Por Mariana Honesko

O que para a maioria é encarado como lixo, para a artesã Áudia Schröeder, é muito mais do que luxo. Moradora da localidade de Pintadinho, no interior de Porto União, ela transforma material de refugo em obras pouco convencionais. Palha de milho, taquara, cipós e folhas são matéria-prima para uma infinidade de produções. “Eu gosto muito de fazer isso. É uma terapia, muito prazeroso”, sorri.
O trabalho no campo e a leiteria consomem boa parte do tempo de Áudia mas, à noite ou quando chove, é para as agulhas que ela corre. Aos 48 anos a agricultora encontra no trabalho manual uma oportunidade para aumentar a renda mensal. “Faço toalha de banhos, bonecos de palha, mas a minha preferência é fazer os ursos de pelúcia”. Os queridinhos de dona Áudia, contudo, perderam espaço desde a chegada das casas de comércio popular. “Mas ainda tem muita gente que procura por encomenda também”, explica.
O que hoje é algo sério para a artesã, começou como brincadeira. “Comecei pintando pano de prato e ajudando meu irmão com as peças em palha e logo fui participando dos cursos que a prefeitura tinha”, conta. A qualidade agradou tanto que em menos de cinco anos, desde que aprendeu as técnicas, foi convidada para integrar a equipe da Arte do Porto, que expõe na Fundação Cultural e tem o bom arremate como exigência. Para Áudia, a valorização de cada ponto é sinônimo de reconhecimento. “Antes isso não acontecia”, sinaliza.
Os mais pedidos

Além dos trabalhos com material extraído do quintal de casa, Áudia atende aos pedidos de seus clientes e tem na produção das cestas em forma de galinhas e nos puxa-sacos, com motivos que lembram marrecos, suas especialidades. “Dá trabalho, mas as pessoas gostam muito”. A artesã é, na verdade, modesta. Em média, os trabalhos mais demorados são concluídos em apenas dois dias. “Porque pego mais à noite mesmo, não é todo dia”, diz, tímida diante da própria habilidade. No Natal e para o Dia das Mães, os trilhos de mesa, com motivos especiais, tem boa saída.
Onde tem mais?
Áudia trabalha com encomendas e atende aos pedidos pelo telefone (42) 3522-1843, ramal 24. Seus trabalhos também estão expostos na Arte do Porto, na Rua Sete de Setembro, no primeiro piso da Fundação Cultural.