Ibovespa emenda segundo ganho, em alta de 0,41%

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Atualizado há 5 anos

Apesar do recuo do minério de ferro para o menor patamar de preço desde maio de 2020, e da inflação pelo IPCA ter registrado em outubro (1,25%) o mais elevado nível para o mês desde 2002, acumulando variação de 10,67% em 12 meses, o Ibovespa, mesmo com o dia negativo em Nova York, conseguiu emendar a segunda alta, mas voltou a perder força ao longo da tarde, fechando desta vez com ganho de 0,41%, aos 105.967,51 pontos, superada a incerteza sobre a aprovação, em segundo turno, da PEC dos Precatórios na Câmara. A despeito da perda de fôlego em direção ao fim da sessão, foi o melhor nível de fechamento do mês, e o maior desde o último dia 27 (106.363,10 pontos).

Hoje, a referência da B3 oscilou entre mínima de 105.140,39 e máxima de 107.407,42, saindo de abertura aos 105.535,36 pontos, com giro financeiro a R$ 32,5 bilhões nesta quarta-feira. Na semana, o Ibovespa acumula ganho de 1,09% e de 2,38% no mês – no ano, ainda cede 10,96%.

Com Petrobras mostrando perda acima de 1% em boa parte da sessão, na qual o petróleo cedeu em torno de 3%, o Ibovespa devolveu os ganhos vistos mais cedo, que superavam 1%, apesar do forte desempenho do setor financeiro, o de maior peso no índice, com destaque para Bradesco PN (+5,65%), maior ganho da carteira Ibovespa na sessão – ao fim, limitando a correção, Petrobras ON e PN cederam respectivamente 0,83% e 0,79%, com Vale ON também em baixa no fechamento (-0,38%), assim como o setor de siderurgia (Gerdau PN -1,25%).

Além de mineração e siderurgia, em meio à correção dos preços da commodity, “o dia foi ruim para o petróleo e também em Nova York, o que afetou Petrobras, com grande peso no índice”, diz Antonio Carlos Pedrolin, líder da mesa de renda variável da Blue3. Assim, o Ibovespa voltou a desacelerar à tarde, sem ter também ainda muito o que celebrar, mesmo com a passagem da PEC dos Precatórios da Câmara para o Senado.

“A aprovação tira um pouco da nebulosidade sobre o cenário, mas a PEC não chega a ser o melhor dos mundos – dos males, o menor; ruim com ela, pior sem ela”, acrescenta Pedrolin, observando também que o governo precisava encontrar uma forma de financiar o novo programa social, Auxílio Brasil. “A instabilidade com relação ao fiscal ainda mantém o dólar em torno de R$ 5,50, apesar da curva de juros. A percepção sobre o fiscal continua a pesar muito sobre o câmbio”, diz ele, chamando atenção para um fator que tem dificultado ganhos adicionais para o Ibovespa.

Após ter chegado a mostrar alta de 1,74%, saindo de abertura positiva, o Ibovespa acabou não tendo como ficar indiferente a nova correção em Nova York, onde as perdas nesta quarta-feira chegaram a 1,66% (Nasdaq) no fechamento. “Após a divulgação dos dados de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos, que vieram acima das expectativas, acredita-se que o Fed possa antecipar a elevação da taxa de juros”, diz Everton Medeiros especialista da Valor Investimentos.

Na ponta do Ibovespa na sessão, além de Bradesco PN (+5,65%) e ON (+4,72%), destaque para Petz (+5,09%), MRV (+4,69%) e Banco do Brasil (+4,59%). Na face oposta do índice, Braskem (-11,88%), Via (-6,50%), Azul (-4,82%) e Raia Drogasil (-3,81%).

A aprovação da PEC dos Precatórios em segundo turno ontem na Câmara dos Deputados e as apostas em aceleração do ritmo de alta da taxa Selic, reforçadas pelo IPCA de outubro acima das expectativas, fizeram o real brilhar se destacar entre as divisas emergentes nesta quarta-feira, 10 – dia marcado por fortalecimento global da moeda americana, na esteira do avanço da inflação ao consumidor nos Estados Unidos.

