O milagre de Eliezer: garoto surpreende médicos e renasce após afogamento

·
Atualizado há 3 meses

Depois de dias que pareciam não ter fim, a família de Eliezer Rigotti, 12 anos, finalmente respira aliviada.

O menino, vítima de um grave afogamento no dia 17 de novembro, no bairro Ouro Verde, em União da Vitória, deixou a UTI nesta semana e já consegue conversar, caminhar e se alimentar aos poucos.

Eliezer (Arquivo Pessoal)

A recuperação, considerada improvável pela equipe médica nos primeiros dias, hoje é tratada pela família como um milagre.

O pai, Wellington Francisco Rigotti, acompanha cada progresso de perto. Ele conta que o filho ainda está silencioso em alguns momentos, tentando reorganizar as memórias daquele dia, mas demonstra lucidez e força surpreendentes.

Ele está bem agora. Saiu da UTI na quarta-feira. Está conversando, andando… a princípio não tem nenhuma sequela”, relata.

A fala vem sempre acompanhada de pausas — como quem ainda se acostuma a viver um alívio que parecia distante.

Os médicos disseram que não tinha mais o que fazer. Mas Deus devolveu meu filho. Só isso explica.

Eliezer, que completou 12 anos no dia 13 de novembro, lembra apenas que estava brincando na água. Não recorda do afogamento, nem do resgate.

Nos próximos dias, passará por avaliações neurológicas para confirmar a plena recuperação. A alta hospitalar só será concedida quando todos os exames estiverem concluídos.

Uma história que começou como brincadeira

Naquela segunda-feira de fim de tarde, o bairro Ouro Verde seguia sua rotina tranquila. Duas crianças brincavam próximas ao tanque da Rua Curitiba, como tantas outras vezes. Mas, por volta das 18h19, a brincadeira virou risco.

Eliezer submergiu e não voltou mais à superfície. O amigo tentou segurar sua mão, mas também começou a afundar.

Foi uma vizinha quem percebeu a mudança no som da brincadeira — o riso que parou repentinamente. Cice, moradora da rua, correu até o local, conseguiu retirar o menino menor e pediu ajuda desesperadamente.

Ela viu o afogamento e correu: moradora é a primeira a salvar crianças

O ciclista que mudou o destino daquele minuto

Nesse exato momento, um homem passava de bicicleta pela rua. Idélcio Baiak, voltando para casa depois do trabalho, ouviu o pedido de socorro. Ele não conhecia as crianças, não sabia detalhes do que havia acontecido — apenas largou a bicicleta, tirou a camisa e mergulhou.

A água era profunda e a visibilidade quase nula. Foram duas entativas até que, no fundo do tanque, ele encontrou o corpo de Eliezer.

Na margem, Idélcio iniciou manobras de reanimação, enquanto vizinhos acionavam o Corpo de Bombeiros e o Samu. O menino voltou a respirar ainda no local, antes de ser levado às pressas para a APMI.

Idélcio: o herói silencioso que salvou o menino Eliezer após afogamento

Um renascimento em etapas

Os primeiros dias no hospital foram de incerteza. A gravidade do quadro exigiu ventilação mecânica e cuidados intensivos. A família se revezava à espera de notícias, enquanto profissionais tentavam reverter os danos causados pela falta de oxigênio.

Mas, aos poucos, sinais de reação começaram a aparecer. Movimentos involuntários, respostas leves, abertura de olhos. Pequenos gestos que, para quem aguardava do lado de fora, significavam mundos inteiros.

Agora, já no quarto, Eliezer esboça sorrisos tímidos. Pergunta por casa. Come pequenas porções de comida. Caminha passos curtos, mas firmes. E reencontra a rotina de um menino que, dias antes, lutava silenciosamente pela própria vida.

Reabilitação e esperança

A jornada ainda não acabou. Eliezer segue em reabilitação, e os próximos exames neurológicos serão decisivos para a liberação completa. O pai, porém, está confiante.

Ele lembra de tudo, conversa normal, anda pelo quarto. Está voltando. Cada dia é uma vitória.