Ibovespa sobe pelo 2º dia, em alta de 0,83%, aos 104,5 mil pontos

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Atualizado há 5 anos

Mesmo com pouco fôlego nos índices de ações no exterior, e com petróleo embicando para o negativo, o Ibovespa conseguiu emendar nesta quarta-feira, 24, segundo dia de recuperação parcial, chegando a testar a linha dos 105 mil pontos no melhor momento da sessão. Ao fim, com desempenho positivo das ações de commodities, siderurgia e bancos, a referência da B3 mostrava alta de 0,83%, aos 104.514,19 pontos, entre mínima de 102.464,29 e máxima de 105.041,16 pontos, saindo de abertura aos 103.651,88 pontos. O nível de fechamento foi o melhor desde o dia 12, com o índice tendo permanecido na faixa de 102 a 103 mil pontos nos últimos cinco encerramentos.

Moderado nesta véspera de feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, o giro foi de R$ 26,9 bilhões. Na semana, o Ibovespa sobe agora 1,44% e, no mês, 0,98%, enquanto no ano as perdas estão em 12,19%. Desde o último dia 17, o Ibovespa não tocava a marca de 105 mil pontos no intradia – e a última vez em que fechou acima de tal nível foi exatamente em 12 de novembro, então aos 106.334,54 pontos.

“Não há desdobramentos novos que justifiquem celebração. A Bolsa ficou muito amassada e subiu nessas últimas duas sessões movida por volatilidade de curto prazo. A tendência ainda é negativa, com queda na confiança do consumidor e revisões nas projeções de PIB, pra baixo, e de inflação, pra cima. A PEC foi mais um jeitinho brasileiro para fazer populismo, e se não for pela PEC, será por MP. Não há nenhum fator para embasar essa alta”, diz Leonardo Milane, economista e sócio da VLGI.

“As ações de commodities e de exportadoras têm contribuído para o Ibovespa, mas a incerteza em torno da PEC dos Precatórios ainda é alta”, observa Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos. Nesta quarta-feira, Petrobras ON e PN avançaram, respectivamente, 1,95% (máxima do dia no encerramento) e 2,05%, mesmo com o sinal negativo do petróleo à tarde, enquanto Vale ON encerrou o dia em alta de 2,32% (também na máxima da sessão) e os ganhos no setor de siderurgia chegaram a 3,48% (Usiminas PNA), com a recuperação em curso nos preços do minério de ferro na China. Entre os grande bancos, os ganhos nesta quarta-feira ficaram entre cerca de 2% e 3% ao longo da tarde, com destaque para Itaú PN (+2,67% no fechamento).

Na ponta do Ibovespa, Banco Pan (+5,19%), à frente de Locaweb (+4,84%) e de Banco Inter (Unit +4,02%). No lado oposto, Natura (-3,64%), PetroRio (-3,40%) e Rede D’ Or (-3,12%).

No exterior, a semana, na prática mais curta pelo feriado desta quinta-feira nos Estados Unidos, foi marcada também pela progressão dos rendimentos dos Treasuries, especialmente o do prazo de 10 anos, induzindo ajuste no Nasdaq, mas também afetando os outros índices acionários de Nova York em meio à reponderação do momento, possivelmente no ano que vem, em que o Federal Reserve, após a conclusão da retirada de estímulos, deve começar a elevar a taxa de juros de referência.

Conforme a ata da mais recente reunião de política monetária do BC americano, divulgada nesta tarde, alguns dirigentes sinalizaram preferência por ritmo mais rápido de redução das compras de ativos, o chamado ‘tapering’. Com a informação, os juros dos Treasuries longos reduziram perdas na sessão e os índices acionários de Nova York voltaram a se enfraquecer.

