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Atenção senhor (a) editor (a): esta retranca substitui a anterior, enviada às 18h12 da terça-feira, 25. Ela continha uma imprecisão no último parágrafo. A Alelo, do setor de benefícios, lançará plataforma própria no segmento de adquirência e delivery, e não ingressará no segmento de adquirência para terceiros, como foi informado. Segue a nota com o texto corrigido:
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O noticiário doméstico foi positivo nesta terça-feira, sendo marcado pela aprovação da reforma administrativa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, mas a cautela externa teve peso maior no mercado de câmbio e o dólar acabou zerando a queda nos negócios da tarde, passando a subir, em dia de cautela no exterior, por conta de indicadores mais fracos que o previsto nos Estados Unidos – de venda de moradias e confiança do consumidor – e nova rodada de declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), reforçando a visão de inflação transitória e manutenção dos estímulos monetários.
No fechamento, após cair na mínima do dia a R$ 5,29, o dólar à vista acabou encerrando mais perto das máximas, cotado em R$ 5,3371, em alta de 0,23%. No mercado futuro, o dólar para junho, que vence na próxima segunda-feira, subia 0,32% às 17h40, em R$ 5,3390.
Uma medida da dificuldade em analisar as tendências para a inflação norte-americana foi passada nesta terça pelo vice-presidente do Federal Reserve, Richard Clarida, ao afirmar que os indicadores estão “especialmente confusos” no momento. Ele manteve a visão de inflação “transitória”, mas ressaltou que, se a pressão nos preços se provarem mais persistentes, o Fed terá “ferramentas para contê-la”.
Para o sócio da gestora SPX, Leonardo Linhares, os próximos três a seis meses devem ser marcados por informações insuficientes para se ter maior clareza sobre a inflação nos EUA. “A grande dúvida é se a inflação será permanente ou provisória”, disse ele no período da tarde, em evento do BTG Pactual. Em sua visão, apesar de o Fed ter enfatizado que é provisória, parte desta alta deve ser mais permanente.
O diretor de investimentos (CIO) Truxt, Bruno Garcia, alerta que os países emergentes com dificuldades fiscais, como o Brasil e África do Sul, podem encontrar um cenário mais difícil pela frente quando o Fed começar a discutir a retirada dos estímulos e a liquidez da economia se reduzir. Para Garcia, a sinalização pode ser no evento de Jackson Hole, em agosto, que é organizado pelo próprio Fed.
“Países como o Brasil, com a situação fiscal um pouco mais complicada, podem se atrapalhar um pouquinho”, disse ele, destacando que a China também está reduzindo estímulos. Assim, o Brasil deve entrar no segundo semestre com a economia melhor, mas com o mundo desenvolvido discutindo retirada de estímulos.
O DXY, índice que mede o comportamento do dólar ante divisas fortes, caiu nesta terça, testando as mínimas desde janeiro em meio às declarações sobre inflação dos dirigentes do Fed, destaca o analista de mercados do banco Western Union, Joe Manimbo. Mas ante moedas emergentes, o dólar mostrou mais força, subindo no México, Chile, Colômbia e Turquia.
No noticiário doméstico, além do avanço da reforma administrativa na Câmara, o dia foi marcado por declarações reformistas do presidente da casa, Arthur Lira (PP-AL), e também do dirigente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), ambos no evento do BTG. Lira defendeu o avanço de uma reforma tributária “possível” neste momento e falou em avançar na semana que vem a reforma da renda. “Me deu um ânimo ver o presidente Lira falando da agenda de reformas, que são importantes para o País”, comentou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
A consultoria inglesa TS Lombard também ressalta que tem havido no país uma melhora recente na perspectiva das reformas e da atividade econômica, ajudando o real e a ter melhor desempenho que seus pares. “A janela para passar estas reformas está agora aberta”, ressaltam os analistas, prevendo o avanço de medidas importantes nos próximos meses.
Uma combinação de taxas mais baixas no exterior e um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) perto do piso das estimativas dos analistas provocou baixa em toda a curva nesta terça-feira. Enquanto o cenário externo foi o drive na ponta longa, na curta houve certa consolidação das apostas de alta da Selic em 0,75 ponto porcentual. Agentes do mercado lembram, ainda, que toda a estrutura está com muito prêmio, o que influencia também no movimento forte de baixa nesta terça nos principais vértices.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 recuou de 5,056% na segunda-feira para 4,995% no ajuste desta terça. O janeiro 2023 passou de 6,809% para 6,71%. O janeiro 2025 cedeu de 8,275% para 8,15%. E o janeiro 2027 caiu de 8,864% a 8,76%.
O diferencial entre os contratos janeiro 2022 e janeiro 2027, uma medida de inclinação da curva, passou de 380 pontos-base na segunda-feira a 376,5 pontos nesta terça.
O movimento de queda firme dos títulos do Tesouro americano ampararam, em um primeiro momento, o viés de baixa das taxas internas. Por lá, as vendas de moradias e a confiança do consumidor vieram negativos, ambos os índices com estreita relação com a atividade econômica. Analistas ponderaram que o salto recente da inflação pode explicar essa baixa, ainda que dirigentes do Federal Reserve reiteradamente têm dito que os preços altos têm causas transitórias.
Quer por causa de sinais de desaquecimento da atividade, quer devido a declarações de dirigentes do Fed, fato é que as taxas dos Treasuries cederam com velocidade, chegando ao menor nível em 15 dias, influenciando diretamente os juros médio e longos locais.
