Com Fed e balanços, Ibovespa sobe 1,34%, aos 126.285,59 pontos

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Atualizado há 5 anos

Com desempenho bem positivo nos segmentos de maior peso (commodities e bancos), em meio à temporada de resultados trimestrais, o Ibovespa alçou voo no meio da tarde, passando a renovar máximas do dia após a decisão de política monetária do Federal Reserve e durante os comentários de Jerome Powell, presidente da instituição. Mesmo com sinais ainda mistos em Nova York, o índice da B3 chegou na máxima desta quarta-feira aos 126.712,08 pontos, atingindo o maior nível intradia desde 16 de julho (128.010,15 pontos). Hoje, saiu de mínima na sessão a 124.542,47 pontos, com abertura a 124.615,48 pontos, para encerrar o dia no maior nível de encerramento desde o dia 15 de julho (127.467,88), em alta de 1,34%, aos 126.285,59 pontos.

“Após a preocupação nos últimos dias quanto a intervenção regulatória do governo chinês em setores como educação e tecnologia, houve melhora nos mercados da Ásia, depois da publicação de artigo em jornal estatal que ajudou a aliviar temores, contribuindo hoje, desde cedo, para o desempenho de emergentes como o Brasil”, diz Scott Hodgson, gestor de renda variável na Galapagos Capital. “Aqui, a maioria das ações tem respondido bem aos resultados trimestrais e ao ‘guidance’ dado pelas empresas. E o mercado gostou de ouvir Powell, de que a economia (dos EUA) tem feito progressos, mas não substanciais”, acrescenta o gestor, referindo-se também a vagas ainda não preenchidas no mercado de trabalho americano.

Entre as ações dos maiores bancos, os ganhos ficaram hoje entre 1,04% (Unit do Santander) e 3,25% (Itaú PN) no fechamento – após resultados muito positivos para o Santander Brasil no segundo trimestre, que foram contrabalançados pela notícia de que o presidente, Sergio Rial, deixará o cargo no fim do ano. Na semana, o Ibovespa ganha 0,99%, limitando as perdas do mês a 0,41% – no ano, avança 6,11%. O giro financeiro desta quarta-feira subiu para R$ 35,3 bilhões, o mais alto desde o último dia 14 (R$ 42,8 bi), quando houve vencimento de opções sobre o índice.

“Uma proxy para o setor, o resultado do Santander, bem forte, recorde, na abertura dos resultados trimestrais de bancos, reforça a expectativa para outras empresas, como Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, em setor que tem estado mais atrasado na Bolsa em função da taxação de dividendos e do fim dos juros sobre capital próprio, na reforma tributária. Abre-se uma avenida para as ações de bancos voltarem a performar”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos

Além de bancos, dia também positivo para as ações de commodities, especialmente para Vale ON (+2,73%), com expectativa para o balanço da mineradora, após o encerramento de hoje. Na ponta do Ibovespa, WEG fechou hoje em alta de 8,17%, à frente de Itaú PN (+3,25%) e de BRF (+3,20%). Na face oposta, Natura cedeu 6,38%, CSN, 2,79%, e BTG Pactual, 2,05%. Petrobras PN e ON fecharam o dia respectivamente em alta de 2,06% e 1,83%.

Logo após a decisão do Federal Reserve, o Ibovespa seguia um pouco abaixo dos 126 mil pontos, com sinais divergentes nos índices de ações em Nova York, em meio à leitura do comunicado do BC americano. “Nenhuma surpresa na decisão do Fed. Na última reunião, foi na ata que veio a informação sobre a possibilidade de discussão sobre a retirada de estímulos, sobre uma estratégia de saída”, diz Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha.

“O FOMC (comitê de política monetária do Fed) trouxe comunicado ‘dovish’, ressaltando que o aumento da inflação permaneceu como resultado de fatores transitórios – e deve manter as compras mensais de títulos inalteradas até que perceba maiores progressos da economia”, diz Thomás Gibertoni, analista da Portofino Multi Family Office. “O Fed continua preso a uma armadilha de liquidez que só deve ser, de fato, discutida em agosto, começando de maneira muito branda”, acrescenta. “Powell deixou claro que ainda há muito progresso a ser feito para volta do pleno emprego. Além disso, reforçou que os dados de inflação continuam a ser transitórios e que todos os focos de inflação têm explicações.” observa o analista.

O tom ameno do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e a perspectiva de uma alta mais pronunciada dos juros no Brasil, com bancos e consultorias já prevendo Selic na casa de 8% em 2022, levaram o dólar a encerrar o pregão desta quarta-feira, dia 28, em queda firme.

A avaliação é a de que a manutenção por mais tempo de estímulos monetários nos Estados Unidos e o impacto, por ora, reduzido da cepa Delta sobre a recuperação da economia global podem aumentar o apetite por ativos de risco – o que favorece a Bolsa brasileira e torna mais confortáveis as operações de “carry trade”. O grande bode na sala ainda é a indefinição em torno da reforma do Imposto de Renda, que gera temores de remessas antecipadas de lucros e dividendos e inibe o investimento estrangeiro direto.

