Ibovespa sobe 0,58% com recuperação global após tombo por Ômicron

Após o tombo de 3,39% na sexta-feira, o Ibovespa teve recuperação parcial neste começo de semana, chegando a ficar bem perto de zerar as perdas do mês (-0,66% ao fim) faltando a sessão de amanhã para o encerramento de novembro – que será o fiel da balança para determinar se a referência da B3 estenderá a série negativa iniciada em julho ou se chegará a dezembro, quem sabe, em busca de alguma recuperação de fim de ano, com as perdas do Ibovespa agora a 13,61% em 2021.

Desde o primeiro semestre de 2013, quando o Ibovespa registrou seis perdas mensais consecutivas, não se vê série negativa tão extensa, caso se consume a quinta retração neste novembro. As quatro retrações seguidas, entre julho e outubro de 2021, haviam igualado o intervalo entre novembro de 2013 e fevereiro de 2014.

Nesta segunda-feira, o índice perdeu boa parte da força na reta final da sessão, em alta limitada a 0,58%, a 102.814,03 pontos no fechamento, entre mínima de 102.226,04 e máxima de 104.148,72 pontos, saindo de abertura aos 102.226,78. O giro financeiro nesta penúltima sessão do mês ficou em R$ 28,4 bilhões.

Acompanhando Nova York e o petróleo neste início de semana, também em recuperação parcial ante a onda de medo global vista na última sexta-feira, o dia foi de recuperação bem distribuída pelas ações e setores de maior peso no Ibovespa, com algumas exceções negativas, entre as quais o setor financeiro, que ao fim cedeu os ganhos moderados vistos mais cedo. Na ponta positiva, destaque para Getnet(+11,21%), Locaweb (+6,77%) e Usiminas (+6,12%). No lado oposto, Cyrela (-3,70%), CVC (-2,68%) e B3 (-2,38%).

Entre as blue chips, Petrobras ON e PN subiram 3,39% e 3,51%, respectivamente, e Vale ON fechou em alta de 1,25%, enquanto, no setor financeiro, as perdas chegaram a 1,20% (Unit do Santander), com apenas BB ON (+0,16%) sustentando leve ganho no encerramento, entre os grandes bancos.

O avanço do Ibovespa chegou a se acentuar moderadamente à tarde após o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ter dito que a cepa da Covid-19, a Ômicron, é motivo de preocupação, mas não de pânico. Segundo ele, é possível que não haja necessidade de medidas adicionais para combater a nova variante, como restrições a viagens a outros países, por exemplo. A fala de Biden foi bem recebida no mercado americano, dando apetite extra ao investidor na B3.

“Houve exagero na sexta-feira por causa da variante. Agora, há uma reavaliação, com a visão de que não é tão preocupante quanto parecia a princípio, apesar da retomada de lockdown vista lá fora. A semana tem dados importantes, como o payroll (na sexta-feira), e amanhã, caso haja mesmo a votação da PEC dos Precatórios, será outro fator importante para saber se o mercado poderá andar mais, contando agora também com a recuperação nos preços do petróleo e do minério de ferro”, diz Rodrigo Friedrich, head de renda variável da Renova Invest.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou hoje que a PEC dos Precatórios deve ser votada pelo plenário da Casa na quinta-feira, 2. A proposta está pautada para votação amanhã na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

“Aprovando na Comissão de Constituição e Justiça, eu levarei imediatamente na pauta do Senado Federal, acredito que quinta-feira, após as sabatinas que nós temos”, disse Pacheco, citando a agenda do Senado para avaliar a indicação do ex-ministro André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF). Pacheco defendeu os pontos centrais apresentados pelo governo na PEC e disse não ver outra solução para abrir espaço ao Auxílio Brasil no próximo ano.

Além disso, nesta semana, “os investidores estão aguardando a reunião da Opep, que vai acontecer na quinta-feira. Lá será decidido sobre o nível de produção para os próximos meses. O minério também está encontrando forças para recuperar, subindo na casa de 7% (nesta segunda na China)”, diz Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora.

“O mercado amanheceu lá fora já em campo majoritariamente positivo, em recuperação após a liquidação global vista na sexta-feira com os receios sobre nova cepa, mais transmissível, da Covid. Nas próximas semanas, deveremos ter mais informação, e dão um alento as indicações de que Moderna e Pfizer podem adaptar rapidamente as suas vacinas à nova variante”, diz Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos.

