Artigo: União da Vitória, 123 anos de consagração; por Eloy Tonon

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Atualizado há 14 anos

Por Eloy Tonon

No ano de 1890, através do Decreto nº 54, do dia 27 de março, foi instituída a Intendência Municipal de União da Vitória, desmembrada da Intendência de Palmas. A escolha do primeiro Intendente recaiu sobre, o coronel Amazonas de Araújo Marcondes. Até o ano de 1917, a Intendência denominava-se Porto União da Vitória. Ao findar o Movimento do Contestado, ocorreu a assinatura do acordo, em 20 de outubro do ano de 1916, o qual estabeleceu a linha divisória entre os estados litigiantes, Paraná e Santa Catarina, convencionada em duas referências: ao norte, até a ponte Machado da Costa sobre o Rio Iguaçu e ao sul, a linha férrea.

As duas cidades geminadas foram separadas, Porto União passa a pertencer ao estado catarinense, tendo obtido sua emancipação, no dia 5 de setembro do ano de 1917. Lamentavelmente, perdemos a irmã gêmea, decisão política do triunvirato, coronel Felipe Schimidt- SC. Afonso Alves de Camargo – PR. e Wenceslau Bráz, Presidente do Brasil. O nosso protesto de separação política é a permanência de fortes vínculos culturais, econômicos, políticos e sociais, portanto, continuamos duas cidades geminadas, não por convenções geográficas, mas sim por laços de fraternidade.

No transcurso de mais um aniversário de União da Vitória, quero homenagear a cidade que me alberga, a quarenta e dois anos. Cidade que abriga descendentes de uma diversidade étnica impar – eslavos (poloneses, ucranianos, russos, eslovenos); germânicos (alemães e austríacos); latinos (italianos e portugueses); árabes (libaneses e sírios); judeus (israelenses). Todos vivendo em harmonia, cada qual com sua vocação para o trabalho, sua religião e cultura, mas formando um capital social que alavanca o progresso econômico e a cultura.

A dádiva do belo Rio Iguaçu que a abraça. Esporadicamente ocorrem sobressaltos, o majestoso rio quer abraçar as casas e seus moradores, por ocasião das enchentes sazonais, provocando danos materiais, mas ao mesmo tempo desperta a consciência pública de respeito, aos contornos contíguos que sempre lhe pertenceram. Cidade circundada por matas nativas, habitat de uma variedade de pássaros que nos visitam, entoam seus cantos, nas árvores da residência, nos fios de iluminação elétrica, sem nada solicitar em troca. Alguns poucos sujeitos sociais, sentem-se incomodados com o canto dos pássaros, presumo que a alma deve estar impregnada de alguma sombra, ou ‘mal feito’ do passado. Cidade dos navegadores do Rio Iguaçu (1890-1930), que geravam o progresso com o transporte de erva mate e madeira serrada, gerando divisas para o município. Cidade dos primeiros frigoríficos do Paraná – (Saporiti e Calomeno) que abatiam suínos alçados, oriundos do sudoeste paranaense, comercializando embutidos e banha em todo o território, via férrea.  Cidade de uma ferrovia, interligando o Norte ao Sul do Brasil. A ferrovia, hoje desativada, foi portadora de desenvolvimento econômico e cultural, até o final da década de sessenta do século passado. Restaram dois belos monumentos históricos, a ponte Machado da Costa e a Estação ferroviária e especialmente as saudades do apito dos trens. A ferrovia serviu igualmente, para transportar tropas estaduais, federais, armas, aviões que aqui ficaram sediados, deslocando-se para atacar e massacrar sertanejos que, lutavam contra o advento da modernidade, impedindo-os de permanecer em seu espaço. Cidade amparada espiritualmente na bela imagem do Criador (para uns, Jesus, Deus e para outros, Senhor, Alá). Acordados, dormindo, trabalhando, recreando, estudando, tristes, alegres ele o criador observando e pensando: Meu filho (a) a vida neste mundo é transitória, uma caminhada árdua, mas lembre-se, vale a pena viver, sempre com alegria. Imagem erigida, por iniciativa do grande Estadista, Prefeito e Deputado Estadual, Domício Scaramela. Cidade que foi privilegiada com a visita do Monge, João Maria de Santo Agostinho (1896), deixando como legado, muitos devotos de seus ensinamentos. Um dos ensinamentos pronunciados quando de sua estada foi: “Meus filhos, rezem, plantem muito e coloquem uma cruz no alto do morro”. Homem religioso, visionário e moderno.

