A visita do presidente Jair Bolsonaro à região de Pádua, no norte da Itália, foi marcada por protestos na segunda-feira, 1º. Uma mulher foi presa à tarde pela polícia italiana em manifestação contra o presidente que reuniu cerca de 500 pessoas nos arredores da Basílica de Santo Antônio. Horas antes, Bolsonaro recebeu o título de cidadão honorário de Anguillara Veneta, cidade natal de seus antepassados, onde foi recebido por apoiadores e manifestantes.
Em Pádua, por volta das 16h (horário local), o grupo que protestava contra o presidente tentou romper o bloqueio policial montado nos arredores da basílica medieval, visitada por Bolsonaro. Houve confronto e os policiais reprimiram os manifestantes com cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e disparos de jatos dágua. Mesmo após a dispersão, o protesto seguiu, sob chuva, pelas ruas estreitas da cidade. Não foram divulgadas informações sobre a mulher detida.
Bolsonaro visitou o local à noite, quando a basílica já estava fechada ao público, e não foi recepcionado por autoridades religiosas. Na semana passada, a notícia da ida do presidente a Pádua não agradou à igreja local. “Não é oculto que a concessão da cidadania honorária tem gerado muito constrangimento para nós”, afirmou, em nota, a Basílica de Pádua na última quarta-feira. O texto lembrava as mais de 600 mil mortes causadas pela covid-19 no Brasil e pedia que Bolsonaro fosse “promotor de políticas que respeitem a justiça, a saúde, o meio ambiente, especialmente de apoio aos pobres”.
Nas redes sociais, o deputado ítalo-brasileiro Luis Roberto Lorenzato publicou imagens de Bolsonaro apoiando a mão no túmulo de Santo Antônio de Padova durante a visita, que durou cerca de 40 minutos.
De manhã, Bolsonaro foi recebido sob gritos de apoio e protesto em Anguillara Veneta, comuna da província de Pádua, onde recebeu o título de cidadão honorário. A cerimônia seria na prefeitura da cidade, mas foi transferida para uma residência do século 17 na região.
A prefeita da pequena cidade de 4 mil habitantes, Alessandra Buoso, foi a idealizadora da homenagem ao presidente. Anguillara Veneta é terra natal de um dos bisavôs de Bolsonaro. A outorga à honraria foi aprovada pelo Legislativo local sob protestos da comunidade e de grupos ligados à causa ambiental. Na sexta-feira, militantes picharam “Fora, Bolsonaro” nas paredes da prefeitura.
Em transmissão pelas redes sociais antes do evento, Bolsonaro disse sentir uma “emoção muito grande” por “encontrar os parentes” e “rever as raízes”. Esta foi a primeira viagem do presidente à Itália.
Após a cerimônia, que contou com a presença de parentes distantes do presidente, Bolsonaro foi recebido em almoço organizado pela prefeita, que é filiada ao partido de ultradireita Liga. “Estou animado por estar aqui. Acho que você pode ver. Meus avós vieram daqui”, disse Bolsonaro no início do encontro, de acordo com a agência italiana AGI – a maior parte da imprensa teve o acesso negado ao evento.
“Que visite a cidade de onde vem sua família é justo, mas não que o apresentem como um modelo a seguir com a concessão do título de cidadão honorário”, criticou Antonio Spada, vereador da oposição.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram que a chegada de Bolsonaro à Villa Arca del Santo, residência onde recebeu o título de cidadão honorário, foi tumultuada, com a presença da imprensa, apoiadores aos gritos de “mito” e seguranças do presidente.
Perto dali, numa praça, centenas de manifestantes contrários ao brasileiro exibiram faixas de “Fora, Bolsonaro”, cartazes e camisetas com mensagens contrárias à concessão do título honorário. A frase “Salvini cretino, Bolsonaro assassino” foi repetida pelos manifestantes, em referência ao senador italiano de ultradireita Matteo Salvini, com quem Bolsonaro deve se encontrar hoje.