Página Laranja: “Milagre ou trabalho duro?”

Empresário Cláudio Zeizer revela que o segredo para o sucesso é colocar a mão na massa. Tudo começou há 28 anos quando sua família sobrevivia da agricultura familiar

Cláudio Zeizer é comedido na exposição da sua vida. Prefere focar seus esforços no trabalho do que qualquer outra coisa. Decidido a inspirar outras pessoas para o ingresso no comércio varejista, o empresário abriu as portas do seu estabelecimento comercial e recebeu a nossa reportagem. Ele optou por contar sobre a sua trajetória profissional no local que mais lhe representa: o interior do seu empreendimento e junto aos colaboradores.

Segundo Cláudio, o segredo para o sucesso é colocar a mão na massa. No caso do empresário, tudo começou há 28 anos quando sua família sobrevivia da agricultura familiar.

“Não caí aqui de paraquedas. Um vitorioso precisa lutar. Precisa insistir”, diz.

Proprietário do Supermercado Macliv, localizado na avenida Paula Freitas, no Distrito de São Cristóvão, em União da VitóriaCláudio se consolida atualmente como referência no empreendedorismo no Vale do Iguaçu e na região.

“Milagre ou trabalho duro? A resposta é fácil. É muito trabalho. Eu acredito em Deus, mas o trabalho é fundamental para as coisas acontecerem”.

Nascido em 25 de setembro de 1965, o filho de Reinaldo e Florinda aprendeu a trabalhar desde muito cedo, ao lado de mais quatro irmãos. Foi em uma pequena propriedade rural, em Porto União, que Cláudio despertou o gosto pelo comércio. A dedicação da família era toda voltada para o quintal da residência, com a ornamentação do jardim e o plantio de hortaliças.

Aos 16 anos, Cláudio recebeu o convite para trabalhar informalmente em uma agropecuária, a qual lhe rendeu grande aprendizado para exercer um futuro papel na indústria. Tempos depois, saiu do emprego e, aos 20 anos, retomou a atividade rural da sua família.

Com mais experiência, apostou na criação de galinhas de postura, ampliação de sua horta e investimento no gado leiteiro.

“Até semente de vassoura eu plantei (risos). Foi uma iniciativa, até criativa para a época, que deu certo. Eu plantava o sorgo-vassoura que é um tipo de sorgo caracterizado pela inflorescência (panícula) com fibras longas, cujo uso tem sido exclusivamente para confecção de vassouras resistentes e duráveis. Acredito que fui um pioneiro nesse ramo na região. Então eu passei a vender o que eu produzia, sendo os ovos no comércio local, as hortaliças pelas casas, de porta em porta e nas feiras livres; o leite era vendido às cooperativas da região.”


Confira a entrevista:

A entrevista foi realizada por Aluízio Witiuk, durante o programa CBN Entrevista, que foi ao ar pela CBN Vale do Iguaçu.

Jornal O Comércio (JOC): A criatividade foi o diferencial do seu sucesso? O senhor sempre buscou alternativas?
Cláudio Zeizer (CZ): Sempre busquei alternativas, cuidando do que eu fazia, zelando pelos resultados ou investindo muito bem no que foi proposto. Na época a dificuldade era tanta que qualquer moeda que você tivesse era valorizada. A partir disso, você começa com o sucesso dos nossos negócios, não desperdiçando oportunidades, mas sempre procurando acertar. A preocupação em fazer tudo bem feito, lá no início, e gerar a satisfação do cliente com o produto que a gente [família] oferecia, foram as bases de tudo.

