Por Mariana Honesko

Ela tem 57 anos mas exala jovialidade de fazer inveja. O sorriso é pleno e os gestos, elétricos, mas elegantes, a colocam em níveis difíceis de se encontrar por aí. O nome dela é Êrica Elizabeth. “Lenartowicz Hoffmann”, completa. “Tem que colocar os dois sobrenomes senão meu marido fica bravo”, diz.
A artesã descobriu a habilidade ainda menina. Aos cinco anos, ela já usava as pontas dos pés para alcançar o pedal da máquina de costura. “Aprendi sozinha. Eu fazia todas as roupas das minhas bonecas”, conta. A aptidão nata só foi ampliada há alguns anos, depois de um acidente de trabalho. Êrica trabalhava em uma loja de móveis e eletrodomésticos quando uma geladeira não foi bem colocada por ela no chão. O resultado lembra à recente contusão sofrida por Neymar, no jogo do Brasil contra a Colômbia, durante a Copa do Mundo. “Eu sabia a dor que ele estava sentindo. Machuquei sete vértebras e uma delas quebrou em três lugares”, conta. “Fiquei 18 anos tratando e ainda hoje me cuido”, afirma.
O dano na coluna exigiu mudança de hábitos. Êrica teve que sair do trabalho e encontrar algo que preenchesse seu tempo. Ao longo dos anos, fez curso de cabeleireira e atendente de farmácia. E foi neste período que mergulhou de cabeça no artesanato. “Faço de tudo. Menos tricô e crochê”, conta.
De novo, o processo foi autodidata: Êrica precisou apenas do incentivo de amigos e da leitura de revistas especializadas para entender como começar. Hoje, o artesanato ocupa boa parte do seu dia. As peças são feitas a partir de encomendas e o que tem pronto, dificilmente acumula pó nos expositores. Mesmo sabendo fazer tudo, Êrica não esconde sua preferência: é nas peças em madeira que se diverte, como criança, e garante resultados exclusivos. “O trabalho com textura em madeira é muito bom”, diz. A preferência conta com a parceria do marido, um militar aposentado que, na “reserva”, testa suas habilidades na produção do material cru. Ele faz e ela pinta. E borda. “É uma terapia para não ficar velho”, sorri.
Além de fazer releituras de peças já feitas, Êrica explora a reciclagem. Nas ruas, garimpa no que foi deixado de lado. Na enchente, nem o incômodo de ter saído de casa – Êrica mora no Bairro Santa Rosa – diminuíram sua vontade de procurar peças passíveis de transformação. “Vejo algo na rua e já levo para casa. Meu marido até reclama de tanta coisa que vou levando embora”, conta.
Onde encontrar as peças de Êrica
A artesã tenta variar o estoque de sua produção. A maioria delas está na Associação dos Artesãos de União da Vitória, que funciona todos os dias, em horário comercial. O espaço está ao lado do Cine Teatro Luz.