“Lucro virá quando o futuro se tornar presente”

Em entrevista, Cláudio Zini, diretor-presidente da Pormade Portas, comentou resultados na empresa por meio da formação e capacitação de seus colaboradores

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Cláudio Zini, diretor-presidente da Pormade de União da Vitória, em exclusiva para O Comércio, comentou os resultados obtidos na empresa por meio da formação e capacitação de seus colaboradores. Citou a Educação Corporativa como o bem mais valioso entre todos os capitais.

Fundada em 1939, a Pormade é considerada a maior fabricante de portas prontas do Brasil. Desde 2018, a empresa inovou e entrou para o *franchising. Atualmente, conta com 30 lojas, sendo dez franqueadas.

As lojas da Pormade estão localizadas em cidades estratégicas no Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. O foco central da marca é ampliar a atuação para todo o Brasil.


Confira a entrevista:

 Jornal O Comércio (JOC): A conversa é com o Diretor-presidente da Pormade Portas, Cláudio Zini. Seja bem-vindo.

Cláudio Zini (CZ): Desde já, sou um líder servidor. É um prazer estar aqui e, principalmente falando sobre um tema que eu sou fanático, que é a educação. Educação é tudo aqui na Pomade.   

JOC: Por que investir em Educação Corporativa?

CZ: Porque é o bem mais valioso entre todos os capitais. É o investimento em seres humanos. Aqui, na Pormade, investimos pesado em educação. O lema da Pormade, é esbanjar em educação. O investimento em educação na empresa deve ser igual ao investimento na família, ou seja, se na escola o filho não der resultado imediato, o seu futuro será desastroso? Temos exemplos de empresas que vão a falência porque não estão investindo em educação.

JOC: Pandemia pode interferir nesse processo?

CZ: Eu tenho sempre citado um urso, porque que passa um tempo hibernando e se preparando. É o caso da pandemia. O que eu quero dizer, na prática,  é que se o nosso tempo estiver ocioso, então precisamos investir em educação. Eu já passei por muitas fases na minha vida; em 1986, foi um ano para ganhar dinheiro; já em 1987, eu saí para vender matéria-prima para poder pagar as contas. Com relação ao atual momento em que estamos, me considero preparado, mais maduro para tratar de negócios. A empresa tem reservas financeiras para investir em educação.

JOC: Citaria exemplos de educação corporativa?

CZ: Criamos muita coisa aqui (na Pormade). Cito, o Centro de Desenvolvimento Humano Pormade, que trata da profissionalização das esposas dos colaboradores, por meio de cursos como corte de cabelo, pintura de pano de prato, entre outros. A beleza nisso tudo são os filhos pequenos que ajudam a mãe, e que com isso, tem tudo para se tornarem grandes empreendedores. Tenho reparo que têm mulheres faturando mais que o marido através dos artesanatos em casa.

JOC: Educação Corporativa é um tema relevante para as empresas hoje? Ou pelo menos deveria ser?

CZ: É tudo. Nos dias de hoje as empresas tem se tornando agentes educacionais. A empresa criou a sua Universidade Corporativa (Unicop), cujas ações realizadas lá desenvolvem a comunicação dos profissionais e aperfeiçoam suas habilidades, refletindo em um melhor desenvolvimento das atividades. Ação foi inspirada em uma cidade perto de Nova York. É um centro de treinamento voltado a vida real; é uma filosofia de educação, onde os cursos são pautados em cima de problemas reais; lá, os professores são os próprios profissionais da empresa e os alunos podem empregar de imediato o aprendizado, sendo o laboratório a própria empresa.

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JOC: O senhor diria que a Educação Corporativa está atrelada em uma visão estratégica empresarial?

CZ: Sim, perfeito. Sem educação corporativa não há inovação. Inovação é tudo. Uma empresa, muitas vezes, vai à falência não porque teve erros em inovar, mas pelo fato de fazer a mesma coisa por um tempo longo demais. A Pormade começou com marcenaria, depois camas de molas e até vendas de máquinas para camas de molas. Ninguém queria mais camas de molas, mas na época, foi um grande negócio, mas foi preciso mudar. Hoje já estamos oferecendo portas prontas.  Como disse Tom Peters (economista americano): ‘não existe produto sem serviço adicionado’. A Pormade está a caminho de se tornar uma empresa com alma digital.

JOC: Como define a inovação?

CZ: É preciso pensar na cultura de resultados, que é algo que todo mundo gosta. É preciso para pagar as contas, senão você vai à falência. Só que é preciso inovação; inovação é futuro e o futuro não emite notas fiscais. O lucro virá quando o futuro se tornar presente. Como disse Jeff Bezos (fundador da Amazon): ‘não existe inovação sem uma montanha de lixo’, ou seja, o sucesso só pode ser alcançado por meio de fracassos.


“Como disse Tom Peters (economista), ‘faça bem feito’, comecem errando e aí vocês vão corrigindo”


JOC: Por que muitos colaboradores tendem a se estagnar no trabalho? É natural do ser humano?

CZ: Não deveria ser. As coisas estão mudando a toda a hora e a empresa precisa se tornar um agente educacional. Educação dá dinheiro, mas precisa ser misturada com a felicidade. Felicidade e bem-estar equivalem no lucro no mundo dos negócios. É preciso oferecer produção intelectual e não tarefas rotineiras.

JOC: Como estruturar um sistema de Educação Corporativa?

CZ: Não saberia como dizer isso agora, mas creio que é ir fazendo e aprendendo. O lema na Pormade é: comece errado, e aí você vai aperfeiçoando. Como disse Tom Peters (economista): ‘faça bem feito’, comecem errando e aí vocês vão corrigindo.

JOC: Tudo isso requer ousadia?

CZ: Sim, a ousadia tem poder, genialidade e mágica. Certa vez, assisti em São Paulo a palestra de Jim Collins (tratado pelo meio dos negócios como o “maestro” da administração moderna), considerado o sucessor de Peter Drucker (escritor, professor e consultor administrativo de origem austríaca), que disse:  uma empresa de sucesso se concentra mais no que fazer ao invés do que parou de fazer.

JOC: Citaria um empresário de sucesso? Sua referência?

CZ:  Jack Welch, executivo do século XX.

‘Paixão por Vencer’, de sua autoria, é o meu livro de cabeceira. É uma bíblia do sucesso, e eu aconselho a leitura. Agora quem inspirou a minha vida? Eu diria que foi o meu primo – já falecido, o Darci Casagrande.

JOC: O que fez do senhor um empresário de sucesso?

CZ: Tudo começou com a minha mãe. Na época, em Bituruna, ela disse: ‘vamos morar em União da Vitória para você estudar’. Minha mãe sempre dinâmica, porém, meu pai mais acomodado. Ela era do lar e era proibida de falar de negócios. Viemos para cá e estudei no Colégio São José em Porto União; eu era preguiçoso e só tirava zero, um e dois. Então minha mãe disse: ‘viemos para cá para você estudar e se você me ama você vai estudar’. Então, nós dois começamos a chorar e eu disse: vou estudar! Passei no vestibular de Engenharia e foi por ela e para ela.

 


 

O que é franchising?

Franquia ou franchising empresarial é o sistema pelo qual o franqueador (dono da franquia) cede ao franqueado (pessoa com o desejo de abrir a franquia) o direito de uso da marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semiexclusiva de produtos ou serviços.

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