JOC: Nos conte quando surgiu a ideia do comércio?
CZ: Volto a história do plantio das vassouras. Eu cultivei a vassoura, fiz a vassoura de palha e vendia no comércio. Na época não tínhamos toda essa informação que dispomos hoje, como é o caso de ver um vídeo na internet e aprender como se faz algo. Fui fazendo e aprendendo. A vontade em adquirir um comércio aconteceu justamente no momento da comercialização das vassouras e de um estabelecimento comercial que existia bem em frente a nossa casa, em Porto União. Quem tocava esse comércio era um amigo nosso, o Marcos Matos de Almeida. Ele tinha um supermercado em São Cristóvão, porém a esposa dele era diretora da Escola Nilo Peçanha, que fica no Vice-King. Como ficaria corrido para eles, o Marcos me ofereceu tocar o comércio dele, sem alterar a razão social. O combinado era que se desse tudo certo eu mudaria a razão social, ou seja, assumiria os trabalhos definitivamente. Porém, se não desse certo, eu não gastaria nem tempo e nem dinheiro na burocracia para abrir uma empresa. Foi então que em 15 dias de trabalho eu falei para o Marcos dar baixa na empresa dele que estaríamos construindo a nossa. Foi uma oportunidade que nos foi dada e que eu agradeço a vida toda. Este local se tornou em um armazém pequeno, que vendia até ‘martelinho de cachaça’ no balcão. Eu também fiz umas prateleiras e vendia hortaliças que eu mesmo plantava. Esse foi o nosso início.

JOC: Quando surgiu a ideia da construção de um supermercado?
CZ: Depois de uns seis meses do armazém, eu adquiri um terreno no Vice-King, de uns 150 metros quadrados, pertencente ao Rafael Witiuk e sua família. Como o armazém estava pequeno e a ideia não era ficar no balcão, mas sim atender melhor a população, eu construí um mercadinho. Ele foi crescendo naturalmente e sem um planejamento; o compromisso era o de atender melhor, todo o dia, a comunidade. Ficamos ali, no Vice-King, por seis anos. Eu imaginava um local cheio de mercadorias, foi então que eu colocava latas de achocolatado nas pontas das gôndolas e rolos de papel higiênico para dar essa sensação, para encher o espaço. No começo era difícil ter mercadorias, porém, quando saímos de lá, tínhamos mercadorias do piso ao teto. Foi então que conversando com o Pedro Ivo Ilkiv, na época meu cunhado, era casado com a minha irmã, pensamos em somar esforços, em abrir um comércio em um terreno no São Cristóvão. A gente refletiu e estabeleceu sociedade no empreendimento. Foi então que construímos juntos o [Supermercado] Macliv, isso em 1992. Porém, foi em dezembro de 1993, que o inauguramos oficialmente. São 28 anos de Macliv. O Pedro, por um período, também necessitou dedicar a sua vida à carreira política em União da Vitória e no Estado, porém fomos sócios por vários anos. Hoje ele dedica seus esforços na sua leiteria, negociando comigo a parte dele no Macliv. Eu fui ampliando o empreendimento, sempre pensando no cliente. Estou sempre junto aos colaboradores. Muitos quando entram no supermercado nem imaginam que eu sou o proprietário, mas sim um colaborador. Estou como proprietário único, sempre com dedicação ao trabalho.

JOC: Qual o segredo de um marketing empresarial?
CZ: Em torno de 80% das pessoas que entram aqui [Macliv] eu tenho o prazer em cumprimentar, em estar junto e servir. Quero que todos se sintam em casa e confiantes na empresa em que compram. Eles precisam saber que têm a quem recorrer se algo acontecer. Nada aconteceu de um dia para o outro na minha vida. São 28 anos de empresa. Eu diria que o patrão precisa estar envolvido com o negócio. Eu, por exemplo, por 25 anos abria e fechava as portas do supermercado. A rotina geralmente é das 6h às 22h. Não atribuo esse sucesso apenas ao meu envolvimento, mas também dos colaboradores.

JOC: Quais os planos junto ao empreendedorismo?
CZ: Tenho um filho, o Bruno, que está preparado para ajudar aqui na empresa. Tenho alguns projetos, mas ainda estou analisando. Já adquiri um terreno para desenvolver alguns projetos, porém, focados aqui, no bairro. Logo, logo eu conto!

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