Para explorar o que já é bonito por natureza

Projetos arquitetônicos podem ir muito além do senso comum. Desenhos bem feitos e planejados interferem no desenvolvimento de uma cidade

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

malbec-projetos-arquitetonicosA interferência pode ser para o bem ou para o mal. Um desenho aqui, outro ali, podem garantir à uma região sua identidade que, combinado com o aspecto cênico e natural, encerram uma obra-prima. É justamente deixar mais bonito o que já é belo o que busca o administrador Caio Schmitt. O “manezinho da Ilha” desembarcou há um ano em Porto União.

Na cidade, precisou se adaptar aos “freios” naturais: o município é interiorano, trabalha com prazos prolongados e não ousa tanto em suas construções. Schmitt encontrou edificações ainda “engessadas” mas aposta em soluções fáceis e criativas. O importante, garante o jovem, de 34 anos, casado com Dayana Chipitoski e pai de primeira viagem há três meses, é acreditar no potencial dos moradores e nos desenhos naturais. “Sinto, por exemplo, que falta explorar a orla do Rio Iguaçu. Ele é belíssimo, mas pouco valorizado”, avalia.

As ideias efervescentes de Schmitt materializam-se em seu escritório, um aconchegante espaço instalado na Rua Getúlio Vargas, no centro. O empresário assina a Criare Incorporadora e é a partir dela que estreia na cidade. O trabalho traz muito do conceito que defende. Trata-se do Residencial Malbec, cuja construção tem previsão para finalizar em 48 meses. A obra fica ma Rua Coronel Amazonas e tem a vista do rio como um dos diferenciais. “É um apartamento por andar, com quatro quartos, sacadas”, revela.

O projeto é bem mais interessante. O desenho abusa dos vidros e presenteia os condôminos com jacuzzi – uma em cada sacada – lareira, piso término no banheiro e automação de persianas. A cobertura, um duplex com mais de 530 metros quadrados, amplia a apreciação da cidade em tom de cartão-postal, bem como explora o conforto. Os apartamentos possuem elevador privativo e hidrômetro individual. O prédio terá guarita, local para armazenado de lixo e garagem para três carros. O conforto de cidade grande está disponível a partir de preços bastante acessíveis. Tanto é que o Malbec dispõe de três unidades para venda e a cobertura já foi vendida.

O Malbec é apenas o pontapé inicial da proposta da Criare. A empresa quer ir muito mais longe e dar sequência aos lançamentos imobiliários na região.

Conceito preza pela simplicidade

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Empresário aposta no sucesso do empreendimento e na exploração dos aspectos naturais da cidade como diferencial. (Foto: Mariana Honesko).

O conforto reproduzido em cada metro quadrado do Malbec é, na verdade, uma
expressão de simplicidade. Parece um contraponto mas é justamente por entender que o projeto combina com a cidade que tem o sucesso tão precoce. Schmitt deve muito ao pai. A genética e a experiência de trabalho ao lado de André Schmitt, que assina a arquitetura do Malbec, favorecem os desenhos tão criativos e cheios de sabedoria. Reconhecido especialmente em Santa Catarina, André é respeitado por saber onde ousar e por emprestar seu conhecimento aos sócios do Desenho Alternativo, escritório de arquitetura em Florianópolis administrado por ele. Em uma recente entrevista, André sintetizou o valor das construções. “Arquitetura é manifestação cultural. Se assim não for, estaremos somente empilhando tijolos”, disse.

O nome de André Schmitt é referência de bom gosto e praticamente uma marca pronta. Não é a toa: o arquiteto carrega um currículo extenso, focado inicialmente em Florianópolis mas espalhado além das fronteiras. A maioria dos projetos assinados por ele e pelo Desenho Alternativo é de unidades hoteleiras e turísticas.

Entre as obras já implantadas, destacam-se, por exemplo, o Costão do Santinho Resort – premiado pela Revista Expressão Ecologia e selecionado para as Bienais Internacionais de Buenos Aires e de São Paulo – e o Costão Golf Club, ambos na capital de Santa Catarina. A Rede Plaza de hotéis também tem a marca do arquiteto.

André é graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele chegou à ilha de Floripa logo após o período de residência, vivido em Itapema (SC), entre 1972 e 1975. André foi professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi secretário de Turismo, Cultura e Esportes de Florianópolis e na cidade, durante sua gestão, deixou legado. Entre as ações na área de cultura, André criou e implantou a Fundação Franklin Cascaes e liderou a reforma e revitalização de espaços, como o vão central do Mercado Público, por exemplo. O arquiteto criou ainda o premiado Plano de Roteiros para passeios turísticos e culturais da bacia da Lagoa da Conceição, em Florianópolis.

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