Um dos reféns da quadrilha disse ter “nascido de novo” após escapar com vida do ataque. O homem foi uma das pessoas obrigadas a se posicionar no capô dos veículos usados pelos criminosos – e ficaram na linha de tiro em meio ao confronto.
Ao falar com o , ele preferiu não ser identificado. O homem contou que seguia para a rodoviária quando foi parado pelos bandidos. “Mandaram que eu saísse do carro, arrancaram minha camisa, me puseram em cima do carro e mandaram que eu segurasse forte, pois, se eu caísse, me davam um tiro. Segurei o mais forte que pude e quase caí quando passaram com tudo em uma lombada.” Após ser libertado, a vítima saiu correndo, depois foi a uma igreja rezar. “Nasci de novo.”
Um dia após o assalto, moradores ainda velavam as duas vítimas em clima de comoção. Renato Bortolucci, de 38 anos, foi baleado enquanto tentava filmar os bandidos – um refém e um dos membros da quadrilha também morreram durante a ação. Bortolucci deixa mulher, enteada e filha. “Era destemido e ouso dizer que cometeu uma imprudência. Quando todos estavam fugindo dali, ele chegou mais perto para fazer imagens”, afirmou o advogado Jair Moura, amigo da família. Segundo ele, a vítima estava em uma farmácia e se aproximou da praça para filmar a ação dos bandidos.
Moura negou a versão segundo a qual Renato teria levado a mulher para casa e voltou ao local do tiroteio. “A esposa dele estava no rancho da família, no Ro Tietê, distante dali. Ela inclusive estava sem carro e esperando que ele fosse buscá-la, mas ele não apareceu”, afirmou. “Quando ela conseguiu ir até a cidade, o corpo dele ainda estava no carro.”
Ainda conforme o advogado, Renato foi visto pelos bandidos fazendo a filmagem e tentou dar ré, mas bateu em outro veículo. “Ele recebeu três tiros. Um projétil transpassou o corpo de um braço para o outro. O segundo atingiu a cabeça e o terceiro, o peito”, relatou.
Amigo de infância da vítima, o empresário Patrício Malagoli conta que Bortolucci estava abrindo um segundo posto de abastecimento na cidade – ele era dono do Posto São João, um dos mais movimentados do centro. “O Renato trabalhou muitos anos na Bahia, conseguiu guardar dinheiro e, há cinco ou seis anos, abriu o posto. Era um empresário bem-sucedido, estava investindo também em construção civil.” Segundo o amigo, Bortolucci gostava de reunir os amigos e tinha acabado de reformar o rancho na prainha do Tietê. “Fazia churrasco toda semana para reunir a família, os amigos, as crianças. Ele deixou uma filha de 6 anos e a enteada de 12 anos”.
Já o corpo do personal trainer Márcio Victor Possa da Silva, de 34 anos, foi enterrado no Memorial Laluce. Familiares, amigos e pessoas que frequentavam a academia de ginástica do jovem estavam reunidos no local. A irmã, Giovana Ferreira da Silva, contou que Márcio era um dos reféns que foram amarrados sobre veículos e transformados em escudo humano. “Ainda não tivemos uma informação da polícia, ainda estamos um pouco no escuro. Mas. pelas imagens que a gente viu, era ele em cima daquele carro branco. O corpo foi achado na praça, então a gente acha que ele caiu ou tentou fugir”, disse. Segundo Giovana, o irmão foi morto com dez tiros. “Foi muita crueldade, uma coisa inimaginável.”
Conforme seu relato, além de manter uma academia de ginástica, Márcio fazia eventos. “Ele retornava de um evento no Mariá (hotel da cidade) e passava de carro pela praça com duas amigas. Quando foram abordados, elas se deitaram e ele foi arrancado do carro e levado. Só depois que acharam o corpo que soubemos que era ele.”