Artigo de Renan Machado: Qual é a boa?

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Atualizado há 14 anos

Não sou dado às apresentações. Por mim, ficava no “Renan, prazer”. Mas vez ou outra não basta. Que seja. Renan Machado, aspirante a jornalista, escritor de ficção, entediado crônico. Ponta-grossense radicado em Curitiba. De coração, portuniense ou união-vitoriense. O gentílico depende do lado dos trilhos. Rimas fracas a parte, a lista segue, não necessariamente nesta ordem. Do contrário, honrado pelo convite d’O Comércio, jornal desta terra que também chamo de casa, ocuparia a primeira posição.

Pois sim, ao menos duas vezes por mês aporto nas paragens do extremo-sul do Paraná e planalto norte-catarinense. E não é de hoje que percebo esse traço, pode-se dizer, cultural. “Qual é a boa de hoje?”, cansei de escutar. E ler nas redes sociais. As respostas caem de bate-pronto. “A boa” refere-se à diversão. Programa da manhã, tarde, noite. Entretenimento, enfim. Hoje é isso, aquilo. Promoters de festa caem em cima. Flyers desempenham com esmero sua função: voam para todo lado. De repente, a ideia de sair para algum canto, cogitada e segredada à web, concretiza-se de fato. Hoje tem!

O fenômeno mostra-se comum nos grandes centros. Em Curitiba, inclusive. Ademais dada ascensão gradativa e ligeira, errado não dizer, da social media. O mercado do entretenimento noturno, baladas afins (não interpretem erroneamente), divide-se em nichos e ataca seu público-alvo, comportamento dantes tão típico de modas segmentadas e programas de tevê. O entretenimento se expandiu. As mídias migram. Uma batalha criativa e pop people. Aquele detentor do maior número de seguidores, curtidas ou compartilhamentos pauta a tendência.

A globalização atinge todo canto. O estigma do interior parado se desfaz, pois ainda da pluralidade das “boas do dia” (ou noite) em cidades maiores, as pequeninas dão seu jeito. Prova é o carnaval de bloco em Porto União da Vitória. Compete de perto com os Garibaldis&Sacis, carnavalescos do carnaval curitiboca. Há ainda quem diga: pois, pois, no interior não tem nada para fazer e em Curitiba todo mundo viaja.

Opção de todo mundo. Vias são públicas, ainda que precárias. Poupando-lhes da discussão política, pede-se aos reclamões que poupem todos do obsoleto discurso masoquista: “tudo é ruim, não quero, passo”. Direito seu. Porém, meios de fazer ficar bom correm por aí no sapatinho. Aliás, “as boas” de cada santo dia e noite, e não refiro-me ao mulherio, correm por aí. É só enxergar.

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