Artigo de Renan Machado: Vivemos no éter

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Atualizado há 14 anos

A expressão, li originalmente em “Crossroads”, romance do escritor ítalo-brasileiro Furio Lonza. Foi o melhor livro que li em 2012 e olha que li vários. Refere-se ao fato de que o tempo passa sem esperar os passageiros atrasados. Uma verdade. Tão logo as oportunidades nos caem nas mãos, evaporam, como o éter. Outra verdade. Mas a última coluna do Cartas da Província não é lugar para pieguices. Tampouco para dicas do tipo “em 2013 faça isso ou aquilo”. Aqui vamos nós.

O ano passou rápido. Coisas boas aconteceram, realizações. Outras nem tão boas abalaram o mundo. Desastres, naturais ou não. Isso à vista na mídia. Limpezas étnicas e guerras intermináveis não cessam enquanto da leitura.

2012 foi marcado pela ameaça do fim da existência na Terra. De novo. Previsões apocalípticas apontavam para finais sombrios. De gelar a espinha. A iminência do fim levou pessoas a mudarem-se de cidade, país, continente. Mas o mundo não acabou. Continuamos aqui.

Ainda sobre “Crossroads”: o romance narra a história de um jornalista das antigas, com coração. Um inconformado com os rumos que a sociedade tomava. Ele contextualiza sua história, uma ficção, com fatos reais do Brasil. O título faz apologia à lenda do bluseiro norte-americano Robert Johnson, que teria adquirido seu dom para a música em uma encruzilhada. O protagonista de “Crossroads” se vê numa encruzilhada semelhante, da qual não sabe como sair, pois não sabe o que requisitar. A história desenrola-se em ordem cronológica, mas sem assumir um tom chato.

Se em “Crossroads” passam os anos 60 e 70, chegamos a 2013 com promessas e esperanças, como muitas vezes em outros anos. Nem todas se realizam, obviamente. Às vezes a esperança parece eclipsar-se. Mas é só ao olho nu. Receitas para um ano melhor são invariavelmente furadas. As coisas não correm como o esperado, o que também não significa coisas ruins. Surpresas são coisas boas. A única receita válida é: viver sobre o éter e ter noção disso. Os momentos são efêmeros e feitos para serem aproveitados. O ano de 2012 deixa uma lacuna que pode ou não ser preenchida no decorrer do 2013 que aproxima-se.

No mais, leitor amigo, desejo-lhe um início de ano próspero. De meu sofá, às 3h55 da manhã, escrevo na esperança que ninguém deixe-se enxergar numa encruzilhada, como o jornalista de “Crossroads”. Um ano novo de trabalho, diversão ou mudanças de rumo. Que cada um decida por si, mas decida, de fato. Um corpo parado só não faz verão. Fim de ano chegou e uma linha tênue separa-o do porvir. O calor que aí está não nos deixa mentir. Que venha!

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