Artigo de Renan Machado: Alguém no dial?

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Atualizado há 14 anos

Neste caso, no dial do Cartas da Província. Não da FM Verde Valeu ou Super Rádio União. Alguém aí ou o mundo acabou mesmo? Qual o quê. Escrevo na certeza de que meus leitores, muitos ou poucos que sejam, conferem, neste instante, estas palavras sob um céu azul e sol escaldante. Nem sinais de que o mundo aproxima-se do final.

Incrível como mitos ou afirmativas mal interpretadas mexem com as pessoas. Quem foi que chegou, erroneamente, à possibilidade de extinção disso que conhecemos como Terra? “Os Maias, um povo latino-americano revestido de sabedoria”, dirão. Concordo com a segunda parte. De fato, é incontestável a bagagem cultural deixada por nossos vizinhos de território. Porém, não foram eles que disseram “o mundo vai acabar”. Isso é resultado das leituras equivocadas de escrituras antigas e interpretação falaz do calendário.

Assim como este que temos na geladeira, o Calendário Maia estrutura-se por períodos. Claro, com suas peculiaridades. Se nosso ciclo fechado, o ano, tem 365 dias (exceto em caso de bissexto), os ciclos dos Maias, variáveis, ultrapassavam 3.000 anos, se colocados em paralelo à medida temporal que conhecemos.

Desde meados da década de 90 para cá, foram três as ameaças de fim do mundo. Primeiro em 1998: “a Terra será atingida por uma chuva de meteoros”. E foi mesmo, principalmente o Brasil. Um meteoro chamado Zinedine Zidane, que frustrou o pentacampeonato mundial da Seleção Canarinho, conquista que esperou mais quatro anos para concretizar-se. Depois tínhamos o “bug do Milênio”. Segundo profecias de Nostradamus, o Planeta encontraria seu fim na virada de 1999 para 2000.

O mundo se preparou. Multinacionais mobilizaram seus funcionários para estarem em suas mesas de trabalho à meia-noite do dia 31 de dezembro. Que não tirassem o olho dos dados, em tom esverdeado, que corriam sobre o negrume da tela. Onde já se viu perder tudo do banco de dados? Houve suicídios. Homicídios. Adultério de casais infelizes. Chutaram o balde. Foram dois trabalhos: fazer a besteira e tentar consertá-la, pois o dia 1º do ano 2000 raiou como qualquer outro.

E agora, aqui estamos de novo. Uma data nos ameaça. Qual será a causa do desaparecimento do Planeta. Meteoros (de novo)? Terremotos colossais, tsunamis e tornados infinitos, simultâneos? Invasões alienígenas? As opiniões divergem. Pois, pois, deixo a minha: as pessoas continuarão nascendo e morrendo. O mundo seguirá em frenesi, inclusive as bolsas de valores e sedes de corporações. A sexta-feira chegará ao fim como muitos desses dias de verão: quente. Talvez chova; uma chuva ligeira de gotas grossas. Esperamos que suicídios, homicídios e adultérios sejam evitados. O mundo já anda feio, besteira piora-lo sob a justificativa de que o fim chegou mesmo.

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