ARTIGO: A indústria da Copa e a criatividade

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Atualizado há 12 anos

Por Alvaro Concha

Seguindo os conselhos dos maiores gurus do marketing, empresários brasileiros decidiram se diferenciar durante a tão celebrada Copa do Mundo. Os números demonstram que o momento favorece essas atitudes, pois estima-se que 3,7 milhões de turistas estejam passeando pelo país neste momento. Eles devem gastar aproximadamente R$ 6,7 bilhões, sendo que os custos para organizar a Copa devem chegar a R$ 30 bilhões, segundo estimativas realizadas pela Editora Abril. Somente em estádios foram gastos aproximadamente R$ 8,48 bilhões, 48% acima do previsto.
Já em Santa Catarina somente em Balneário Camboriú, por exemplo, desembarcaram semana passada 30 ônibus, contabilizando aproximadamente 1.200 argelinos. Realmente uma festa.

Mas, voltando ao nosso tema, para atrair esses turistas os empresários tiveram que reinventar sua empresa, sua marca, seu produto. Como o público turista que veio assistir a Copa é padrão gourmet, algumas empresas decidiram investir nesse segmento como, por exemplo, a Café Orgânico Natura Gourmet que criou carrinhos para servir café e desde os copinhos até mesmo os atendentes receberam especial atenção. Os cafés são servidos em carrinhos móveis, principalmente em aeroportos, os copos têm apelo de sustentável, os grãos de agricultura orgânica e as embalagens dos pacotes de café de “brasilidade” e tropicalismo.

Já mais direcionado para a nossa realidade, a Ervateira São Mateus, de São Mateus do Sul, decidiu investir na divulgação de um dos produtos mais conhecidos da nossa região: a erva-mate. A ervateira lançou o produto embalado em caixas com apelo de brasilidade, com tucanos e detalhes que lembram nosso país, porém com o nome de “La Mulata”.

Interessante e coerentemente essas empresas, como pudemos analisar não inventaram absolutamente nada, não produziram nenhum produto inovador ou revolucionário. Seu mérito está em saber diferenciar-se de acordo com o que seu público-alvo deseja: a brasilidade, o tropicalismo, e porque não, o exotismo.

E isso realmente é um fato norteador para o que tantas vezes discutimos com vários empresários, a inovação não depende somente de revolucionar ou de lançar uma novidade no mercado, mas, muitas vezes, de acondicionar, de apresentar-se de maneira diferenciada. Em muitos desses casos a única ação foi a de fazer diferente, pela primeira vez, seguindo um conselho de Al Ries, que nos ensina que “mais vale ser o primeiro do que o melhor”.

Alvaro Concha é consultor de empresas
(alvaroconcha@gmail.com)

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