Pela manhã, em meio ao alívio com a vitória tranquila do governo na votação da PEC, o dólar à vista chegou a furar o patamar de R$ 5,45 e desceu até a mínima de R$ 5,4366 (-1,06%). A máxima, a R$ 5,5101, veio à tarde, quando o índice DXY – que mede o desempenho da moeda americana frente a seis divisas fortes – e as taxas dos Treasuries registraram as máximas da sessão.

No fim do dia, com um ajuste de posições, dólar à vista fechou a R$ 5,5001, em alta de 0,10%. No exterior, a moeda americana apresentava ganhos de quase 3% frente ao rand sul-africano e de cerca de 1,5% ante o peso mexicano, ambos considerados pares da moeda brasileira. Na B3, o dólar futuro para dezembro fechou em alta de 0,22%, a R$ 5,51100, com giro de US$ 14,39 bilhões.

Analistas ressaltam que o real havia tido um desempenho muito inferior ao de outras divisas emergentes ao longo de outubro, mês marcado pelo anúncio da mudança na regra do teto de gastos, e agora exibe certo fôlego com investidores reajustando posições. Dados compilados pela Renascença mostram que ontem, dia em que o dólar caiu 0,83%, os investidores estrangeiros reduziram suas posições compradas (que ganham com a alta da moeda americana) em 24 mil contratos (US$ 12 bilhões), tendo bancos e fundos locais como contraparte.

Para o diretor da corretora Correparti, Ricardo Gomes da Silva, o real não tem fôlego para uma rodada de apreciação daqui para a frente. Ele ressalta que a PEC dos Precatórios ainda precisa passar pelo Senado, casa mais refratária ao governo e que tem no comando um pré-candidato a presidência, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). “O mercado é muito imediatista. A verdade é que não tem nada resolvido ainda na questão fiscal”, diz Gomes da Silva, acrescentando que o governo perdeu uma de suas moedas de troca na negociação com o Congresso, após o Supremo Tribunal Federal barrar o repasse de recursos por meios das emendas do relator, o chamado “orçamento secreto”.

A relatoria da PEC dos Precatórios no Senado ficará nas mãos de Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo na Casa. Bezerra prevê votação da proposta nos dias 23 e 24 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ou, no mais tardar, entre 29 de novembro e 2 de dezembro. Em seguida, o texto vai para a apreciação do plenário. Segundo analistas, embora altere a regra do teto de gastos e represente um calote parcial no pagamento dos precatórios, a PEC, que libera R$ 91,6 bilhões de espaço no orçamento, dá alguma visibilidade a política fiscal ao estabelecer a fonte de recursos para o Auxílio Brasil.

Além das incertezas domésticas no campo fiscal, o diretor da Correparti vê ventos externos contrários ao real. Ele acredita que a aceleração da inflação nos países desenvolvidos levará a uma antecipação do aperto monetário, especialmente nos Estados Unidos. Gomes da Silva trabalha com perspectiva de que o Federal Reserve comece a subir os juros já em meados de 2022, o que vai levar a um fortalecimento global da moeda americana. “O dólar vai se valorizar lá fora e aqui também, mesmo com uma taxa Selic mais alta estimulando a arbitragem de taxa de juros. A incerteza ainda é muito grande”, afirma. “Eu vejo o dólar oscilando numa faixa entre R$ 5,50 R$ 5,70”.

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,9% em outubro em relação a setembro, superando as expectativas, de alta de 0,6%. O núcleo do CPI – que exclui energia e alimentos – subiu 0,6%, quando se esperava 0,4%. Na comparação anual, o CPI teve alta de 6,2% em outubro, acima da projeção de alta de 5,9%. A meta de inflação perseguida pelo Fed é de 2%

Em relatório, o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, afirma que a leitura recente dos índices de preços nos EUA tende a dar mais força ao dólar no exterior e abalar a tese de que a inflação é transitória. Com isso, comenta Velho, deve haver um aumento de probabilidade, na curva de juros futuros americana, de que o Fed comece a apertar a política monetária até o fim do primeiro semestre de 2022.