Depois de uma manhã volátil, com algumas trocas de sinal, o dólar à vista se acomodou ao longo da tarde em leve queda, na contramão do fortalecimento global da moeda americana diante da expectativa de antecipação da alta de juros nos Estados Unidos, sentimento reforçado hoje pela divulgação do índice de preços de gastos ao consumidor (PCE). Com mínima de R$ 5,5562 e máxima de R$ 5,6233, ambas registradas na etapa matutina, o dólar à vista fechou a sessão desta quarta-feira (24) a R$ 5,5948, em queda de 0,25%. Assim, a moeda americana acumula baixa de 0,91% em novembro, esboçando interromper uma sequência de dois meses de alta: 3,67% em outubro e 5,30% em setembro.

Nas mesas de operação, o desempenho do real é atribuído a ajuste de posições, em meio a apostas em aprovação da PEC dos Precatórios – cuja votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado deve ficar para o próximo dia 30 – e a fluxos pontuais de recursos. Operadores ressaltam que, a despeito da queda no mercado à vista, o dólar futuro para dezembro trabalhou em alta e com liquidez muito reduzida – o que refletiria ainda um ambiente de cautela entre os agentes.

O analista Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora, atribui a máxima e a mínima da sessão ao longo da manhã ao vaivém em torno da PEC dos Precatórios e a dados da economia americana. “Na parte da tarde, perdeu força e voltou a cair com vendas no mercado à vista por parte de exportadores”, afirma Esquelbek, em nota.

Pela manhã, o líder do governo e relator da PEC dos Precatórios no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), protocolou seu parecer, mantendo o limite para pagamento de precatórios e a mudança na regra de cálculo de gastos – o que deve abrir espaço de R$ 106,1 bilhões para gastos em 2022, ano das eleições presidenciais. Como já anunciado, o relator prevê Auxílio Brasil de caráter permanente, sem que seja necessário, contudo, apresentar fonte de financiamento, como exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Um ponto que chamou a atenção é que o parecer traz pontos do texto em separado, o que abre espaço para o fatiamento da PEC – ou seja, que partes já aprovadas pelos deputados sejam promulgadas, enquanto as eventuais alterações voltaram para a Câmara em uma proposta paralela. Houve pedido de vistas coletivo, mas o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre, disse que a votação do texto na comissão será no dia 30, segundo determinação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Na avaliação do diretor de estratégia da Inversa Publicações, Rodrigo Natali, a manutenção dos pontos essenciais da PEC, com correção do cálculo do teto e limitação dos gastos com precatórios, dá visibilidade sobre o tamanho da folga no orçamento de 2022. “O mais importante é saber o quanto pode ser o gasto, e não exatamente em que o dinheiro vai ser gasto, se em emenda parlamentar ou Auxílio Brasil”, diz Natali, ressaltando que “quanto mais cedo a PEC passar, melhor”, já que diminui a incerteza e evita surpresas indesejadas.

Natali vê exagero no pessimismo de parte do mercado e destaca que boa parte da formação da taxa de câmbio no Brasil se deve a influência da escalada do dólar no exterior. Em comparação com o euro, por exemplo, o real tem se apreciado. “A cotação engana um pouco. A taxa está perto de R$ 5,60 porque a valorização do dólar lá fora foi muito forte”, diz Natali, ressaltando que leitura recente de dados de atividade e inflação nos EUA – aliada à recondução de Jerome Powell à presidência do Fed – alimenta a expectativa de antecipação da alta de juros nos EUA.

No exterior, o DXY – que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes – operou em alta firme, atingindo os 96,938 pontos na máxima. A moeda americana também avançou em relação a divisas emergentes, incluindo pares do real, como o peso mexicano. A exceção foi a lira turca, que se recuperou em parte do tombo de ontem.

Pela manhã, saiu que o PIB dos EUA cresceu 2,1% no terceiro trimestre na margem, levemente abaixo de avanço de 2,2% previsto por analistas. Chamaram mais atenção os gastos com consumo e o PCE, o índice de referência de inflação do Federal Reserve. Os gastos avançaram 1,3% em outubro ante setembro, acima do esperado (1%). O PCE subiu 0,6% em outubro, com alta de 0,4% do núcleo. Na comparação anual, o índice avançou 5% e seu núcleo aumentou 4,1%.

