Mescla genética traduzida em criações inusitadas

Irene Loth carrega na genética a força do sangue indígena e a organização da etnia alemã. Combinação exótica reflete na produção artesanal

·
Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

Perfil - Irene 1
Artesã respira artesanato: produção age como terapia e ajuda na renda familiar

Aos 69 anos, Irene Loth carrega nos traços do rosto o resultado do casamento dos pais. Ele, alemão. Ela, índia. Assim, o efeito é uma pele em tons café e olhos vivos, claros. As características não estão estampadas na face.

Irene se mostra uma mulher forte, mãe de três filhos e avó de nove netos. Perto de completar 70 anos, vê um passado marcado por alegrias e tristezas mas, principalmente, pela fé e garra. Ela garante que não é apenas a genética que a impulsiona a encarar a sorte e revés da vida com tamanha vontade. “O artesanato me ajuda em tudo. Até para viver”, sorri. Há dois, a artesã descobriu e venceu um câncer. Passou pela quimioterapia, perdeu os cabelos mas não deixou ser abalada. De novo, o artesanato agiu como remédio. “Nunca parei de fazer. Nem doente”, sorri.

Ela é artesã desde o berço. Diferente da maioria de suas colegas de habilidade, porém, Irene não iniciou a “alfabetização” na arte a partir de agulhas e linhas. Com uma mãe índia em casa, não restava dúvidas: Irene aprenderia a manusear porongo, palha e taquara desde menina. “Nosso pirógrafo era um arame que a gente esquentava para fazer o desenho na madeira”, lembra.

Ao longo dos anos, a artesã diversificou sua produção: passeou pelas tramas e fios e hoje, tem na pintura de madeira e no tecido, seu carro-chefe e queridinho das vendas. Embora essencial na vida de Irene, o artesanato é um complemento da renda familiar. Viver para e do artesanato, ainda é um sonho distante. “Mas eu durmo artesanato, como artesanato. Faço o tempo todo”, diz, com bom humor.

Pintura em madeira e tecido são as preferidas dela e do público
Pintura em madeira e tecido são as preferidas dela e do público

O excesso de trabalho não é exatamente uma escolha. Ocorre que a produção tem tanta qualidade e o nome de Irene é tão popular que reduzir o ritmo não faz sentido. O dom herdado da mãe e o aperfeiçoamento através do tempo, garantiram à artesã reconhecimento oficial. Em 2009, ela recebeu o título de artesã de destaque de União da Vitória. Na cidade, inclusive, Irene carrega o mérito de ter sido a primeira professora de pintura em tecido.

Filha de Paula Freitas, a artesã morou em Irati, ambas no Paraná, antes de desembarcar em União da Vitória. “Acho que foi lá (em Irati) que aprendi muito mais com o artesanato”, atribui. À cidade de Paula Freitas, contudo, Irene tem carinho especial e no cinquentenário da cidade, faz questão de participar com a exposição de suas peças. “Estou participando com muito orgulho. A maioria das minhas peças já está toda lá”, sorri.

Paralelo ao trabalho manual, Irene encontra tempo para ajudar quem mais precisa. Ela é voluntária na Pastoral da Criança, auxilia nos bastidores da Rede Feminina de Combate ao Câncer e responde pela vice-presidência da Associação dos Artesãos de União da Vitória, onde sua produção pode ser apreciada e negociada. “O artesanato é tudo para mim. Não vivo sem. Acho que se eu parar, bato as botas”, diz, com bom humor.

Pintura em madeira e tecido são as preferidas dela e do público
Pintura em madeira e tecido são as preferidas dela e do público

Onde encontrar as peças

Na Associação dos Artesãos, ao lado do Cine Luz e na casa de Irene, na Rua Maria Luiza Waldraff, 143, São Cristóvão. Outras informações no telefone 3524-4079.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!