Parque Monge João Maria: Em nome da fé

Parque Monge João Maria vai compor o complexo turístico do Morro da Cruz. Parte do projeto deve ser concluída na Páscoa

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

Parque 00O projeto é audacioso e valoriza a expressão de santidade que a comunidade devota ao Monge João Maria. Santo para os fiéis, o profeta tem parte de sua história contada no alto do Morro da Cruz, em um dos pontos mais bonitos de Porto União. O cenário, que já agrada, deve ficar melhor. Esta é a intenção da equipe da Secretaria de Cultura e Turismo ao desenvolver o projeto que une grutas, trilhas, poços e religião em um mesmo circuito. As obras devem começar em breve e parte delas ser concluídas até a Páscoa.

As ações envolvem o asfaltamento da rua Theodoro Kroetz, que dá acesso ao Morro da Cruz, construção de calçadas e de uma Via Sacra que vai além dos padrões convencionais. “Serão 15 totens, de dois metros de altura, com arte sacra, em estilo greco-romano”, antecipa o secretário, José Carlos Gonçalves. A obra é assinada pelos artistas plásticos, Roque Correia e Carlos Kussik.

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Grutas seguem sinalizadas mas caminho terá acessibilidade e iluminação

Já no alto do morro, haverá calçamento e um mirante especial, que permite observações das Cidades Irmãs em até 180 graus. A cruz, lendária e símbolo de uma suposta segurança para os devotos – lendas garantem que o descuido dela pode trazer uma nova enchente, semelhante à de 1983 – permanece intocável. A imagem do Cristo, por outro lado, ganha dimensão. “Vamos suspendê-la e ela terá uma altura de aproximadamente cinco metros”, detalha Gonçalves.

O circuito termina – ou começa – no Parque Monge João Maria. Quem estiver no morro vai poder acessar o local percorrendo a mata fechada. Hoje, os caminhos são estreitos, feitos com simplicidade. Com o projeto, os 200 metros de extensão ganharão iluminação e acessibilidade. “Vamos fazer um calçamento em paver e assim o parque e o morro estarão interligados”, diz o secretário.

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Destaque do parque, poço recebe devotos em busca de proteção ou para o pagamento de promessas

Boa parte dos recursos para o projeto já foi disponibilizado. A intervenção é uma parceria entre estado e município e está orçada em cerca de R$ 300 mil. Em Santa Catarina, o deputado, Antônio Aguiar, que estará em Porto União amanhã para discutir o assunto, atua na liberação da verba. “Já temos os recursos para o mirante e a Via Sacra. Falta ainda a liberação para o calçamento dos acessos”, explica Gonçalves.

Mais do que fomentar a fé, o circuito espera aprimorar o turismo religioso na cidade. A expectativa é que ele deixe de ser tímido e encontre apoio nos estabelecimentos comerciais, hotéis e restaurantes. “Queremos transformar o potencial em empreendimento”, sinaliza.

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Equipe da Secretaria de Cultura de Porto União visita Parque: local já está mapeado

Para os fiéis, o projeto é uma espécie de redenção e reconhecimento pelas perdas registradas na Guerra do Contestado. Foi durante o conflito que a figura do monge – a história mostra três figuras e não apenas uma – nasceu. Ari Passos, supervisor de Cultura, também enxerga as obras neste mesmo contexto. “Para o nosso povo, é São João Maria. É um santo. O parque é uma forma de se manter a memória do Contestado também. As pessoas vão se sentir estimuladas ao ver que o poder público está reconhecendo a fé delas, está respeitando o que elas sentem”, avalia.

O parque, criado no início dos anos 2000, é cenário para peregrinação. Por lá, centenas deixam lembranças, pagam promessas, agradecem. “É uma tradição que ficou. Muita gente vem aqui. De dez vezes que venho aqui, em oito tem alguém rezando”, sorri.

Via Sacra

De acordo com o artista plástico, Carlos Alberto Kussik, a construção da Via Sacra, em 15 estações, é um grande desafio. Carlos e Roque Correia debruçam-se neste momento no estudo historio e bíblico do cenário que terminou com a crucificação de Cristo. “É um desafio grande. Não é nada copiado. É um estudo original. Tem pesquisa histórica, simbolismo cristão”, indica Kussik.

Para dar conta do trabalho, os artistas alugaram um barracão no centro de União da Vitória. Pudera: as estações terão um metro de largura e outros dois metros de altura. “Vamos usar a técnica baixo relevo em concreto usinado”, detalha o artista.

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