em tecidos.
Com os conhecimentos em batique, Cacá fez todos os tingimentos nos tecidos para o desfile de graduação em moda de sua filha Elena. Na ocasião a roupa da estilista também era produção do artista.
Fases e obras
Com uma produção de aproximadamente 500 obras, o artista plástico confessa que apesar da pintura ser o seu trabalho já teve épocas em que parou de pintar. “Eu parei com a pintura em tela três vezes, e a última vez eu voltei para a arte como uma espécie de fuga. Para esquecer os problemas”.
As pinturas de Cacá migraram de telas de bromélias para cultura regional e por fim algo mais abrangente, a figura. Essa fase começou em 2005.Na época ele foi morar em Balneário Camboriú (SC), chegando lá o pintor identificou novas formas de tintura e se apaixonou pela figura em tela. “Não sei se foi por conta do clima, mas eu conheci a figura e comecei a pintar. Eu precisava ter o meu estilo”.

O desenho tem um resultado melhor, as cores são mais vivas, mas de acordo com Carlos se errar a tela é jogada fora. “Ao contrário da tinta a óleo, a tinta reativa se eu errar alguma coisa não há concerto, porque já esta impregnada na tela”, diz. Mesmo assim Carlos aderiu essa técnica. “Utilizei a tinta reativa por seis meses e pretendo voltar. O resultado é ótimo”, comentou.
Características
Em todas as obras, Cacá faz uso do simbolismo, no caso dessa nova fase os vasos de cerâmica junto às negras são marcas fortes. Segundo ele, o vaso tem duas dimensões na pintura.“Uma explicação é pela beleza plástica e pelo conjunto. E a outra é que eu trago para tela o pote como se ele fosse a nossa psique, nossa caixinha de segredos, as vontades e desejos”, afirmou.
“O pote é como se eu tentasse traduzir para a tela o nosso interior, por isso as cores mudam de um pote para outro”, falou Carlos.
Carlos também se expressou em outros seguimentos da arte. No início, ele conta que utilizou muito as técnicas de Nanquim e Decadry, e que hoje a tecnologia o ajuda muito. “Eu trouxe para o CorelDraw e Photoshop as técnicas que eu utilizava há dez anos”, falou.
Mas essas ideias que migram de uma ferramenta para outra começam no papel. “Todas as ideias que eu tenho sobre uma obra eu primeiro desenho em um caderno. O importante é não perder o insight, que pode vir a qualquer momento”, disse Carlos.
As ferramentas contemporâneas são indispensáveis para a arte do artista plástico. “Photoshop e CorelDraw são as canetas modernas”, afirmou.
Trabalho com modelo
Carlos falou sobre a questão do uso de modelos no início da produção de suas obras. “O difícil é desconstruir o modelo, pois eu coloco a modelo na maneira que eu quero a tela, tiro a foto. Mas que fique claro que eu não faço uma reprodução fotográfica, eu desconstruo a foto com ferramentas contemporâneas.”
“A desconstrução é a parte mais complicada da pintura, mesmo que trabalhar com modelo seja mais fácil”, contou.
Carlos explicou que não quer uma reprodução fotográfica, ele quer uma pintura e que para isso ele precisa do modelo para identificar o movimento e proporção.
Para finalizar a entrevista Cacá contou que demora em torno de três meses para terminar uma obra, e que não faz quadros por encomenda, pois bloqueia suas ideias. “Prefiro fazer um trabalho com liberdade, sem encomenda, pois o que vale é pesquisar sobre um tema e ter resultado, dependendo do resultado eu exponho a obra ou a descarto”.
Desapego
As primeiras telas, Carlos conta que tinha aproximação e ficava com pena de vender, mas quanto mais ele vendia mais ele produzia, assim suas pinturas evoluíram gradativamente. “Por melhor que seja a tela vem coisa melhor depois, e, além disso, a pintura é meu trabalho”, contou com sorriso no rosto.
Ele também fala que não repete nenhuma de suas pinturas, não trabalha por encomenda, pois ‘bloqueia’ sua ideias e sentimentos. “As minhas telas são únicas.”
“Romper com o clássico é bem difícil. Faço a desconstrução da foto eu trago ela para a minha poética para a minha estética. As minhas imagens são pós-modernas, são traços estilizados e desconstruídos. Para isso eu utilizo técnicas contemporâneas”, disse Carlos quando indagado sobre seu estilo.
“Sou moderno, pois começo a me valer de instrumentos contemporâneos”, afirmou.

Viagem
Carlos Kussik esta com viagem marcada dentro de alguns dias para o Estado da Bahia. Carlos pretende aprimorar suas técnicas em pintura em tela.
- Para conhecer mais obras do artista plástico Carlos Kussik visite o site: http://cakussik.carbonmade.com/