Artigo: Flor de intensidade

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Atualizado há 13 anos

  Vanderlei Woytowicz 

Chega uma hora em que a gente cansa de nos deixar de lado e satisfazer os desejos alheios, abraçar o outro e se deixar corpo no vento, não temos estrada e muito menos direção certa, temos apenas a vontade de viajar no mundo e no tempo e para alguns ainda é pouco.

Os desencontros não param, os murmúrios não cessam, e o meu corpo sofre sem pausa a perda que foi antes de ontem, hoje já é uma nova, e brota um sofrimento feito flor de intensidade.

As mãos no bolso, os dedos trêmulos e o coração amedrontado de tanto se perder esquina após esquina, vendo do meio fio as sombras dobrarem a rua de baixo. Uma dose de whisky e duas de novidades pra amanhã, bem cedo.

Deve ser alucinação de tanto beber, mas prefiro acreditar que não. Tem uma flor dentro da garrafa sobre a mesa, ela mergulha e não morre, ela dança sobre o álcool, se embriaga de vaidade e não se deixa pra depois.

Não a ouço e duvido muito que ela tenha ouvido o mundo de fora, contenta-se em ser suficiente pra si mesma, despedaça-se aos poucos, perde a cor e a vida, mas mergulha na única certeza que teve: Ser real em um mundo de fantasias.

Tememos o desconhecido e não temos tamanha coragem de perder a morada em busca de um lago, um luar e pouca comida, a dona flor conseguiu, ela se desprendeu do chão, das promessas mal feitas, dos dias sem cor, dos amanheceres com pouco entusiasmo e de tudo que a fazia entristece sobre a terra. Espero me desprender da maldade dos outros e acreditar mais na pureza do eu.

As luzes apagam-se lentamente e os olhos em movimentos suaves fecham-se, dando espaço para as lembranças e o resto de malícia noturna, a flor viveu na intensidade de poder desfrutar das amarguras e dos bolores encontrados, em contra partida morreu com a memória cheia de realizações e doçura na alma.

Perdi um tanto de mim por aí, mas esse tanto deve ter se encaixado em algum lugar onde deveria ser parte, os desencontros continuam acontecendo, mas, minha alma voa e faz o encontro que preciso, mesmo que seja com o litro de whisky sexta à noite, ou com os olhos escuros de alguém que sobrevoa a flor e a desperta com o toque e o sentimento de ser intenso na entrega e leve na partida de um novo encontro (…)

Vanderlei Woytowicz é estudante de psicologia

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