*Por Therezinha Wolff*
Porto de todas as gentes aqui chegadas em diferentes tempos.
Porto da serração, de campos brancos no inverno e do pôr do sol sangrando o Iguaçu.
Porto das expedições colonizadoras, do abastecimento de víveres, de vapores no grande rio e de trens indo e voltando.
Porto da estação, do túnel e da ponte de ferro que ligam dois estados.
Porto do pocinho, da gruta do profeta e do Morro da Cruz.
Porto dos colégios das freiras de véu, dos franciscanos de sandálias, do Grupo Escolar onde aprendi com as professoras que um curso primário bem feito é grau sustentável para o caminho da vida.
Porto dos cinemas, dos passeios na praça, dos bailes de ano novo, carnaval e debutantes.
Porto das comemorações à independência com pelotões garbosos marchando ao compasso das bandas e dos concursos de fanfarra do SESI.
Porto da pipoca de canhão, do relógio com ponteiros saltitantes de minuto a minuto.
Porto do frapê, do esquimó, do bratwurst, vinawurst, do xixo e do steinhaeger.
Porto da Fogueira de Tocos, das tardes de domingo com futebol no Estádio Municipal, brincadeiras no Balneário e pescarias no Timbó.
Porto dos pinheiros de Amadeu, do violino de Kretschek, do piano de Felício, do violão de Deco e da flauta de Sicuro.
Porto das coisas, como disse Casimiro, “que os anos não trazem mais”.
Porto, ainda assim chamado por ex-moradores que certamente complementam como Gonçalves “Não permita Deus que eu morra sem que volte para lá”.
Porto da “cidade amiga e do teu povo tão sincero”.
Quem como eu para desdizer os versos de Yvonich, perpetuados no Hino do Município, nome que com orgulho proclamo meu patrono na Academia de Letras do Vale do Iguaçu?
Qual Porto?
Porto dos 95 anos.
É para ti que escrevo, Porto dos meus amores, onde a aurora clareia a vida que segue e traz sempre a esperança de um novo dia.
