Remédio doce para a cura da alma

Dona Nena esbanja simpatia e espalha a receita da jovialidade. Para ela, artesanato sara e espanta tristeza

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

(Foto: Mariana Honesko)
(Foto: Mariana Honesko)

Aos 67 anos, Maria da Conceição Rosa Monch, a popular “Nena”, dá um show de cordialidade. É hospitaleira, tem conversa fácil e mostra com orgulho todas suas habilidades. “Se eu fosse reunir tudo o que eu tenho e fácil, daria para montar uma loja”, sorri.

A brincadeira tem tons de verdade. Nena sabe muito de muita coisa. Com a mãe, ainda em São João do Triunfo (PR), onde nasceu e viveu até os dez anos antes de se mudar para União da Vitória, aprendeu as técnicas do tricô e crochê. Aos 15 anos, já era aluna do curso de Corte e Costura. De lá para cá, não parou mais e depois de 45 anos de trabalho atrás das máquinas de costura, aposentou-se.

O ponto final na carreira, contudo, não a inibiu de continuar. Nena, especialmente há dez anos, dedica-se com exclusividade ao artesanato. Ainda costureira, também tinha tempo para a arte. Agora, porém, a produção das peças exige mais. Nena aprendeu mais sobre os pinceis, pontos e hoje, tem um arsenal bem diversificado de opções. “Mas o que eu gosto mesmo é de ter uma agulha na minha mão”, revela, confidenciado a preferência. O carinho extra pela técnica garante toalhas decoradas e panos que mais parecem desenhos feitos a mãos. A qualidade do material faz com que as peças de Nena viagem para muito longe. “Tenho peças até na Alemanha”, conta. A artesã faz ainda bichos de pelúcia com peso, para aparar portas, latas e potes de vidro decorados.

Dona Nena é mãe e avó mas na família, ainda não tem herdeiros interessados na

(Foto: Mariana Honesko)
(Foto: Mariana Honesko)

continuação do que ela começou. Todos aprovam a produção mas mantém-se à distância, apenas nos bastidores da arte esculpida entre fios e linhas. Para a costureira aposentada, largar os fios e agulhas não está nos planos e talvez, nunca esteja. “O artesanato tira qualquer depressão. Qualquer coisa assim passa”, receita ela que, na prática, aprovou o remédio. “Não consigo ficar assistindo uma televisão sem estar com a agulha na mão”, revela.

Além de produzir a partir de encomendas, Nena abastece a Associação dos Artesãos de União da Vitória e ainda dá aula de bordado. A capacitação ocorre na sua casa. “Sinto que o reconhecimento do artesanato vem crescendo na cidade. Não dá pra viver disso, mas as pessoas valorizam e pagam o valor que as peças merecem”, diz.

(Foto: Mariana Honesko)
(Foto: Mariana Honesko)

Aguçando os sentidos

Impossível descrever no texto a qualidade e a criatividade do material de dona Nena. Na Associação dos Artesãos, no centro de União da Vitória, há um elenco bem considerável da produção. Visite: o espaço fica ao lado do Cine Teatro Luz.

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