ARTIGO: Empório do Empresário

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Atualizado há 12 anos

A incrível volta de mil anos

Por Alvaro Concha

Interessante como podemos voltar no tempo e aplicar muitas técnicas, teorias e hábitos de nossos ancestrais de mil anos atrás e, a partir dessa volta, fazê-lo melhor do que estamos fazendo, agora, na era da informação.

Vamos começar, em ordem cronológica, e tomar um período de tempo, 100 anos atrás, no Império Romano, talvez 300 d.C. quando um patrício (cidadão romano livre) acordava as 9:00, tomava seu café da manhã, reunia seus documentos, sua valise e se dirigia, provavelmente as 10:00-10:30 ao seu banho matinal, que normalmente era realizado em uma Terma. Uma terma eram complexos compostos por grande piscinas de água fria e aquecida, bibliotecas, salas de jogos, locais para práticas de atividades físicas, entre outros, localizadas por toda a Roma (foram catalogadas aproximadamente 200 termas em toda a cidade). As termas eram os pontos de encontro, de relaxamento, eram centros de convivência social, antes de tudo. Mas eram locais também destinados a se realizarem negócios, pois não havia naquele momento uma distinção completamente formada entre se realizar um negocio e realizar uma atividade de higiene. Isso nos informa que num dos impérios que mais tempo durou na história da humanidade ocidental, o ato de realizar-se negócios poderia estar ligado a outras atividades, inclusive ao prazer (entendendo-se, aqui, prazer na concepção mais ampla da palavra, de prazer como um relaxamento).

Analisemos, agora, nosso dia-a-dia. Acordamos cedo, mais cedo do que desejamos, nos higienizamos, nos vestimos, desjejuamos e saímos com pressa para o trabalho, que normalmente se executa num local propriamente destinado a reuniões, decisões sérias, conversas formais, cálculos complexos e analises que causariam suor a qualquer monge tibetano. Trabalhamos por oito, nove, dez em muitos momentos mais de 12 horas e, então nos dirigimos a nossa casa. Alguns preferem realizar um happy hour antes, mas normalmente o único lugar calmo e sereno que desfrutamos é o nosso doce lar. Muitos assim o fazem por 6, 7 dias/semana. Resumindo, temos um cotidiano controlado pelo relógio e pela formalidade de um local destinado a negócios.

Por outro lado, os ambientes empresariais mais modernos e que nos causam surpresa, como por exemplo, os do Vale do Silício, nos EUA, possibilitam a seus funcionários jogar tênis, basquete, fliperama, vídeo game, ou simplesmente se alimentar deitado enquanto estão em seu expediente de trabalho. Interessantemente são essas mesmas empresas que custam US$ 16 bilhões, como foi o caso da venda do WhatsApp ao Facebook. Dezesseis bilhões de dólares!!!!!!

Nesse sentido devemos entender como faz parte do cotidiano de um ser humano moderno (como no caso do norte-americano), como no pré-feudalista a busca pelo prazer muito além do que num simples jogo, mas também no mundo dos negócios. Devemos entender também, como práticas simples e baratas, como um simples café da tarde comunitário pode e deve trazer benfeitoria a todos os envolvidos, pois reduz o estresse, diminuindo assim a possibilidade de enfermidades e acidentes e, porque não, aumentando a produtividade.

Justamente buscando esses benefícios que foi criado a comemoração dos aniversários dos funcionários, o quadro de funcionário do mês, as premiações por vendas, por comportamento, por assiduidade, etc. Porém, não devemos ser míopes a ponto de acreditar que somente essas práticas aumentarão os números da empresa, mas, sim, devemos entender que o ser humano satisfeito, motivado e que consegue entender o ambiente de trabalho como um lugar de prazer, também, é mais produtivo.

Alvaro Concha é Consultor de Empresas (alvaroconcha@gmail.com)

 

 

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