Por Mariana Honesko

Aos 57 anos, Maria Noeli Pavoski não esconde a vaidade. A maquiagem é discreta, como pede o dia, mas presente no rosto marcante. Noeli, como prefere ser chamada, é artesã de “mão cheia” que, na contramão da maioria de suas colegas, descobriu a arte depois de adulta, há cerca de 12 anos. Logo, estava amarrada pelas técnicas. E amando aquele mundo então desconhecido. “Comecei sem pensar em ser artesã. Fui para a igreja, para aprender a fazer crochê, pintura e logo estava muito envolvida”, conta.
Na época, o artesanato era apenas um passatempo para uma mãe que acabava de dar à luz. “Aprendi e logo estava ensinando, também na igreja, onde fiquei por quatro anos. Comecei sem saber nada e logo ensinei um pouco”, sorri, orgulhosa. A iniciação no mundo artesanal teve ainda uma forcinha do amigo Osni Nunes, o popular Japonês, funcionário da prefeitura de União da Vitória. Foi dele o incentivo pela exposição das peças e pela produção maior, em escalas ideais para a venda.
Noeli aceitou o convite, o encarou como um desafio e hoje é uma das profissionais inscritas e ativas na Associação dos Artesãos da cidade. Do crochê, a artesã passeia pela pintura em tecido e restauro de peças antigas. O dinheiro ganho com a arte não garante seu sustento. “Mas minhas coisinhas sim. Sabe como é mulher, gasta muito mesmo”, brinca. A renda ajuda também nos mimos destinados à netinha, que mora com a mãe e avó, no Bairro Lagoa Dourada.
O trabalho

Todas as peças são produzidas em casa e hoje Noeli conta com ajuda de duas de suas quatro filhas. As gêmeas nasceram com gosto pela arte e apoiam a criação dos produtos da mãe. Uma, pinta com habilidade. A outra, brinca com as agulhas e tece uma trama irretocável em crochê.
As peças são exclusivas, comercializadas na Associação mas também para os clientes particulares. A produção já foi até exportada. Turistas que visitaram o espaço de venda no centro de União da Vitória, levaram algumas peças para Angola, Irlanda e França. Noeli vibra com o reconhecimento. “E eu adoro fazer o artesanato. É um passatempo, uma terapia”, confirma. “Não preciso de muita coisa. Basta uma sacolinha com os meus fios e uma agulha, que estou fazendo”, completa.
A artesã explora seu cotidiano com a produção artesanal. No final de semana, encontra tempo para aumentar a renda. “Trabalho também com a degustação de produtos nos supermercados”, conta. O tempo é pouco, apertado, mas bem aproveitado. “Mas o artesanato é o que amo mesmo. Estou até com problema nos olhos de tanto forçar mas não paro, não tem jeito”, sorri.
Onde encontrar as peças
Na Associação dos Artesãos, ao lado do Cine Teatro Luz e na casa de Noeli, no Lagoa Dourada. Outras informações nos telefones 9825-3128 e 8417-2663.