
Arion Marcelo dos Santos desde criança alimentou o sonho de ser piloto de avião. Mas hoje com 41 anos não desfruta dessa vontade que a maior parte das crianças cultiva. A vida o levou a caminhar por vias diferentes.
Santos tem duas graduações, uma em Administração de Empresas e outra em Licenciatura em Geografia, mas trabalha há oito anos como corretor de imóveis em um empreendimento familiar. “Trabalho naquilo que me dá sustento”, afirma.
Contudo, nem por isso, deixou de sonhar com a aviação. No início de 2013 Santos começou a construiu algo que o deixasse mais próximo daquilo que o faz bem. Um simulador de voo. “Na verdade eu construí um cockpit, uma cabine de um caça da força aérea militar brasileira.”
O modelo da Northrop F-5M foi copiado, primeiramente, de uma revista de aeronaves militares, depois, Arion e seu filho de 13 anos, Guilherme Senff dos Santos, foram até uma base de exposições da Força Aérea Brasileira (FAB) para tirar as medidas do caça. A aeronave tem originalmente 14 metros de comprimento e 8 de largura, foi transformado em um protótipo que pesa aproximadamente 180 quilos e está estacionado na garagem de Arion em Porto União. “Demorei algum tempo só juntando as peças, muitas coisas que eu fiz, porque não existe para comprar, então eu fui adaptando.”

O aspirante a engenheiro ficou um mês enfurnado na garagem de sua casa, de segunda a domingo, só para finalizar o projeto. O tempo livre não era gasto com outras atividades. “Achavam que aquilo era coisa de louco”, brinca.
Cunhado e filho também ajudaram na construção. “Eu precisava de alguém que segurasse a chapa de compensado então meu cunhado me ajudou. Meu filho também baixou os softwares de simuladores de voo e ajudou a instalar tudo.”
Com o projeto finalizado, Arion afirma que o simulador em grau de semelhança está em 60%, agora só falta a sensação de movimento. Nessa etapa entra outro projeto que o corretor está engajado, a construção de uma plataforma aeronáutica.
A plataforma está sendo construída por oito acadêmicos de Engenharia Mecânica da Uniguaçu desde o segundo semestre do ano passado. Além dos alunos um professor especializado em engenharia de materiais, Marcos Francez, também acompanha o projeto.
O cockpit construído por Arion quando integrado a plataforma estará pronto para que seja usado em aulas práticas de aviação. “Esse modelo é para um simulador de voo, para aqueles que têm interesse em fazer cursos para pilotagem de avião ou ultraleve. É um instrumento de treinamento”, explica o coordenador das engenharias da Instituição, Adailton Marcelo Lehrer.
Porém, Santos enxerga o protótipo como um nicho de mercado. De acordo com ele esse tipo de tecnologia traz recursos para os países que a desenvolvem. “Os países que estão na ponta da indústria aeronáutica hoje são Estados Unidos, Alemanha, França, Japão, Israel, principalmente Israel”, enfatiza. “No Brasil falta isso, projetos com esse tipo de tecnologia que traga mais recursos para cá. Por isso que eu falo para os alunos de Engenharia Mecânica que não interessa se você fizer e não acertar, mas faça, é o teu serviço engenhar. E quando o teu projeto der certo ele vai ter uma agregação de valor muito grande para o País”, incentiva Santos que já recebeu a proposta de R$ 12 mil pelo seu protótipo e tem a intenção de construir mais simuladores, mas agora não de forma artesanal.
O simulador construído pelo corretor de imóveis mede 3 metros de comprimento e 1 de largura. Pesa quase 180 quilos e foi construído com chapas de MDF, compensado e alumínio. Arion Santos também comprou de uma empresa especializada em simuladores um pedal, manete de potência, manche, quatro monitores, dois de 4,5 polegadas e dois de 15 polegadas. “Os pequenos são equipamentos de voo, por exemplo, horizonte artificial e aceleração. Já os monitores grandes, um eu uso com o software do simulador de voo e o outro eu uso o monitoramento de voo real, com fonia e tudo.”
Foram gastos aproximadamente R$ 5 mil pelo protótipo. “Digo que gastei o preço de um moto”, compara Santos.
Assista o vídeo do simulador em ação:



