“Acreditávamos que o setor já estava voltando ao seu normal”

Declaração é de proprietária de Agência de Viagens no Vale do Iguaçu após explosão de casos da Covid pelo País. Companhias de cruzeiros suspenderam operações até 21 de janeiro

Desde o aparecimento dos primeiros casos da Covid-19 pelo País, a proprietária da agência 7 Ilhas Viagens e Turismo e membro da Associação de Turismo e Meio Ambiente do Vale do Iguaçu (Atema), Arcéli Fudal, busca otimismo, ora com a sua saúde e de seus clientes, ora com a realização da viagem dos sonhos de cada um. Muitos desses sonhos necessitaram de uma pauta em 2020 e em meados de 2021 por conta das restrições sanitárias de combate a pandemia.

A Associação Brasileira de Navios de Cruzeiros divulgou no dia 3 de janeiro deste ano que as companhias suspenderiam suas operações no Brasil até o próximo dia 21. A decisão acontece um dia depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçar a “urgência” de uma interrupção imediata da temporada de cruzeiros, após surtos de Covid em navios.

O governo federal concordou com a medida e fará novas reuniões para avaliar a possibilidade da retomada das atividades. Segundo Arcéli, para àqueles que já estavam com viagem marcada para o período de suspensão, o ideal é procurar as empresas responsáveis pelos cruzeiros e verificar a política de cada uma sobre como proceder.


Confira a entrevista:

Jornal O Comércio (JOC): O turismo enfrentou novas adaptações neste início de ano por conta da pandemia?
Arcéli Fudal (AF): Sim e conforme o aparecimento de novos casos da doença respiratória. Entendemos que há uma necessidade de adaptação.

JOC: Após o aparecimento de novos casos da Covid as companhias de cruzeiros suspenderam operações no Brasil até 21 de janeiro. Como os clientes receberam a notícia?
AF: Praticamente 50% dos clientes que haviam definido pacotes em dezembro de 2021 já embarcaram para cruzeiro. A preocupação agora é com àqueles que não puderam embarcar; estes, até então, receberam uma carta de crédito sobre a sua viagem. A maioria dos clientes confirmou essa carta de crédito e disse que vai usar daqui alguns meses ou daqui um ano. Até o dia 21 de janeiro os cruzeiros não acontecem por conta da pandemia. A partir do dia 22 e 29 de janeiro teremos muitas pessoas aqui do Vale do Iguaçu que irão embarcar em navios, porém ainda é uma incógnita se ele (navio) vai sair ou não com destinos às viagens. Tentamos trabalhar cada caso em particular; explicando e analisando a situação para cada cliente. Um quer a carta de crédito, outros pedem o adiamento da viagem ou até seu cancelamento. Tudo é compreensível. Mantemos o diálogo com cada família, casal ou individualmente para que a viagem transcorra da melhor forma possível, seja ela agora – no mês de janeiro – ou no próximo ano.

JOC: Os clientes foram compreensivos em alterar as suas viagens neste período?
AF: Sim, foram muito compreensivos. A maioria das pessoas já está vacinada contra a Covid e entendem que a pausa nas viagens se faz necessária por conta do aumento dos casos. Vale ressaltar que o sonho de uma viagem de navio deve ser mantido e que todas as empresas de turismo seguem os protocolos sanitários de combate a doença, como o uso de máscara, álcool gel, entre outros.

JOC: A temporada de viagens deste ano tinha uma expectativa de 106 viagens de cruzeiros programadas no Brasil, sendo que 30% delas conseguiram ser realizadas até o momento e com impacto de R$ 1,7 bilhão para a economia. Essa nova onda da Covid e a presença da nova variante Ômicron surpreendeu? De que forma o setor é influenciado por isso?
AF: O turismo é sempre muito otimista, porém confesso que acreditávamos que o setor já estava voltando ao seu normal; mas essa nova onda não esperávamos. A pandemia já nos prejudicou de modo geral. Minha equipe e eu havíamos programado em não focar em viagens internacionais para que não tivéssemos um trabalho triplicado em reagendar e reacomodar o público, caso fosse necessário. O ano de 2020 foi de muita dor de cabeça por conta da Covid. Sabemos que logo tudo isso passa. O turismo é muito prudente; todos do setor estão organizados para prevenção da doença. Tivemos muito prejuízo em 2020 e cada empresa no País buscou adaptação conforme a sua administração. Em 2021 os pacotes de viagens foram muito bem vendidos e que cobriu o prejuízo rapidamente. Aprendemos a lição na prática com a pandemia e hoje sabemos como lidar caso alguém peça o cancelamento ou reagendamento de viagens. Estamos (setor do turismo) muito maduros em 2022.

JOC: Quais os destinos mais procurados para viagens atualmente?
AF: No nosso caso, aqui no Vale do Iguaçu, foi o Nordeste. A cidade de Maceió, capital do estado de Alagoas, foi recorde de vendas para o segundo semestre de 2021. Em fevereiro deste ano em torno de 40 pessoas irão embarcar com destino ao Rio de Janeiro, Nordeste e Bonito, porém todos irão viajar com segurança.

JOC: Teme que a pandemia acarrete em prejuízo para a imagem do turismo?
AF: Infelizmente sim. As pessoas estão adiantando, adiantando e adiantado e tememos que as viagens não saiam. Eu diria para que as pessoas aguardem o momento certo e sigam com o seu sonho de viajar.

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