“Embora a variedade da África do Sul ainda esteja no radar, especialistas acreditam que, mesmo mais contagiosa, os riscos de morte são menores quando comparada com outras (variantes). Além disso, países vêm adotando medidas de restrição de voos, justamente para conter propagação, além de estarem colocando esforços na vacinação da população, restringindo os não vacinados de algumas atividades”, observa em nota a Terra Investimentos.

O dólar à vista inicia a semana em alta no mercado doméstico em meio à postura cautelosa dos investidores na véspera da provável votação da PEC dos Precatórios na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e diante de agenda carregada aqui e no exterior. Também pesaram na formação da taxa de câmbio hoje aspectos técnicos, já que amanhã ocorrerá a definição da última Ptax de novembro, com a tradicional disputa entre comprados e vendidos.

O pregão pode ser dividido, grosso modo, em duas etapas. Pela manhã, houve muita volatilidade e trocas de sinais. O dólar iniciou os negócios em queda e desceu até a mínima de R$ 5,5802, esboçando acompanhar a recuperação parcial dos ativos de risco, que haviam tombado na sexta-feira com a notícia da nova variante do coronavírus, identificada na África do Sul. A leitura preliminar é a de que, embora mais transmissível, a Ômicron não resultará em um aumento dos casos graves da doença.

O alívio, contudo, durou pouco e logo a moeda americana ganhou força, trocou de sinal e correu até a máxima de R$ 5,6397. Parte do mau humor foi atribuída ao cancelamento das festas da virada de ano em Salvador (BA), por conta da Ômicron – um prenúncio de que a atividade pode sofrer novamente com medidas restritivas. Também rondavam as mesas de operação rumores de que o governo não descartava lançar mão do estado de calamidade para pôr em pé o Auxílio Brasil caso a PEC dos Precatórios empaque no Congresso.

Depois de muito chacoalhar pela manhã, o dólar à vista se fixou em terreno positivo ao longo da tarde, sempre acima do patamar de R$ 5,60. No fim da sessão, era cotado a R$ 5,6097, em alta de 0,25%. Apesar de dois pregões consecutivos de valorização, a moeda americana ainda recua 0,64% em novembro e pode interromper uma sequência de dois meses de forte alta (3,67% em outubro e 5,30% em setembro).

Se na sexta-feira o real, embora tenha se depreciado, apresentou um desempenho melhor que seus pares emergentes, hoje a moeda brasileira foi destaque negativo, já que o dólar caiu tanto em relação ao peso mexicano quanto ao rand sul-africano. O índice DXY – que mede a variação do dólar frente a seis moedas fortes – se recuperou das perdas de sexta e trabalhou em alta firma, na casa dos 93,369 pontos.

O líder de renda fixa e produtos de câmbio da Venice Investimentos, André Rolha, observa que o real chegou a acompanhar a melhora dos mercados pela manhã, mas que os investidores retomaram posições defensivas, levando o dólar para cima de R$ 5,60 à espera votação da PEC dos Precatórios. “O fato de a moeda brasileira não acompanhar seus principais pares, como o peso e o rand sul-africano, significa que o mercado pode estar se antecipando a qualquer coisa negativa amanhã na votação da PEC”, diz Rolha, acrescentando que a agenda é carregada aqui e lá fora, com divulgação do PIB no Brasil no terceiro trimestre na quinta-feira (02) e do relatório de emprego nos Estados Unidos (payroll) na sexta-feira (03).

Dados os problemas domésticos e a perspectiva de um dólar forte no exterior, em razão dos indicadores positivos da economia americana, Rolha não vê motivos para taxa de câmbio retornar para uma banda entre R$ 5,40 e R$ 5,50 no curto prazo. O mais provável, diz o especialista, é que o dólar siga numa faixa entre R$ 5,55 e R$ 5,60, podendo alcançar os R$ 5,70. “O ambiente local continua muito perturbado e pode haver demanda por dólar lá fora como proteção. Devemos ter uma semana de bastante volatilidade”.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse, hoje à tarde, que a PEC dos Precatórios, caso aprovada amanhã na CCJ, deve ir ao plenário da Casa na quinta-feira (2). Pacheco acredita que será mantido no texto a mudança do cálculo do teto de gastos e o limite para o pagamento de precatórios, abrindo “muito espaço fiscal” para o Auxílio Brasil.

Mais cedo, o secretário do Tesouro Nacional, Paulo Valle, disse que o governo acredita na aprovação da PEC e, por isso, não trabalha com plano B. Segundo Valle, a definição do Orçamento de 2022 vai diminuir as dúvidas do mercado sobre a política fiscal no ano que vem. O secretário afirmou ainda que, com a PEC, o governo terá “margem de manobra” para lidar como uma eventual nova onda da covid-19.