A ata do encontro mais recente do Federal Reserve, divulgada à tarde, não provocou solavancos nos ativos domésticos. Segundo o documento, alguns dirigentes do BC americano preferiam um ritmo mais rápido de redução de volume de compras de bônus. Uma vez mais, o Fed afirmou que o ‘tapering’ não traz qualquer sinal em relação a ajuste nos juros. Mais cedo, a presidente da distrital do Federal Reserve de São Francisco, Mary Daly, disse que não se surpreenderia se houvesse uma ou duas elevações da taxa básica de juros em 2022.

Amanhã, o mercado americano estará fechado por conta do feriado do Dia de Ação de Graças, o que pode ajudar a explicar a falta de apetite por negócios no mercado futuro hoje.

Declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e a melhora do câmbio levaram os juros a se firmarem em baixa à tarde, dissipando a frustração gerada pelo adiamento da votação da PEC dos Precatórios na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para 30 de novembro. A fala do presidente do BC foi considerada dovish nos aspectos da política monetária e fiscal e da atividade, reforçando a ideia de manutenção do ritmo de alta da Selic em 1,5 ponto porcentual. O alívio nos prêmios será testado amanhã pelo IPCA-15 de novembro, considerando que a taxas de inflação têm surpreendido para cima reiteradamente nas últimas leituras.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 12,13% (regular), de 12,267% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 terminou a regular em 11,83%, de 11,936% ontem. A taxa do DI para janeiro de 2027 caiu de 11,763% para 11,73%. No fim da sessão estendida, tais vencimentos tinham taxas de 12,155%, 11,84% e 11,73%, respectivamente.

Em boa medida, a curva limpou algum excesso de prêmio para um ciclo de aumento da Selic mais agressivo depois da sinalização de Campos Neto, durante participação em live do Bank of America. “Quando ele cita a potência da política monetária, sugere que o BC está confiante de que não será preciso acelerar o ritmo”, disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Campos Neto admitiu que o País passa por um momento único, com dupla pressão do aumento de preços tanto no País quanto no exterior, mas, por outro lado, a política monetária se tornou mais potente sem a pressão que era exercida por subsídios de crédito que foram retirados. Mas foi enfático ao reconhecer que o desvio das expectativas em relação à meta central do ano que vem ganhou terreno. “O Banco Central entende que lida com uma crise sem precedentes”, disse.

Outros aspectos “dovish” na fala do comandante do BC, na avaliação do diretor de Gestão de Renda Fixa e Multimercados da Quantitas Asset, Rogério Braga, foram a questão fiscal e de atividade. “Ele relativiza um pouco o qualitativo versus quantitativo no fiscal”, afirmou Braga. Campos Neto disse que o aumento do prêmio de risco visto na curva decorrente da PEC foi muito maior do que o desvio fiscal, destacando ainda a melhora dos dados e as projeções menos negativas para a dívida se comparadas ao início deste ano.

Apesar dos números fiscais, a preocupação com as contas públicas vai se alimentando do imbróglio em torno da PEC, tantos são os vaivéns e mudanças do texto. Diante da falta de consenso em pontos-chave, o parecer apresentado pelo relator Fernando Bezerra (MDB-PE) na CCJ foi alvo de pedidos de vista coletiva e, com isso, a votação foi adiada para a próxima semana, prolongando a agonia dos investidores.

Destaque da agenda do dia, a ata do Federal Reserve ampliou a cautela nos ativos em Wall Street, ao indicar que alguns membros defenderam aceleração no ritmo do tapering, mas não chegou a ter impacto sobre a curva.

Nesta quinta-feira, o mercado já abre conhecendo o IPCA-15 de novembro, que, segundo a mediana das estimativas, deve desacelerar a 1,14%, de 1,20% em outubro. Em 12 meses, o caminho deve ser o inverso, com aceleração da alta a 10,70%, de 10,34% no mês passado.

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