
O que começou como uma tentativa de superar crises de ansiedade e depressão, tornou-se uma paixão e, hoje, um caminho de vitórias. Aos 16 anos, Isabella Ruby, de União da Vitória, acaba de se consagrar campeã paranaense de rédeas na categoria Jovem. E ela quer mais: “Agora quero correr o Campeonato Nacional e, depois, tentar o Mundial. Já fui convidada, e se não for este ano, vai ser no próximo.”
Isabella teve o primeiro contato com a modalidade aos 12 anos, por recomendação médica.
“Estava passando por um momento muito difícil, com ansiedade, depressão e crises de pânico. A mãe da minha prima, que também monta, indicou o Rancho dos N pra eu fazer aula de equitação. E ali começou o meu amor pelo esporte das rédeas”, lembra.
Desde então, a conexão com o cavalo e a pista foi imediata. Em pouco tempo, Isabella já participava de provas importantes no Paraná, especialmente na cidade de Castro.

Em 2025, venceu as três etapas que compuseram o Campeonato Paranaense, tornando-se campeã estadual. A conquista foi alcançada ao lado de uma égua que tem um lugar especial em sua vida: “Foi meu primeiro cavalo. Tenho um apego muito grande por ela. Digo que ela tem sentimentos por mim, assim como eu tenho por ela.”
A jovem competidora atribui grande parte de seu crescimento à família, especialmente ao pai.
“Esse sonho de correr a cavalo não é só meu. Ele vem do meu pai, que também tinha esse sonho, mas nunca teve condições. Agora, posso realizá-lo por mim e por ele. Minha família é meu principal suporte. Sem eles, nada disso seria possível.”
A rotina de treinos, apesar de irregular, é eficaz. Como não há treinador em União da Vitória, Isabella alterna os treinos entre o apoio do técnico Ivo Guedes, de Campina Grande do Sul, e ensaios realizados nos próprios dias de competição.
“Geralmente treino só um ou dois dias antes da prova. Não gosto muito de treinar com antecedência, assim como faço na escola: presto atenção nas aulas, mas não estudo muito antes das provas”, brinca.

Mesmo com poucos treinos, seu talento é reconhecido. “O pessoal fala: ‘Nossa, como você tem um dom, você nem treina e vai lá e ganha’. E eu acho que é um dom mesmo. Eu monto no cavalo e ele se desmancha na minha mão — é algo que eu amo muito fazer.”
A jovem amazona também destaca o apoio inicial que recebeu no Centro Rich Border.
“O Rafael foi quem me apresentou tudo. Ele falava sobre as provas, me ensinou as regras, me orientava. Tenho total gratidão.”

Isabella Ruby não esperava que o sonho de infância ganhasse proporções tão grandes, tão rápido.
“A gente só queria viver essa experiência. Não imaginava que viria tanta coisa boa em tão pouco tempo. Mas é maravilhoso poder dar esse orgulho para o meu pai, pra minha mãe e pra todas as pessoas que torcem por mim.”
Com foco, sensibilidade e um dom que parece natural, Isabella segue firme, com as rédeas nas mãos e os olhos voltados para um futuro promissor no hipismo nacional e internacional. De União da Vitória para o Brasil — e, quem sabe, para o mundo.