O restante atribuído ao monge são lendas, criações e representações do imaginário humano. Cidade de empresários locais e vindos de outras plagas, empreendedores da navegação, cultivo e processamento de erva mate, serrarias, compensados, esquadrias, celulose, papel, concreto armado, extração de areia e tantas outras atividades. Cidade privilegiada no Ensino Superior, três Universidades, FAFIUV (campus da UNERSPAR), UNIGUAÇU e UNIUV, ainda, atravessando os trilhos, na cidade irmã a UNC. Cidade que mantém um patrimônio histórico material e imaterial considerável (materialmente a preservação histórica da estação, das pontes férrea, ferroviária, casa do coronel Amazonas, entre tantas outras); (patrimônio imaterial, a lembrança da 1ª aviação de guerra do Brasil, a estada do Exército republicano, na guerra do Contestado, a passagem por essas plagas do Presidente americano Roosevelt e do brasileiro Getúlio Vargas). Cidade de renomados artistas plásticos, que expressaram maravilhosamente através da pintura e da fotografia, as nossas belezas naturais e os acontecimentos históricos, Eric Wiil, Eugênio Shuwaloff, Amadeu Bona, Gustav Claro Jansson e tanto outros. Cidade que gerou grandes escritores, com abordagens sobre História Local: José Júlio Cleto da Silva, Alvir Riesemberg, Josafá Lona Cleto, Frederecindo Marés de Sousa, Dirceu Marés de Sousa, Hermínio Milis, Paulo Horbatiuk, Manoel Alves Claro Neto, Hermógenes Lazier, Dante de Jesus Augusto, Didio Augusto, Ulysses Sebben, Neli de Oliveira Sicuro, Fahena Porto Horbatiuk, Leni Trentim Gaspari e mais uma dezena de poetas, romancistas, cronistas, ensaístas e historiadores. Cidade que me concedeu o privilégio de fazer uma brilhante carreira profissional e política, tendo sido um dos primeiros professores da UNIUV (1974-1981), Chefe do Núcleo Regional de Educação, durante nove anos (1983-1991), Vice-Diretor da FAFIUV (1991-1994), Diretor da FAFIUV durante o período de oito anos (2000-2008), Diretor do Colégio Estadual Giuseppe Bugatti, ao final de carreira (2009-2010). Exerci o mandato de vereador em três legislaturas consecutivas de (1983 a 2001), tendo sido, em duas ocasiões, escolhido para a Presidência da Câmara.

Procurei com minhas limitações, contribuir para o engrandecimento de nossa cidade, tudo o que realizei foi graças a pessoas que me auxiliaram, tudo fiz com amor e muita paixão e alegria. Salvo minhas limitações, creio que poderia ter feito muito mais. Cidade que me concedeu amigos, alguns foram antes do ‘combinado’, outros convivem diariamente, alguns esporadicamente, em minhas atividades profissionais ou recreativas. Dizem que amigos contam-se nos dedos de uma mão. Sou privilegiado, uso as duas mãos para contar meus verdadeiros amigos. Afinal o que é um verdadeiro amigo? O verdadeiro amigo é aquele que te escuta, tolera teus inúmeros defeitos e valoriza tuas poucas virtudes, é autêntico, fala as verdades, sente tua ausência, te acolhe nos momentos de angústias, se alegra com teu sucesso efêmero, aprecia estar contigo. Peço permissão, a bela cidade de União da Vitória para declinar alguns verdadeiros amigos: na atividade profissional; Dr. José Fagundes, Dr. André Bueno, Caio Bona; Mestres; Leni T. Gaspari, Antônio Charles, Bernardete Ryba, Márcia Cristina Fernandes, funcionários; Sérgio Werle, Marcos da Silva, Mara Sales, Zeni, Andréia, todo o pessoal da cozinha, amigos do chimarrão, pescaria e viagens; Dr. Ari Carneiro, Edgar Tonial, Ivo Tonon, Elias Ferreira, Olindo Rota, Raul e Gilmar Borille, Dr. Giovane Ferreira. Não poderia esquecer dois valiosos amigos que tem morada em meu coração; Luiz Alberto Lell (Léo) e Dr. Marcelo Scaramella, Carlos e Caíque Agustini, Celso e Lúcia.

Sou feliz, resido em uma cidade das mais belas do Brasil. Conheço muitas cidades de Médio Porte, Brasil afora, nenhuma detém as belezas naturais, a diversidade étnica e cultural de União da Vitória. Só tenho uma queixa de meu querido povo (motoristas) não respeitam a faixa de pedestres. A esperança é a última que morre a qualquer momento poderá ocorrer uma mudança, vamos respeitar as faixas de pedestres. Prefeito Pedro Ivo Ilkiv, gestor da cidade, você que é “bicho bom da terra”, o nosso timoneiro, que o grande Deus ilumine tuas grandes virtudes e tenhas uma gestão profícua, o povo e a cidade merecem – PARABÉNS, CONSAGRADA UNIÃO DA VITÓRIA.

Eloy Tonon é historiador, professor da Fafiuv e membro da Alvi.
(eloy_tonon@yahoo.com.br)

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