COVID-19: “Homem que tive privilégio de chamar de pai”

Arno Ulrich morreu aos 84 anos por complicações do coronavírus em União da Vitória; filho lamenta morte do seu anjo da guarda

“O médico chegou a dizer que o meu pai estava como em uma montanha-russa; pois quando eram surpreendidos com a sua melhora na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e que tentariam diminuir a sua sedação, subitamente piorava. Foi assim por dez dias enquanto esteve na UTI. Após a internação dele, acompanhávamos o boletim médico por duas vezes ao dia. Foi uma luta diária. O meu pai foi um guerreiro”.

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A fala é de Arno Ulrich Júnior, filho de Arno Ulrich que foi mais uma das vítimas da Covid-19 em União da Vitória. O internamento na Associação de Proteção a Maternidade e a Infância (APMI) aconteceu no dia 19 de julho do ano passado. Era um domingo e Arno amanheceu com mal-estar. Ele já estava em tratamento de anemia crônica, necessitando de recorrentes transfusões de sangue.

Conta o filho, que a família desconfiou do coronavírus porque uma pessoa próxima teve contato com o pai naquela semana e apresentou diagnóstico positivo para a doença. O teste foi realizado e a confirmação aconteceu no dia 23. Primeiramente, ainda no quarto do hospital, Arno fez o uso do oxigênio com ventilação nasal. Pouco depois, o médico entendeu que ele seria melhor assistido na UTI.

Arno apresentou piora no seu estado de saúde e foi intubado.

“O vírus é uma loteria, pois ninguém sabe como o organismo irá reagir. É um apelo para que sejam evitadas aglomerações e que sigam todas as recomendações dos órgãos competentes. A dor da perda de um familiar é irreparável”, lamenta.

Também testaram positivo sua esposa de 82 anos, e uma das filhas. Ambas se recuperaram da doença.

“No dia 29 de julho do ano passado, recebi o telefonema do médico e estremeci. O meu pai havia falecido”, diz Arno Júnior, ao falar do seu anjo da guarda e lamentar que não fosse o vírus, o pai ainda estaria com eles.


História de um guerreiro

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“Para muitos o Arno do Scholze, ou Arno do Casa Verde, ou ainda, alemão; mas para mim, o homem que tive o privilégio de chamar de pai”, afirma Arno Júnior.

Arno era o sexto, de nove filhos de Hugo Ulrich e Catharina Tack Ulrich. Nasceu em 10 de janeiro de 1936 em União da Vitória.

“O Rio Iguaçu era o que fascinava o menino Arno. Lá, aprendeu a nadar e tomar muitos sustos. Um deles, foi quando ficou preso, submerso, em meio a areia. Seu pensamento: – “a surra que eu vou levar da minha mãe quando chegar em casa. E assim seguiu fazendo muitas artes”, lembram os familiares.

Reunidos e por intermédio de Arno Junior, compartilharam com a reportagem a história deste, que será lembrado como um guerreiro por todos que o conheciam.

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Em 6 de maio de 1961, Arno se casou com Léa Nadolny e logo vieram os filhos, Luciene, Hugo Neto, Simone e Arno Júnior. A família foi aumentando e chegou o genro Peter, as noras Maristela e Kika, os netos Giullia, Daniel, Louise, Maria Eduarda e Heloísa.

“A memória afetiva sempre vai trazer o remelecho, o bauru na kituta, as uvas, as jabuticabas e as amoras do vô Arno. Amoras com leite ‘Moça’ são inesquecíveis! ”, dissera com carinho.

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Segundo a família, Arno sempre falava que foi no Iguaçu que aconteceram os seus melhores momentos de lazer. Entusiasta de uma boa pescaria, sempre citou os amigos Tavinho, Budal, Ari Bogus, Ali, Sebastião, Melo, Teixeira, entre outros.

“Pedrinho, Pedro Luiz de Paula Neto, foi e sempre será o seu irmão do coração. Quem não lembra dos lambaris fritos, cascudos defumados e sopa de traíra? Que delícia! ”, compartilharam.

Primeiro, por muitos anos, foi proprietário do Hotel Casa Verde, espaço muito conhecido em União da Vitória. Sua aposentadoria aconteceu na empresa do Senhor Alfredo Scholze.

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Entre suas paixões, também aparece a motocicleta Triumph 1952, a marcenaria e jardinagem.

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“Arno sempre foi um homem muito conhecido na cidade. Um excelente jogador de truco, sendo muitas vezes o campeão. Um homem de princípios e valores, sendo a honestidade o seu maior legado. Gostava de uma boa prosa, conquistando as pessoas que dele se aproximavam, pois era uma pessoa agradável, com vastas histórias em seu repertório ao longo da vida. Reservado em suas emoções e sentimentos, entretanto, o amor por sua esposa, filhos e netos era imensurável. Aos 84 anos nos deixou, mas com a certeza do nosso amor eterno”, disseram os familiares.

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Fotos: Arquivo Pessoal

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