Passatempo se transforma em marca oficial de cabeleireira

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

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Enquanto não faz a “cabeça” das mulheres, artesã troca o secador e escova pelas linhas e agulhas. (Foto: Mariana Honesko).

Ela está para o artesanato assim como ele está para ela. Impossível separar a cabeleireira Eva de Lourdes Aires, de 62 anos, da produção manual. Basta uma folguinha, bem pequena que seja, para que ela recorra às agulhas e fios para passar o tempo. “É um prazer. Não consigo ficar sem fazer.”

Natural de Marialva, no norte do Paraná, Eva a dona de uma imensa bagagem de histórias. Aos 18 anos, já estava no salão de beleza, atuando como cabeleireira. O ofício a levou para São Paulo e, na capital, viveu outros 17 anos. Há cinco, mora em Porto União. “Vim para tratar de uma alergia mais séria nas mãos, por conta da química usada no salão, e acabei ficando”, sorri. Na cidade, Eva tem parte da família. Moram no município uma de suas irmãs, filha e neto. No norte, Eva deixou outra filha e mais um neto.

E é por conta de tantas idas e vindas que a cabeleireira não sabe explicar exatamente onde o artesanato entrou em sua vida. O certo é que ele chegou e ficou, sem data para sair. “Pego uma amostra aqui, outra ali e vou fazendo”, conta. Eva é especialista na produção de peças em tricô e crochê. Sua casa, por exemplo, é decorada pelo que já fez. São tapetes, jogos de banheiro, de cozinha, trilhos: tudo com qualidade e de bom gosto. Quando tem mais tempo, dedica-se à produções mais incrementadas e com toque de carinho. De suas mãos, saem, inclusive, roupinhas para bebês. “Faço para minha casa, para decoração do salão, para os clientes”, diz.

Marca registrada

Eva acorda cedo, rega suas inúmeras plantas, toma café e sai para o trabalho. Em casa, só chega de noite. Com exceção de alguns compromissos, seu dia concentra-se no Salão Lord, em Porto União. É lá que penteia, alisa, enrola e seca os mais diversos tipos de cabelo. “Só não corto”, avisa, sorrindo.

Eva não perde tempo: entre a saída e espera de uma nova cliente, vai para os fios. “O pessoal até estranha se eu não estou com a agulha, com o crochê na mão”, brinca. Segundo ela, o modelo de artesanato que adotou é simples, não depende de inspiração e pode ser levado para qualquer cantinho. “Não preciso de máquina, de mesa, nada. É só ter um canto e pronto”, sorri.

Onde encontrar o trabalho

Eva não expõe suas peças em casas de artesanato. Antes, mantém um pequeno estoque no Lord e dispõe de peças no Restaurante Portal, Casa das Linhas e no Centro de Atenção Psicossocial (Caps), ambos em Porto União. Outras informações pelo telefone 3522-4953 e 8830-2409.

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