Dados divulgados hoje à tarde mostraram que as contas do Governo Central – que reúnem Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – registraram superávit primário de R$ 28,195 bilhões em outubro, acima da mediana de Projeções Broadcast (R$ 26,150 bilhões) e o melhor resultado para o mês desde 2016.

O gerente de derivativos H.Commcor, Cleber Alessie, vê a PEC dos Precatórios como um ponto de alerta, mas acredita que os investidores estão mais sensíveis, neste momento, aos eventuais desdobramentos da disseminação da Ômicron. Ele nota que, por ora, o nível de R$ 5,60 tem atraído vendedores ao mercado de câmbio doméstico, o que, ao lado dos juros mais altos, ajuda a dar alguma sustentação ao real.

“Mas se a nova cepa do coronavírus se mostrar mais perigosa do que a leitura que o mercado tem hoje, o dólar pode subir ainda mais”, diz Alessie, que chama a atenção para os discursos do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ao longo desta semana. “Vamos ver se o Fed vai mudar o discurso sobre o ritmo de redução de estímulos com o surgimento da nova variante”, afirma.

Os juros futuros fecharam em queda, após uma sessão de volatilidade, em que alternaram altas e baixas ao sabor do noticiário e da agenda de indicadores. O efeito da melhora da perspectiva sobre os impactos da variante Ômicron na economia global e do IGP-M abaixo do esperado acabou sendo contrabalançado ao longo da sessão pela piora do câmbio, alta do petróleo e receios com a área fiscal, com o investidor acompanhando as informações sobre a PEC dos Precatórios. No fim da etapa regular, no entanto, firmaram-se em baixa e renovaram mínimas após declarações do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), consideradas positivas.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 11,88% (regular e estendida), de 11,916% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 11,735% para 11,59% (regular e estendida). A do DI para janeiro de 2027 encerrou em 11,57% (regular) e 11,55% (estendida), de 11,713%.

A aversão ao risco vista na sexta foi considerada “exagerada”, dado que as informações sobre a nova cepa ainda eram bastante incipientes. Na avaliação dos especialistas, a nova variante tem elevado potencial de transmissão, mas baixa letalidade, o que encorajou os players. Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o risco global da Ômicron é “muito alto”, dadas as possibilidades de que escape à proteção das vacinas disponíveis. “Enquanto o mundo todo não estiver vacinado, as variantes vão surgir”, diz o gestor de renda fixa da Sicredi Asset, Cássio Andrade Xavier, para quem, contudo, a evolução da pandemia tira do horizonte a chance de um choque de juros no Brasil.

As taxas abriram em baixa, na esteira do IGP-M de novembro aquém do esperado, da queda do dólar e da melhora do apetite por risco lá fora. A inflação medida pelo índice, de 0,02%, teve forte desaceleração ante outubro (0,64%) e ficou abaixo do piso das estimativas do mercado, de 0,15%. Outro vetor da abertura foi a pesquisa Focus, que, como esperado, mostrou avanço nas estimativas de IPCA no curto prazo – em 2021 subiu a 10,15% e a de 2022, a 5%, no teto da meta para o ano que vem. O recuo das taxas, porém, perdeu força ainda pela manhã, com a virada do dólar para cima e notícias negativas do lado fiscal – o ministro Luís Roberto Barroso, do STF liberou estados e municípios que aderirem ao Regime de Recuperação Fiscal a realizar concurso para preenchimento de cargos vagos na administração pública.

Pouco antes do fechamento da etapa regular, o noticiário fiscal voltou, na avaliação dos players, a melhorar, abrindo espaço para devolução dos prêmios. O movimento foi atribuído à fala de Pacheco, que defendeu os pontos centrais do governo na PEC dos precatórios e disse não ver outra solução para abrir espaço ao Auxílio Brasil no próximo ano que não seja o limite ao pagamento destas dívidas judiciais. Ele previu que o texto deve ser votado pelo plenário da Casa na quinta-feira caso seja aprovado amanhã na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Para Xavier, dado o temor do mercado com a possibilidade de volta do estado de calamidade, qualquer notícia que sinalize para a votação da PEC tende a agradar ao mercado. “Se falam que vão botar para votar, é porque alguma segurança devem ter, então gera uma expectativa positiva”, afirmou. O Executivo, porém, ainda está buscando votos para consolidar o placar necessário, de 49 votos favoráveis no plenário.

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