Artigo: Cuidar e conservar, para continuar plantando

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Atualizado há 13 anos

Por Norberto Anacleto Ortigara

O Paraná se orgulha de ter um solo fértil e ser um grande produtor de alimentos. Colhe cerca de 20% da produção nacional de grãos com apenas 7 milhões de hectares agricultáveis – pouco frente a imensidão territorial do Brasil.

Conseguimos extrair safras fantásticas, acima de 30 milhões de toneladas, graças ao esforço do agricultor, que busca e aplica cada vez mais conhecimento e tecnologia para aumentar a produtividade.

Esse modelo que busca tirar o máximo da nossa terra é, contudo, preocupante. Como consequência, a capacidade e a eficiência do solo estão se exaurindo, e novas pragas e doenças aparecem. Isso faz o agricultor gastar mais com insumos para repor os recursos que antes eram fartos no ambiente.

O modelo atual é questionado por especialistas, acadêmicos, técnicos e até mesmo pelos produtores rurais. A falta de conservação de solos e de um plantio direto com qualidade, entre outras práticas que deixaram de ser adotadas, atingiram níveis alarmantes.

Estamos todos incomodados com a redução do uso de práticas agronômicas de qualidade no Paraná, que sempre se orgulhou da fertilidade do solo e de ser pioneiro no País e na América Latina em práticas de manejo e conservação de solos, que foram exemplo mundo afora.

Também acendeu a luz amarela o uso excessivo de agrotóxicos sobre as lavouras. Se medidas de correção não forem adotadas agora, realmente questionamos a continuidade dos elevados níveis de produtividade no futuro.

Essa percepção não é apenas do poder público. É também do agricultor, na observação do dia a dia no campo, e de entidades que representam o agronegócio.

Para reverter este quadro, colocamos a estrutura do governo do Estado para oferecer soluções possíveis e viáveis aos agricultores. A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento coordena um processo de reversão de métodos inadequados, cujos efeitos vão da contaminação da água e do solo a erosão que carrega terras férteis para os rios e lagos. Neste quadro, o meio ambiente sofre por falta compromisso com o desenvolvimento sustentável.

Do consenso entre o poder público e a iniciativa privada, surgiu a campanha “Plante Seu Futuro – Adote boas práticas no campo”, que estimula o agricultor a voltar um pouco no tempo e praticar técnicas conhecidas e que foram deixadas de lado.

Trata-se do estímulo às boas práticas de manejo de conservação de solos e água e combate de pragas e doenças. Incentiva, enfim, um modelo sustentável no plantio das lavouras.

O certo é que o produtor que não se der ao trabalho de monitorar a lavoura e aplicar defensivos somente quando for necessário está rasgando dinheiro. Para evitar prejuízos basta recorrer a técnicas simples e baratas. Um pano branco e uma batida nas folhas dá a dimensão da incidência das pragas na plantação. Isso vai dizer se é hora de aplicar o veneno ou não, e em qual quantidade.

Sem o monitoramento, o produtor só vai gastar dinheiro e provocar desequilíbrio no meio ambiente com aplicação excessiva de produtos químicos, além de fortalecer e dar resistência aos invasores.

O sucesso dessa campanha já é comprovado. Na safra da soja, a média de aplicações de agrotóxicos foi reduzida à metade, com uma economia em torno de R$ 500,00 por hectare. Transportado o valor para os 4,8 milhões de hectares plantados com soja no Paraná seria possível uma economia de quase R$ 2 bilhões, que ficariam no bolso do agricultor.

O objetivo da campanha é ajudar o agricultor a produzir com qualidade, reduzir os custos das lavouras e oferecer alimentos seguros. É uma grande ação da sociedade paranaense para adotar estratégias rumo a um modelo de produção rural sustentável, seguro e ambientalmente correto.

Norberto Anacleto Ortigara é secretário da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná

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