“O combate à estiagem têm que estar no orçamento de SC”

Valdir Cobalchini. (Foto: ADI-SC).

Líder da maior bancada na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Valdir Cobalchini (MDB) não esconde a sua preocupação com os problemas enfrentados pela pandemia no Oeste de Santa Catarina.

Representante da região, o parlamentar defende que os recursos para minimizar os problemas façam parte do orçamento do Estado. Ele lembra que a seca tem se repetido ano a ano e que as ações precisam ser constantes.

Recentemente, ele participou de reunião da bancada do Oeste com o governador Carlos Moisés (PSL) onde foi anunciado o repasse de R$ 100 milhões para o combate aos prejuízos provocados pela estiagem. Cobalchini comemorou a medida, mas espera mais.

Nesta entrevista exclusiva à coluna Pelo Estado, o deputado estadual detalha este e outros temas,com o adiamento da implantação do Bloco X e, claro, sobre as prévias do MDB para a escolha do candidato ao governo do Estado.


Confira:

Santa Catarina enfrenta um problema muito grande com a estiagem. Quais são as ações que estão sendo feitas para minimizar os impactos na região Oeste?

Todo o Oeste tem sofrido praticamente todos os anos. Tem que haver uma política de Estado, não apenas tratar esse assunto com eventual. Precisamos ter programas mais estruturantes, preventivos. A bancada do Oeste, composta por 15 deputados, teve um encontro com o governador, onde ficou decidido pela liberação de R$ 100 milhões para o combate aos efeitos da estiagem, com obras como reservatórios, obras públicas que contemplem o armazenamento da água da chuva, que todo os prédios públicos e privados tenham essa estrutura de captação. Precisamos realizar a construção de cisternas, de poços artesianos. E obviamente que esse aporte financeiro ajuda muito, mas precisamos que estes recursos constem do orçamento de forma permanente, porque, infelizmente, essa é uma realidade. Temos que nos preparar para o enfrentamento.

O senhor foi um crítico muito forte da Celesc no episódio do apagão. O problema foi resolvido?

A gente espera que venha uma solução para uma região que ficou 95 horas no apagão e que não se ofereceu até esse momento nenhuma alternativa para que isso não volte a acontecer. Eu vejo que a Celesc, a maior empresa pública de SC, precisa mudar seus métodos. Ela tem que agir como empresa privada, tem que ser mais célere, mais ágil, dar respostas mais rápidas. Não dá para trabalhar em home office. Em Florianópolis, quando também houve aquele apagão, foi encontrada uma solução rápida e implantadas outras ligações entre a Ilha e o Continente. No Meio Oeste, uma região tão importante, não podemos ficar apenas com uma ligação.

A CCJ aprovou um projeto de lei seu que institui políticas de combate ao abigeato, crime que vem crescendo nas chamadas “zonas de sombra” da telefonia celular, onde há dificuldade para comunicar denúncias. Como é essa ideia?

O roubo de cavalo, gado e ovelha tem sido recorrente, tem aumentado muito no interior e acontece muito em locais cuja a comunicação é precária, as chamadas “zonas de sombra”. Esse projeto pretende universalizar o acesso à internet no campo, para que possa aumentar a vigilância de modo remoto. Esses “buracos negros” facilitam esse tipo de crime. As forças de segurança do Estado, como as polícias Civil e Militar têm que ter um radar sobre esse tipo de crime que tem tornado criadores e pecuaristas vítimas. Recentemente houve um roubo de 100 cabeças, foram cinco caminhões. As pessoas moram na cidade e tem as propriedades no campo. Os criminosos chegam nessas zonas de sombra, à noite, quando não tem ninguém, encostam os caminhões e praticam os crimes. Uma situação muito séria.

“O Bloco X precisa ser adiado. Não é justo que os varejistas tenham mais este problema agora. Santa Catarina precisa implantar a Nota Fiscal Eletrônica”.

(Foto: ADI-SC).

As entidades empresariais pedem o adiamento da entrada em vigor da medida relacionada ao Bloco X, que obriga os varejistas a enviarem diariamente relatórios de vendas. O senhor entende que o governo deveria rever essa questão?

Nós fizemos uma reunião muito importante com a presença do secretário da Casa Civil, Eron Giordani, a Federação da Câmara dos Dirigentes Lojistas (FCDL), a Fecomércio, o Conselho Regional de Contabilidade, entre outras entidades, e são entidades que somadas cerca de 70% dos empregos em Santa Catarina. Toda essa movimentação, que contou com a presença de mais cinco deputados e eu, como presidente da Frente Parlamentar do Varejo, foi importante para o adiamento do Bloco X, que é um sistema que a Secretaria da Fazenda pretende implantar e que vai trazer ônus para as empresas, além de mais burocracia. Essas entidades querem é a Nota Fiscal Eletrônica, já que somos o único estado que não tem ainda. Não faz sentido. Não é possível que todo o Brasil esteja errado e só Santa Catarina esteja certo. A Nota Fiscal Eletrônica traz uma transparência muito grande e inibe qualquer tentativa de sonegação. A pandemia trouxe muitos problemas para o setor, muitas empresas fecharam e não é justo que tenham mais problemas ainda neste momento. O secretário da Casa Civil foi sensível ao pleito e entendemos que o governo do estado vai entender que este não é o melhor momento.

Entrando nas questões políticas, está se aproximando o dia 15 de agosto quando acontecerão as prévias do MDB. Muitas pessoas estão dizendo que, ao contrário de uma solução, as prévias viraram um problema. Qual a sua posição?

O MDB tem uma tradição muito grande de disputas internas. É um partido que exerce a democracia na sua plenitude dentro de casa. E como não temos chefe, não tem quem mande, não temos uma só liderança que desponte longe das demais lideranças, esse debate é muito natural. Claro que não podemos permitir que haja uma divisão, que acabe provocando um racha, uma perda de algum líder que venha a deixar o partido em função do resultado das prévias. Temos que ter todo o cuidado e a bancada na Alesc tem essa preocupação. E até o momento não percebemos isso. O debate está acontecendo em altíssimo nível. Vale destacar que é a primeira vez que o filiado, e nós temos quase 200 mil filiados, pode participar da escolha do candidato ao governo.

“Continuo defendendo a chapa pura do MDB. É uma forma de unificar o partido. O nosso filiado gosta muito da chapa puro sangue”.

O senhor já abriu voto?

Não posso falar como líder da bancada, somos 10 deputados e cada uma representa uma região distinta do Estado. Mas por uma questão regional eu tenho uma simpatia muito grande pela candidatura do deputado federal Celso Maldaner, presidente estadual do MDB. Mas vamos trabalhar pela unidade do partido. São três grandes lideranças.

O senhor continua defendendo a ideia de chapa pura?

Sim. Podemos pensar também que estas três lideranças encabecem uma chapa na majoritária. Um saindo para o Governo, outro para Vice e o terceiro para o Senado. Essa tese é uma forma de unificar o partido. Vale lembrar que as eleições que o partido venceu em sua maioria foi com chapa pura. O nosso filiado gosta de puro sangue. É uma ideia que tenho sentido receptividade. O MDB tem presença em todas as cidades, talvez seja o único partido com essa condição. Em qualquer bairro, você encontra um simpatizante do partido.

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