Internamente, o cenário também ajudou. O grande destaque da agenda brasileira era o IPCA-15 de maio. Analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast já previam desaceleração do índice na margem, a 0,54% (intervalo de 0,43% a 0,61%), mas ele marcou 0,44%. É a taxa mais alta para o mês desde 2016, mas menos intensa do que inicialmente projetado.
A despeito de o IPCA-15 ter chancelado revisões para cima do índice cheio do ano – muito em função do temor com relação à crise hídrica e suas consequências para os preços de energia -, analistas apontam que os serviços subjacentes, acompanhados de perto pelo Banco Central para a formulação da política monetária, apresentam arrefecimento.
Nesta terça, aliás, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou, em evento do BTG Pactual, que a autoridade monetária pode sair de uma normalização parcial da Selic para buscar uma taxa de juros neutra se o cenário de inflação para 2022 mudar. Mas ele afirmou que o cenário atual continua indicando para um processo de normalização parcial.
Com um olho nas preocupações do exterior, sobre a inflação global, e outro na agenda doméstica, especialmente a progressão das reformas e a possibilidade de extensão do auxílio emergencial, o Ibovespa perdeu a linha de 123 mil pontos, renovando mínimas no fim da tarde e chegando a 122.700,96 pontos no piso do dia, para fechar aos 122.987,71 pontos, em baixa de 0,84%, após ter registrado segundo melhor fechamento da história na véspera, aos 124 mil pontos. Nesta terça-feira, o índice da B3 tocou máxima, pela manhã, a 124.695,53 pontos, melhor nível intradia desde 11 de janeiro (125.075,18 pontos) – ou, dito de outra forma, o terceiro maior da Bolsa paulista.
O giro financeiro desta terça ficou em R$ 28,1 bilhões – na semana, o Ibovespa avança 0,32%; no mês, 3,44%, e no ano, 3,34%. O dia foi moderadamente negativo nos mercados de Nova York, oscilando entre leves ganhos e perdas durante a sessão, em meio à avaliação mista sobre nova rodada de dados econômicos nos Estados Unidos, que dificulta antever a atitude futura do Federal Reserve com relação ao nível de estímulos monetários.
“Devemos ver um crescimento acelerado, com crescentes pressões sobre os preços. O debate sobre a inflação ainda não acabou, mas a maioria em Wall Street acredita que (ela) será transitória”, observa em nota Edward Moya, analista da Oanda em Nova York, chamando atenção, por outro lado, para a mais recente leitura sobre a confiança do consumidor americano, divulgada hoje, que sugere “a ideia de desaceleração do crescimento e suavização das condições do mercado de trabalho para os próximos meses”.
Nesta terça, o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, disse que a reabertura da economia coloca pressão sobre a inflação, mas acrescentou que os “dados econômicos estão realmente confusos agora”, ainda que a perspectiva para a economia americana continue “muito positiva”, com possibilidade de crescimento de mais de 6%, “talvez até 7%”. No cenário-base de Clarida, a inflação será “transitória”, embora seja necessário acompanhar “cuidadosamente” a evolução dos preços nos próximos meses. “Queremos fazer mais progresso substancial em direção ao cumprimento de metas”, acrescentou o vice do Fed. O mandato do Fed é dual, focado em inflação e emprego.
No Brasil, a admissibilidade da reforma administrativa na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara foi um desdobramento positivo, assim como o IPCA-15 de maio.
Mas houve também fatores desfavoráveis, como o relato de que o governo estuda tributar ganhos de capital de instituições financeiras, afetando a rentabilidade dos bancos, observa Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença. O setor, de maior peso no Ibovespa, teve perdas nesta terça entre 0,50% (Bradesco PN) e 1,34% (BB ON).
“Ontem, o índice subiu demais e não houve razão forte para isso. Desde ontem já havia essa possibilidade de extensão do auxílio emergencial. As commodities estão corrigindo e, hoje, houve esta grande venda individual de ações da Vale”, acrescenta Monteiro, chamando atenção para venda líquida de 2,9 milhões de ações da mineradora por um único vendedor ao longo desta terça-feira, até as 16h20, em movimento interpretado como uma realização de lucros ante a recente correção observada nos preços da commodity, o que tem afetado também as ações de siderúrgicas. Nesta terça, Vale ON fechou em baixa de 2,49%, Usiminas PNA, de 3,09%, e CSN ON, de 2,39%.
“Tivemos um ajuste técnico, com os investidores optando por colocar lucro no bolso após o forte avanço de ontem. Além do movimento técnico, também fomos impactados hoje pelo viés negativo lá fora, com certo mau humor desde os indicadores dos Estados Unidos, sobre a confiança do consumidor e as vendas de casas novas, ambos abaixo do esperado. Este receio de fora acabou impactando aqui, de forma mais destacada”, diz Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos.
Na ponta positiva do Ibovespa, destaque para Cielo, em alta de 7,63%, com notícia de que a Alelo, do setor de benefícios, lançará plataforma própria no segmento de adquirência e delivery e em meio a comentários sobre a cisão de Banco do Brasil e Bradesco no negócio. O papel foi seguido de Cogna (+6,65%) e Pão de Açúcar (+5,47%). Do lado negativo, Banco Inter devolveu parte dos fortes ganhos da segunda-feira, de quase 25%, ao fechar nesta terça em baixa de 6,97%, à frente de Usiminas (-3,09%) e Cosan (-2,89%).