Por Mariana Honesko
A organização da sétima Festa Nacional do Steinhaeger e do Xixo comemora o fim da montagem de toda a estrutura para o evento. Foram cerca de 15 dias intensos de montagem e outros longos meses de preparação. Agora, a expectativa é para boa adesão do público. Motivos para visitar o espaço não devem faltar.
Além dos eventos simultâneos, a Festa tem na gastronomia seu principal ingrediente. São toneladas de carne, saladas, pães e milhares de litros da bebida que emprestam seus nomes ao evento, preparados para conquistar o público pelo estômago.
Mais de 4 toneladas de xixo
Típico da região, o xixo estará disponível em grande quantidade. A organização não soube divulgar exatamente em números a quantidade do produto, mas, baseado no consumo do ano passado, a expectativa é para que mais de quatro toneladas sejam assadas nas tendas.
O xixo, uma combinação de pedaços macios de carne de porco e gado, é conhecido por este nome apenas na região. “Se nele for colocado coração ou outras peças e for assado em espeto de madeira, não é mais xixo e sim, espetinho”, esclarece Solimar Haiduk presidente da Associação Comercial e Industrial de Porto União (Acipu).

A carne comercializada na Festa tem procedência local e legal, uma exigência da comissão de organização. O preço será tabelado: o espeto custará R$ 3,50. “Com sete à dez pedaços por varinha”, ressalta Haiduk.
Um pequeno aperitivo deve ser saboreado pela comunidade que acompanha os desfiles desta sexta-feira, 6, e de sábado, 7. Em cada edição, cerca de 50 quilos de xixo serão assados. Hoje, 5, uma grande equipe trabalha no “espeto” de toda essa quantidade. Animado, o grupo se diverte com a missão. Quem quiser degustar com antecedência o sabor da carne, pode acompanhar a “romaria”. O desfile desta sexta-feira começa às 18 horas, na Sete de Setembro. Já no sábado o desfile sai também na Rua Sete, porém às 10 horas.
38,5% de graduação alcoólica

Não é para qualquer um. Na verdade, o consumo do Steinhaeger é para os fortes e, naturalmente, maiores de 18 anos. A fórmula não é exatamente secreta mas, a receita natural da Alemanha, teve pitadas singulares de Wenzel Rulf, fundador em 1960 da Destilaria Doble W. Paladares que agradaram até o então vice-presidente, José de Alencar, e o líder cubano, Fidel Castro.
Não há como descrever exatamente o sabor, porém, na simplicidade de Marco Aurélio Silva, é possível ter noção. “É forte. Derruba mesmo”, sorri o proprietário dos pontos de venda dos produtos da empresa. A descrição tem explicação quase matemática: o Steinhaeger tem 38,5% de graduação alcoólica e pode ficar ainda mais forte.
Esta é a proposta do “Submarino”, uma novidade assinada por Marco Aurélio e Fábio Rulf, filho de um dos proprietários da Doble W. Funciona assim: uma dose da bebida é colocada dentro de um copo de Chopp. “Quem toma leva o copinho da dose para casa”, sorri Marco Aurélio. Para atrair mais consumidores, neste ano, os copos em cerâmica têm 30 modelos diferentes. O “Submarino” será comercializado por R$ 7. A dose, pura, por R$ 4.

Para os mais contidos, a Festa Nacional vai oferecer também caipirinhas feitas à base de Steinhaeger. “O pessoal tem inovado. Ano passado tinha até caipirinha com pimenta”, antecipa o proprietário. Puro, o Steinhaeger também deve reunir uma legião de fãs. A bebida, destilado-retificada, é fruto da combinação do aroma e sabor de cinco ervas. “Raiz Angélica, zimbro, casca de limão, cominho e coentro”, descreve Marco Aurélio. A matéria-prima tem procedência especial. Da Alemanha vem a Raiz Angélica. Do Norte brasileiro, o cominho. O coentro é Argentino. Da região, a sutileza do sabor fica por conta da casca de limão. “Daquela bem amarelo”, explica Marco.
A Festa abre as portas para o teste de limites: a bebida é boa, mas forte. Quem se arrisca?
Tempero alemão garante sucesso ao Bratwurst

A etnia alemã é dona de uma iguaria que faz tanto sucesso na Festa quanto o xixo. Comum nos países germânicos – por lá é tão popular quanto um hot-dog – no Brasil ela ganha versões especiais.
Nas Cidades Irmãs, o que se consome é apenas uma das cerca de 1.800 receitas conhecidas na Alemanha. Foi de lá que o empresário, Élio Weber, trouxe sua preferida. Por aqui, fez algumas adaptações e a fórmula mais atraente é conhecida apenas por ele e outros três bons companheiros. “Criamos uma receita própria”, sorri.
Na edição do ano passado da Festa Nacional, a combinação deu certo e garantiu a venda de aproximadamente 14 mil peças. “Neste ano queremos alcançar as 16 mil peças”, diz. A linguiça é produzida pela equipe do Açougue Rossa, do Distrito de São Miguel da Serra. O gosto fica ainda melhor quando o acompanhamento entra em cena.
Também alemão, o Saur Kraut, mais conhecido como “chucrute”, é uma das preferências nas tendas administradas pela turma do Instituto Grünenwald. A base do prato é o repolho e para esta edição, cerca de 700 quilos devem ser consumidos. “Quase uma tonelada de repolho foi usada para o preparo. Todo mundo trabalhou muito para deixar tudo pronto, trabalhou feliz, de maneira voluntária”, conta.

Além da motivação, outro segredinho está nos pães. A massa é produzida pela empresa Gula, de Nova Petrópolis (RS). Para Porto União, ela vem crua. A panificadora do Mercado Dukeli ficará responsável por deixá-la assada e pronta para o consumo. Quase 20 mil pães devem sair do forno nos três dias de Festa. “A Festa do Xixo é um resgate à motivação, à alegria”, sintetiza Weber.
Pegue seu caneco e venha!
A Festa Nacional é uma iniciativa da Acipu e da prefeitura de Porto União. A estreia é às 18 horas desta sexta-feira, 6, com desfile na Rua Sete de Setembro e muita diversão na Estação União. São mais de sete mil metros quadrados de estrutura coberta. Além da Estação, a Praça Hercílio Luz e todo o entorno dela serão utilizados para o evento.
















