Sobre o 19° Festival de Publicidade de Gramado
Aconteceu na última semana mais uma edição do Festival Mundial de Publicidade de Gramado, um dos maiores e mais importantes eventos globais forjados para discussão do futuro da comunicação publicitária, seu potencial e relevância na construção de uma sociedade mais plural, democrática e crítica.
Palestrantes das maiores agências e clientes, nacionais e internacionais, magos da comunicação com vasta experiência mercadológica, discutiram durante dois dias muito concorridos a dualidade entre a razão e a emoção na comunicação, em todas as mídias e formatos, bem como seu impacto na vida das pessoas.
A novidade positiva deste ano foi a palestra do Dr. André Palmini, neurocientista da PUCRS que com muita autoridade discorreu sobre o cérebro humano, sua capacidade e principalmente sua fragilidade. É impressionante ver como pequenas lesões, banais do dia a dia inclusive, podem afetar características rotineiras de nossa vida, transformando o comportamento do ser humano de maneira radical, pessoas dóceis em agressivas, mexendo com relações sociais, familiares, profissionais e causando vários tipos de prejuízos à pessoa que, por fora, fisicamente, parece bem e normal.
Negativamente, temos dois pontos a tratar. O primeiro e mais banal foi a falta de conexão Wi-fi no lugar do evento, o que impossibilitou que os mais de quatro mil acadêmicos e profissionais presentes pudessem interagir com a programação em tempo real. Fato que, segundo fui informado, se repete novamente nesta nova edição.
O segundo, este sim, preocupante. Mais uma vez, caravanas com jovens estudantes de pontos muito distantes do Brasil como Goiás e Amapá, cortaram o país para estarem presentes neste importante evento no Rio Grande do Sul, discutindo, questionando e aprendendo com os melhores do ramo, imergindo durante dois dias em novas culturas, cases fantásticos, tecnologias do futuro; e aqui das gêmeas do Iguaçu, nosso acadêmicos dos cursos de publicidade e propaganda, marketing, jornalismo e tantos outros correlatos, novamente perderam a oportunidade de integrar-se ao mundo, de opinar, de se fazer visto e lembrado. Temos tanta capacidade quanto qualquer outro pólo ou cidade, porém, não estamos fazendo a nossa parte. Precisamos ser muito mais curiosos e praticar o desconforto, precisamos sair da mesmice e do lugar comum. Precisamos estudar, nos dedicar, até viajar mais.
Já disseram: “Quem quer fazer algo encontra um jeito, quem não quer fazer nada arranja desculpas.”
Caíque Agustini é Diretor Executivo do Grupo Verde Vale de Comunicação