Ano passado furei, mas estou de volta. Ilha, aqui me tens de regresso. A ilha mais bonita do Brasil: Florianópolis. Era de praxe, tradição. Meu pai e eu sempre passávamos uma semana em Floripa. No verão de 2012, como fora supracitado, demos o bolo por motivos de força maior (emprego sem férias de veraneio). Em 2013, porém, a volta. E digo mais: voltamos; pois estamos na Ilha e daqui escrevo o Cartas da Província desta sexta-feira. Que não soe como saudosismo ou pieguice barata, mas amo este lugar. Mais especificamente o canto que nos hospeda: uma pousada simpática embrenhada no formigueiro de Canasvieiras. Afastada, a fim de evitar os chatos.
Engraçado que um ano de ausência parece muito mais. Não que as coisas tenham mudado deveras. Pelo contrário. A pousada, por exemplo, segue do mesmo jeitinho. Hóspedes de meia-idade (e acima dela). Muitos gaúchos, que encontram ali um reduto. O chamado “Centro” de Canasvieiras segue a mesma tendência. Pouco mudou.
Pouquíssimo. Os restaurantes são os mesmos. Tal como os conjuntos apertados de apartamentos e a muvuca de gente (argentinos em grande parte). O movimento intenso torna um martírio o simples desejo de comer um filé mal passado com fritas.
Outras coisas, por outro lado, mudaram muito. A Praia Brava é um belo exemplo. Está mortinha. Os bares e restaurantes à beira da praia, que tanto badalavam o local, desapareceram. Segundo boatos de nativos, devido a vetos das concessões. Uma pena. Um dos melhores camarões à milanesa se comia ali.
Falando em camarão, felizmente encontrei uma porção à altura das encontradas na Praia Brava (leia-se no passado e hoje não mais, que tristeza). Na quarta-feira, visitei a Praia do Rosa, um reduto afastado, distante alguns quilômetros da grande Florianópolis. Local rústico, de pouco luxo e muita areia. Bastante diferente dos asfaltos fervilhantes que hoje dominam a Ilha. No almoço, que se deu na vila da Praia do Rosa, um “centrinho”, provei um camarão excepcional. Digno de corte. De mestre. Ou mestra, melhor dizendo. Por pouco não corri à cozinha entoar o “hummmm” da Ana Maria Braga, acompanhado de um coro de cozinheiras. Porém, e felizmente, não o fiz. A chef da cozinha já tinha par para um dueto: o dono do restaurante, um cabra grande pra burro.
Confesso: muito me agradou a Praia do Rosa. Canto com caráter e alma sentidos a milhas longe. Pretendo tornar. Assim como à Ilha (que não fique resignada). Às vezes acho que deixei de gostar de praia. Quando volto ao litoral, vejo que era só frescura ou inveja dos que podem sempre passear pelo litoral. Não sei quando voltarei. À Ilha ou qualquer praia. Talvez não tão cedo. Mas que a Floripa continua linda, continua.