CORPO DE BOMBEIROS: Em Irati, mulher assume comando

Tenente Carla Adriana Spak Sobol falou sobre o desafio da função e da sua posição: a primeira mulher, em 70 anos

(Foto: Assessoria).
Solenidade de passagem de comando aconteceu no dia 13 de maio (Foto: Assessoria).

“Preconceito eu não sofri, mas havia muito receio de que as mulheres não conseguissem chegar lá. Chegamos”. As palavras, forte e entusiastas, são da Tenente Carla Adriana Spak Sobol, primeira mulher a assumir o Corpo de Bombeiros de Irati (PR). A tenente é a nova comandante e assume o posto deixado pelo capitão Jorge Augusto Ramos, que foi promovido a major e assumirá o comando do 1º Grupamento do Corpo de Bombeiros, em Curitiba.

A tenente assume uma corporação que atende 20 cidades, na região Sudeste do Estado, distante 121 quilômetros do Vale do Iguaçu. A solenidade de passagem de comando aconteceu no dia 13, na Câmara de Vereadores de Irati. “Foi uma noite de emoção e isso se dá porque o quartel de Irati foi onde meu pai, meu tio, foram bombeiros. Tenho outros familiares que trabalharam no quartel. Cresci dentro do quartel e agora estou assumindo o comando. Por isso e pelo ‘até logo’ ao major Jorge Augusto, foi emocionante também. Ele é cidadão da nossa região e a gente também sentiu a saída dele”, conta.

Mulheres do fogo

No Paraná, existem cerca de 230 mulheres bombeiras. Mas, o número já foi muito aquém disso. A primeira turma, por exemplo, formou apenas 23 “bombeiros militares do sexo feminino”. Isso, quando o Corpo de Bombeiros, criado em 1912, já tinha quase cem anos. Aos poucos, o caminho até um Corpo de Bombeiros igualitário segue sendo trilhado, especialmente quando patentes altas são ocupadas por “elas”.

“Preconceito, não diria, mas como é uma instituição estritamente masculina, alguns não acreditam que as mulheres iriam desempenhar aquelas funções tão masculinizadas. Lembro que na época que eu comecei, as mulheres entrariam mas iriam ficar apenas no setor administrativo. Isso veio sendo desmistificado com o tempo”, conta a nova comandante do Corpo de Bombeiros de Irati.

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ENTREVISTA

Jornal O Comércio (JOC) – O Corpo de Bombeiros no Paraná comemorou em 2015 os dez anos da incorporação das mulheres em seu quadro de oficiais. Apenas uma década, isso?

Tenente Carla Adriana Spak Sobol (Tenente Carla) – Faço parte da primeira turma de mulheres bombeiro militares. Foram 21 mulheres. Completamos em abril, 14 anos de serviço. Hoje, são mais de 200 mulheres no Paraná, mas no início, éramos apenas 21.

JOC – Muitas pessoas comemoram muito sua presença no efetivo em Irati.

Tenente Carla – Estou na cidade desde 2012 e a gente vem trabalhando com o comando, fazendo um trabalho de continuidade à isso.

JOC – Desde que a senhora ingressou no Corpo de Bombeiros, teve vários desafios. Pode garantir que sua trajetória foi gratificante até este momento?

Tenente Carla – Trabalhar para as pessoas sempre foi algo que eu gostava muito, antes de ser do Corpo de Bombeiros. Hoje, a gente vai tentando ajudar, fazendo um trabalho para a população. Nossa missão é essa, atender as pessoas, nas necessidades que elas tiverem.

JOC – Como se encontra o Corpo de Bombeiros em Irati?

Tenente Carla – A corporação atende 20 cidades, região Sudeste do Paraná. Desde Prudentópolis até Cruz Machado, Bituruna e General Carneiro.

JOC – Um trabalho extenso, não é mesmo?

Tenente Carla – Sim. É algo amplo, somos ligados à Ponta Grossa, cidade que atem uma área de atuação de 40 cidades. Nosso ideal é essa emancipação para formar escolas na nossa região, para aumentar o número de bombeiros na nossa região. Temos hoje uma defasagem de efetivo, sentido em todo o Estado. As saídas dos Bombeiros está numa velocidade maior que as contratações. Mas creio que a questão governamental já está olhando por isso.

JOC – Acredita que essa oportunidade está abrindo mais espaço para as mulheres?

Tenente Carla – Todos as oportunidades que nós mulheres temos de estar à frente, temos que fazer do melhor modo possível, para deixar a porta sempre aberta. Quando um homem erra, até passa despercebido, mas se é uma mulher, se torna mais visível. Queremos ser iguais e para isso, precisamos nos dedicar, batalhar.

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