Por aqui, a inflação também surpreendeu negativamente. O IPCA de outubro registrou alta de 1,25%, acima do resultado de setembro (1,16%) e do teto de Projeções Broadcast (1,19%). Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 10,67%, patamar mais elevado desde janeiro de 2016 (10,71%).

Diante da inflação corrente pressionada e da deterioração contínua das expectativas, crescem as apostas de que o Banco Central tenha que acelerar o ritmo de aperto monetário, com uma alta de pelo menos 2 pontos porcentuais na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em dezembro, nos próximos dias 7 e 8.

Na esteira do IPCA de outubro, algumas casas revisaram a estimativa para a taxa Selic no fim do atual ciclo de aperto monetário. O Barclays, por exemplo, alterou a projeção terminal para o juro básico de 10,5% para 11,25%, com risco de alta. O banco espera um aumento de ao menos 1,5 ponto porcentual da taxa Selic em dezembro, seguido por duas altas de 1 ponto em fevereiro e março de 2022.

O IPCA de outubro acima do esperado, em conjunto com a aprovação em segundo turno da PEC dos Precatórios, reforçou o movimento de desinclinação da curva de juros, com as taxas de curto prazo oscilando ora em leve alta ora estáveis, enquanto as longas cederam. A surpresa negativa da inflação provocou nova onda de revisões para cima nas estimativas de IPCA e Selic nos Departamentos Econômicos, mas na curva foi suavizada justamente pelo resultado da votação da PEC, que também acabou limitando o contágio da pressão do rendimento dos Treasuries.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 subiu de 12,151% para 12,20% (regular) e a do DI para janeiro de 2025 caiu para 11,83% (regular), de 11,855%. O DI para janeiro de 2027 fechou com taxa de 11,67% (regular), de 11,723% ontem. Na etapa estendida, as taxas tiveram leve avanço ante a regular, com exceção do DI para janeiro de 2023 que se manteve em 12,20%. A do DI para janeiro de 2025 terminou a estendida em 11,90% a do DI para janeiro de 2027, em 11,73%.

“Apesar das dúvidas sobre a tramitação no Senado, o fato de a PEC ter passado na Câmara aliviou o efeito que o IPCA poderia ter tido na curva, mas aumenta a pressão sobre o Banco Central para que eleve a Selic em mais do que 1,5 ponto porcentual”, afirmou o estrategista-chefe da CA Indosuez Brasil, Vladimir Caramaschi. Num dia de quórum mais elevado na Câmara, o placar de 323 votos favoráveis ao texto foi mais elástico do que no primeiro turno, de 312, apenas quatro acima dos 308 necessários.

No Senado, o texto terá relatoria do senador Fernando Bezerra (MDB-PE), o que, a princípio, eleva as chances de aprovação. “A escolha do líder do governo para a relatoria é um passo importante para aprovação, ainda que exista risco em relação ao timing da votação”, afirma o analista de política da Tendências Consultoria, Rafael Cortez.

Com relação ao IPCA, a taxa no mês passado surpreendeu, ao acelerar a 1,25%, ante previsão de que refluísse a 1,06% (mediana das estimativas), de 1,16% em setembro. Superou até mesmo o teto das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, de 1,19%. O resultado, somado à leitura negativa dos preços de abertura do indicador, desencadeou uma série de revisões em alta para inflação e juros entre os economistas. Na curva a termo, endossou o consenso de elevação de 2 pontos porcentuais na Selic no Copom de dezembro.

No exterior, o dia também foi de inflação acima do previsto, com o CPI de outubro nos Estados Unidos (0,9%) superando as estimativas de 0,6%. O núcleo de 0,6% igualmente veio acima do consenso, de 0,4%. Os dados trouxeram cautela aos ativos, dada a possibilidade de antecipação de aperto de juros pelo Federal Reserve. “A T-Note de dez anos, que vinha bem desde a coletiva de Jerome Powell, agora deu sinal de vida”, destacou Caramaschi. O yield do papel subia a 1,56% no fim da tarde, mas o impacto na curva local foi limitado pela melhora do risco fiscal após a PEC.

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