Por Mariana Honesko

O nome da bebida talvez nunca tenha sido tão pronunciado quanto na reta final da festa que, além do xixo, carrega seu nome. Stein-nha-eger. Pronto, fica mais fácil ler assim, em sílabas, essa pequena mas importante palavra do dicionário alemão. A pronúncia incorreta também vale. Na verdade, há uma semana da estréia da oitava edição da Festa do Steinhaeger e do Xixo, vale tudo, até conhecer melhor como essa iguaria, tão “nossa” é produzida.
Com simplicidade o empresário Ditmar Wolfram Rulf revela parte do segredo de fabricação. O Steinhaeger, cuja receita original foi trazida na bagagem do fundador da Destilaria Doble W, Wenzel Rulf é uma bebida forte, com graduações alcoólicas que variam de 36%, no caso da Vodka, e 38%, para ela própria. A semente de zimbro, um cipreste comum na Europa, é o grande “xis da questão”. É ele, combinado com outros quatro itens – inclusive casca de limão – que dá a nota aveludada, com tons cítricos, para a bebida.
Embora fabrique uma média de 80 mil litros da bebida por mês, o trabalho na empresa – localizada no Bairro Santa Rosa, em Porto União – é quase artesanal. São pouco mais de 30 funcionários na labuta, em um ambiente pacato e sereno, intercalados com o aquecimento, destilaria e descanso da bebida. “Não gostamos de trabalhar com pressa. O ambiente é isso mesmo”, sorri Ditmar.

O empresário parece realmente gostar de lugares sossegados. Tanto é que, uma das condições para ser parceiro da Festa foi justamente ter o espírito familiar e intimista como foco. Foi dele, inclusive, a ideia de incluir um prato, no caso o xixo, no “rótulo” do evento. “A Festa só com bebida não seria familiar. Por isso pedimos a inclusão da comida, para evitar o consumo exagerado e manter a família no mesmo local”, explica. Para o empresário, a Festa não pode ter classe social, tampouco bagunça. O equilíbrio, garante, é na manutenção de um evento de porte médio, sem espaço – de propósito – para o crescimento exagerado. A idéia de fazer a festa na praça, por exemplo, cai bem. “Se não perde a essência”, afirma.
O efeito é idêntico, na visão de Ditmar, quando a Festa abre espaço e é realizada a partir das parcerias feitas com entidades sociais, onde os voluntários que trabalham durante os três dias são, realmente, abnegados à causa. “A Festa deu certo. O povo aprovou e tem que continuar assim”, sorri.

Na Festa
Neste ano, os produtos da Doble W acompanham uma das grandes novidades do evento. O museu da empresa será montado no túnel subterrâneo, reaberto para a Festa, na ligação das duas estações – a de União com Porto União – sob os arcos da Estação União. Embaixo da terra, todas as versões do Steinhaeger, embaladas em cerâmica e outras garrafas nobres, poderão ser apreciados.
Nos tablados principais, os visitantes poderão degustar outras essências e turbinar o paladar com o submarino, uma combinação do destilado com chope. Os preços da dose ainda não foram definidos. Eles serão, na próxima semana, divulgados pela organização do evento.
Degustando a história
Inicialmente, a destilaria só fabricava bebidas típicas da Europa, como o Enzi Bitter, Rum, Captown e o Koen Aquavit. Foi apenas em 1962, dois anos após sua fundação, que o Steinhaeger começou a ser fabricado. Em 1977, foi a vez da Vodka. A empresa é reconhecida e aclamada pela crítica nacional e internacional.