VÍDEO: “Capoeira não tem nada com mandinga”, afirma Mestre Reni

Perto de completar 30 anos dedicados a cultura, Renivaldo dos Santos integra o Grupo de Capoeira Netos de Angola de União da Vitória. Segundo ele, a capoeira é um exemplo de elemento da cultura negra e que ainda enfrenta inúmeros desafios de ser aceita no espaço público

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Atualizado há 9 anos

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Da esquerda para a direita: Mestre Reni com os professores de Capoeira e também irmãos, Julio Cézar e Jean José. (Foto: Wannessa Stenzel) 

“O jogo na capoeira é lidar com a marginalização. Não é apenas o preconceito racial que incomoda os capoeiristas, mas sim os apontamentos infundados da sociedade para com a cultura. Não podemos desvalorizar a nossa cultura. Ela é uma prática que é passada de geração em geração e é considerada um Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, segundo a Unesco”, desabafa Renivaldo dos Santos, conhecido como Mestre Reni no Vale do Iguaçu.

Perto de completar 30 anos dedicados a cultura, o mestre Reni, que integra o Grupo de Capoeira Netos de Angola de União da Vitória, afirma que a capoeira é um exemplo de elemento da cultura negra que enfrenta inúmeros desafios de ser aceita no espaço público. O grupo conta hoje com 50 integrantes, mas já teve muito mais. Há alguns anos, o Grupo de Capoeira já contou com 500 desportistas.

De acordo com o mestre Reni, a intenção é popularizar a cultura pela nossa região e, é claro, contar com a participação de crianças, jovens e adultos. As aulas em União da Vitória são oferecidas gratuitamente no bairro Cidade Jardim, nas segundas, quartas e sextas-feiras, das 19h às 20h30, no bairro Navegantes, nas terças e quintas-feiras das 19h às 20h30 e aos sábados, das 14h às 15h30 e das 19h às 20h30.

O projeto tende a quebrar preconceitos, com o objetivo de utilizar a prática da capoeira como forma de conscientização, combate e superação do racismo e do preconceito étnico e racial.

“Capoeira não tem nada com mandinga”

O mestre Reni conta que muitas pessoas atribuem a capoeira com mandinga e isso é uma bobagem. “Capoeira não tem nada com mandinga, nem seita, pois contamos com crentes, católicos, entre outras religiões. Temos respeitos por todos. Capoeira não é religião, capoeira é esporte, um lazer”.

Capoeira

A história da capoeira começa no século XVI, na época em que o Brasil era colônia de Portugal. A mão-de-obra escrava africana foi muito utilizada no Brasil, principalmente nos engenhos do nordeste brasileiro. Muitos destes escravos vinham da região de Angola, também colônia portuguesa. Os angolanos, na África, faziam muitas danças ao som de músicas. Ao chegarem ao Brasil, os africanos perceberam a necessidade de desenvolver formas de proteção contra a violência e repressão dos colonizadores brasileiros.

Curiosidade

Em 26 de novembro de 2014, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), declarou a roda de capoeira como sendo um patrimônio imaterial da humanidade. De acordo com a organização, a capoeira representa a luta e resistência dos negros brasileiros contra a escravidão durante os períodos colonial e imperial de nossa história.

O Dia do Capoeirista é comemorado em 3 de agosto.

VÍDEO – Confira a musicalidade do Grupo de Capoeira Netos de Angola de União da Vitória durante entrevista para o Programa Linha Aberta da Super Rádio União.

 

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