À espera do Banco Central americano, o real já se fortalecia pela manhã, com operadores relatando entrada de recursos externos – via captações externas e para ofertas de ações na B3 – e as projeções de Selic cada vez mais gorda, começando com uma alta de 1 ponto porcentual na semana que vem, para 5,25% ao ano. O Banco Fibra, por exemplo, passou a projetar taxa básica a 7,5% neste ano (nível considerado neutro pelo banco) e de 8,5% em 2022.

Ao redor da estabilidade no meio da tarde, a moeda americana chegou a trabalhar momentaneamente em terreno positivo, assim que saiu o comunicado do Fed. Mas logo em seguida voltou a recuar e aprofundou as perdas em meio a declarações de Powell, consideradas ainda mais amenas que o tom do comunicado do BC americano.

Com máxima de R$ 5,1925 e mínima de R$ 5,1059 (na reta final da sessão), o dólar à vista encerrou o pregão em queda de 1,31%, a R$ 5,1099 – menor valor desde 14 de julho, quando fechou a R$ 5,0841.

O real, que costuma apanhar mais em dias negativos no exterior, hoje liderou o ranking das valorizações entre moedas emergentes. O índice DXY – termômetro do comportamento do dólar frente a seis divisas fortes – virou de mão e passou a cair após fala de Powell.

Como esperado, o Fed manteve a taxa de juros entre 0% e 0,25% ao ano e a compra mensal de bônus (US$ 80 bilhões em Treasuries e US$ 40 bilhões em títulos imobiliários). Tanto no comunicado quanto na coletiva de Powell, repetiu-se a avaliação de que as pressões inflacionárias são transitórias e que o quadro para a economia americana, a despeito da recuperação, ainda é desafiador. Falta chão para que os níveis de atividade e emprego pré-pandemia sejam retomados e, até lá, o Fed vai continuar dando sustentação à economia.

Na coletiva, Powell afirmou que a alta atual dos preços “não deve deixar marca permanente no processo de inflação” e que não há decisão sobre o momento de início da redução de compra de ativos (‘tapering’), ponto de divergência entre dirigentes do Fed.

Para o head de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, a ausência de alterações no discurso do Fed foi um “não evento” muito positivo e o real tende a ser beneficiado. “Com fluxo positivo e uma alta de 100 basis points (1 ponto porcentual) da Selic em agosto, o dólar deve cair mais”, diz Weigt, ressaltando que a moeda brasileira ainda está atrasada em relação a outras divisas emergentes e de exportadores de commodities, apesar do momento favorável dos termos de troca do país.

Weigt também vê o processo de alta da Selic para níveis perto de 7% como um atrativo para os exportadores internalizarem recursos, devido ao aumento do custo de oportunidade. Uma apreciação maior do real depende, contudo, do andamento da reforma tributária, que diminuirá a incerteza do investidor estrangeiro. “Se a reforma tributária tiver um bom encaminhamento”, o dólar pode ir para R$ 4,90 novamente ou até para baixo disso”, afirma.

O head da mesa de câmbio e operações PJ da Wise Investimentos, Gustavo Gomiero, vê um quadro benigno para a economia, com baixa letalidade da variação Delta, e ambiente político mais propício para aprovação de reformas, como a tributária e administrativa, na volta do recesso parlamentar. “A perspectiva é para estabilidade e até queda do dólar no curto prazo”, afirma Gomeiro, ressaltando que o comunicado do Fed trouxe “alívio” para os investidores.

Os juros futuros encerraram a sessão regular com taxas perto da estabilidade, após uma sequência de fechamentos em alta que levou as taxas curtas a renovarem os picos do ano esta semana.

Os juros operaram levemente pressionados para cima ao longo do dia, mas na última hora de negócios houve alívio após o comunicado do Federal Reserve e a entrevista do presidente da instituição, Jerome Powell, terem reforçado a ideia de que a política monetária nos Estados Unidos seguirá bastante estimulativa.

A reação do mercado de juros aos eventos do Fed foi, no geral, contida, ao contrário da Bolsa e do câmbio. As taxas curtas reduziram o ritmo de alta e as longas passaram a rondar os ajustes, depois que Powell renovou o compromisso de manter o apoio à recuperação à economia e afirmar que a instituição será tolerante com a inflação acima de 2% “por algum tempo”.

O presidente do Fed destacou também que o “mercado de trabalho ainda tem um caminho pela frente” para melhorar e que o Fed ainda vai discutir o momento de começar a reduzir a compra de ativos. Entre outros sinais dovish, afirmou que “subir juros não é algo que esteja em nossos radares neste momento”.

O miolo da curva ainda preservou um viés de alta, atribuído à expectativa de aperto maior na Selic e preocupações com a inflação, que têm consolidado as apostas de elevação da taxa em 1 ponto porcentual no Copom da semana que vem, ou até 1,25 ponto nas apostas minoritárias.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 6,245%, de 6,239% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 passou de 7,645% para 7,68%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 8,45%, de 8,425% ontem, e a taxa do DI para janeiro de 2027 ficou estável em 8,76%.

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